Mulheres do Afeganistão terão que cobrir o rosto

Talibã afirma que exigência faz parte do Islã
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Niqab é uma vestimenta que cobre todo o rosto
Niqab é uma vestimenta que cobre todo o rosto | Foto: Reprodução/Redes Sociais

As mulheres no Afeganistão terão que cobrir o rosto. A nova regra foi publicada neste sábado, 7, pelo Talibã, grupo extremista que reassumiu o governo do país ano passado.

De autoria do Ministério da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, o novo decreto aborda como as mulheres devem aparecer em público, dizendo que devem observar o “hijab adequado” — um conceito aplicado às roupas femininas —, sempre que forem em ambientes públicos.

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De acordo com o texto, as mulheres afegãs, “a menos que sejam muito jovens ou muito velhas, devem cobrir o rosto, exceto os olhos, sempre que virem ou encontrarem um homem desconhecido”. Com a nova medida, as opções ficam limitadas a duas: vestir a tradicional burca azul afegã, que tem uma grade de renda sobre os olhos, ou usar o niqab — um véu preto que deixa uma fenda para os olhos, usado sobre um vestido preto solto.

Nenhum outro país atualmente exige apenas essas vestimentas para as mulheres islâmicas, segundo o The Wall Street Journal. As punições para reincidentes incluem prisão para os parentes do sexo masculino. Funcionárias que ainda trabalham serão demitidas se quebrarem as regras, estabelece o decreto.

Repressão contra as mulheres no Afeganistão

O documento afirma que a exigência faz parte do Islã. Desde que retornou ao poder, o Talibã vem aplicando políticas cada vez mais repressivas para as mulheres.

As adolescentes, por exemplo, não podem mais ir à escola. A maioria das funcionárias públicas foi impedida de trabalhar. As mulheres devem estar acompanhadas por um parente do sexo masculino, ou mahram, sempre que viajarem para fora de sua cidade natal ou para o exterior. As aulas universitárias são segregadas por gênero, assim como os parques públicos.

Idade da Pedra

Marwa Stanikzai, uma dentista de 32 anos, disse que o Talibã está levando as mulheres de volta à Idade da Pedra. “Sou médica, sou bem educada e sei que nenhuma dessas regras está no Alcorão”, o livro sagrado do Islã.

Shahrbanu Hassanzada, 48 anos, mãe de cinco filhos, também expressou indignação com o decreto.

“Todas essas restrições às mulheres são uma injustiça”, disse. “O Talibã deve se concentrar na educação e no desenvolvimento das mulheres — é disso que precisamos, não dessas regras do hijab.”

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