ONU pede libertação de estudante condenada por escrever no Twitter

A mulher saudita está detida desde o ano passado e foi condenada a 34 anos de prisão
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Salma al-Shehab, estudante saudita de doutorado em odontologia
Salma al-Shehab, estudante saudita de doutorado em odontologia | Foto: Divulgação

A Organização das Nações Unidas (ONU) se manifestou nesta sexta-feira, 19, sobre a prisão de uma mulher saudita por ter feito críticas ao governo em sua conta no Twitter. Ela foi condenada a 34 anos de prisão por um tribunal de apelação da Arábia Saudita.

A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Liz Throssell, disse que um pedido foi encaminhado ao governo saudita, para que promova “a libertação imediata e incondicional” de estudante Salma al-Shehab, que fazia doutorado em odontologia no Reino Unido e está presa desde o ano passado, quando foi detida durante férias no país.

Em um comunicado, a porta-voz afirmou que a estudante jamais deveria ter sido presa. “Estamos chocados com a condenação da estudante. Ela nunca deveria ter sido presa e acusada por tal comportamento.”

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É mais um exemplo de autoridades sauditas usando as leis antiterrorismo e anticrime do país para atingir defensores de direitos humanos e pessoas que expressam opiniões divergentes, diz a porta-voz da ONU.

Além da pena de prisão, o tribunal também proibiu a estudante de deixar o país pelo mesmo período após o cumprimento da pena. Salma, que mantinha uma conta no Twitter e fazia postagem em favor dos direitos humanos e críticas ao governo e também seguia oposicionistas, foi condenada por “prestar assistência” a opositores políticos que buscam “perturbar a ordem pública”, de acordo com a sentença divulgada por agências internacionais.

“Pedimos às autoridades sauditas que anulem sua condenação e libertem imediata e incondicionalmente a estudante”, relatou a porta-voz. Ela acrescentou a preocupação da ONU com a pena “extraordinariamente longa” e os efeitos “desanimadores” que poderá exercer sobre “críticos do governo e da sociedade civil em geral”.

Conforme o comunicado, a condenação “é mais um exemplo de autoridades sauditas usando as leis antiterrorismo e anticrime do país para atingir defensores de direitos humanos e pessoas que expressam opiniões divergentes; os intimidam e exercem represálias contra eles”.

Além da libertação de Salma, o escritório de direitos humanos da ONU também pede às autoridades sauditas que revisem todas as condenações relacionadas à liberdade de expressão.

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7 comentários Ver comentários

  1. A ONU deveria também ficar chocada com as autoridades da Alemanha que perseguem e criminalizam cidadãos alemães. Leiam esta reportagem:

    Mãe de jornalista alemã que relata a guerra na Ucrânia tem que fugir da Alemanha

    A mãe da jornalista alemã Alina Lipp teve de deixar a Alemanha. Duas semanas atrás, do nada, sua conta bancária foi congelada. De um dia para o outro ela não conseguia mais acessar seu dinheiro. Ela foi informada de que a polícia poderia estar à sua porta a qualquer momento para levá-la para interrogatório. A razão para isso foi a cobertura indesejada de sua filha da guerra na Ucrânia.

    “A Alemanha não é mais meu país”, diz a mãe da jornalista em um vídeo que gravaram juntas. “É muito intenso”, disse Alina. Depois que sua conta foi bloqueada, a mãe de Alina vendeu seus pertences para poder levar o seu carro para a Rússia.

    Há um mês, é possível novamente viajar para a Rússia de carro do exterior. Além disso, a mãe da jornalista recebeu um visto. Momento emocionante para os Lipps.

    Recentemente, as autoridades alemães abriram uma investigação criminal contra Alina. Eles já haviam removido seu material da internet e, posteriormente, bloqueado as contas bancárias dela e de seu pai. Na Alemanha, apoiar a operação militar russa na Ucrânia é crime. Você pode pegar até três anos de prisão.

    Notavelmente, as autoridades alemães escrevem na carta que Alina não será ouvida no caso porque isso “interferiria na investigação”. “Então eles querem me processar, mas não querem me ouvir”, disse Alina, que tem mais de 180.000 assinantes no Telegram.

    Como as jornalistas Sonja van den Ende e Eva Bartlett, ela está na “lista da morte” ucraniana.

    Sua mãe agora tem uma conta bancária na Rússia. No sábado ela solicitou uma conta bancária e no dia seguinte um funcionário do banco entregou seu cartão bancário. Recebe até juros, enquanto a taxa de juros na Alemanha é negativa. “Estou agradavelmente surpresa”, diz ela.

    Vídeo: https://uncutnews.ch/video-mutter-eines-deutschen-journalisten-der-ueber-den-krieg-in-der-ukraine-berichtet-muss-aus-deutschland-fliehen/

  2. A ONU é um leão contra os costumes ocidentais, mas um gatinho contra os árabes muçulmanos.

    Essa coitada vai passar uma boa parte da vida na cadeia.

  3. ONU PARA QUÊ? Ora, ora, senhores. Passou da hora de rever a existência dessa organização, que até agora não justificou a sua criação. É um cabide de emprego e de politicagem barata.

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