Países que usaram vacinas chinesas enfrentam novos surtos de covid-19, diz jornal

Mongólia, Bahrein, Chile e Seychelles apostaram nos imunizantes da Sinopharm e da Sinovac Biotech
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Na Indonésia, onde uma nova variante está se espalhando, mais de 350 médicos e profissionais de saúde se contaminaram recentemente, apesar de terem sido totalmente imunizados com a vacina da Sinovac
Na Indonésia, onde uma nova variante está se espalhando, mais de 350 médicos e profissionais de saúde se contaminaram recentemente, apesar de terem sido totalmente imunizados com a vacina da Sinovac | Foto: Divulgação/Pixabay

O que Mongólia, Bahrein, Chile e as pequenas Ilhas Seychelles têm em comum? Os quatro países vacinaram boa parte de seus habitantes com vacinas produzidas na China e agora, em vez de se livrar do coronavírus, das máscaras de proteção e das medidas de isolamento, todos enfrentam novos surtos de contaminação.

Reportagem publicada na terça-feira 22, pelo jornal The New York Times mostra que, nesses quatro países, entre 50% e 68% da população foi totalmente vacinada, ultrapassando inclusive os Estados Unidos, segundo o site Our World in Data. Entretanto, todos eles estão entre os dez países com os piores surtos de covid-19 registrados na semana passada, de acordo com levantamento de dados feito pelo jornal norte-americano. As quatro nações apostaram suas fichas em laboratórios chineses com nomes similares — a Sinopharm e a Sinovac Biotech, esse último, conhecido dos brasileiros em razão da CoronaVac, imunizante desenvolvido na China em parceria com o Instituto Butantan.

Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, cerca de 45% da população está totalmente vacinada, principalmente com doses desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e Moderna. Os casos caíram 94% em seis meses. Em Israel, onde foi aplicada a vacina da Pfizer, o número de novos casos de covid-19 confirmados diariamente por milhão está agora em cerca de 4,95. Nas Seychelles, que usaram a chinesa Sinopharm, esse número é de mais de 716 casos por milhão.

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A disparidade de resultados em razão do uso de diferentes vacinas no mundo, segundo a reportagem, pode criar três grupos de países que emergem da pandemia — as nações ricas que saíram na frente, compraram e aplicaram doses da Pfizer/BioNTech e Moderna, os países pobres que estão no fim da fila de vacinação e, em seguida, aqueles que estão imunizados mas parcialmente protegidos, com produtos de baixa eficácia. A China, assim como mais de 90 países que receberam doses fabricadas no país asiático, pode terminar no terceiro grupo, sofrendo a imposição de medidas restritivas e arrastando os efeitos da pandemia por meses ou anos.

O que diz a China

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China informou não ver ligação entre os recentes surtos de covid-19 e suas vacinas. O órgão do governo citou a Organização Mundial da Saúde dizendo que as taxas de vacinação em certos países não atingiram níveis suficientes para prevenir surtos e que essas nações precisavam manter o controle. “Relatórios e dados relevantes também mostram que muitos países que usam vacinas feitas na China expressaram que são seguras e confiáveis ​​e têm desempenhado um bom papel em seus esforços de prevenção de epidemias”, informou o Ministério. A China também enfatizou que seus imunizantes têm como alvo doenças graves, e não a transmissão.

Diferentes taxas de eficácia

Nenhuma vacina previne totalmente contra a covid-19 e as pessoas ainda podem ficar doentes após terem sido vacinadas, mas as taxas de eficácia relativamente baixas das vacinas chinesas foram identificadas como possível causa dos surtos recentes.
As vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna têm taxa de eficácia de mais de 90%. O imunizante da AstraZeneca/Oxford apresenta eficácia média de 70%, e o da Janssen, de 66%.

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A vacina da Sinopharm, desenvolvida com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, tem taxa de eficácia de 78% e a da Sinovac apresenta taxa de eficácia global de pouco mais de 50%.

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Desde o início da corrida mundial pelas vacinas, as empresas chinesas não foram transparentes na divulgação de dados clínicos para atestar a segurança e a eficácia de suas candidatas. Na última segunda-feira, 21, o epidemiologista do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças Shao Yiming disse que a China precisava vacinar totalmente de 80% a 85% de sua população para obter imunidade coletiva, revisando uma estimativa oficial anterior de 70%.

Apesar do aumento de casos, as autoridades de Seychelles e da Mongólia defenderam a Sinopharm, afirmando que a vacina é eficaz na prevenção de casos graves da doença. Batbayar Ochirbat, pesquisador-chefe do Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências do Ministério da Saúde da Mongólia, disse que o motivo do aumento repentino de casos se deve ao fato de que o país se reabriu rapidamente e muitas pessoas acreditaram estar protegidas após a aplicação de apenas uma dose.

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Na Indonésia, onde uma nova variante está se espalhando, mais de 350 médicos e profissionais de saúde se contaminaram recentemente, apesar de terem sido totalmente imunizados com a vacina da Sinovac, de acordo com a Associação Médica da Indonésia. Em todo o país, 61 médicos morreram entre fevereiro e 7 de junho. Dez deles haviam tomado a vacina chinesa, informou a associação.

Bahrein e os Emirados Árabes Unidos foram os primeiros dois países a aprovar a vacina chinesa da Sinopharm, antes mesmo da divulgação final dos testes clínicos. Desde então, houve muitos relatos de pessoas vacinadas que adoeceram mesmo após duas doses da vacina chinesa contra a covid-19. Ainda assim, o governo do Bahrein informou em comunicado que a aplicação da vacina foi “eficiente e bem-sucedida até o momento”. Por via das dúvidas, no mês passado, autoridades dos dois países anunciaram que vão oferecer uma terceira dose de reforço. As opções: Pfizer ou mais Sinopharm.

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