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'Esta é a pior crise desde 1949, nosso modelo acabou', alertam industriais da Alemanha

Leibinger falou sobre um panorama preocupante para a indústria da maior economia da União Europeia

Bandeira da Alemanha | Foto: REUTERS/Lisi Niesner/File Photo
Bandeira da Alemanha | Foto: Lisi Niesner/File Photo/Reuters

O presidente da Federação das Indústrias da Alemanha (BDI), Peter Leibinger, lançou um alerta nesta terça-feira, 16, sobre a crise do setor produtivo no país europeu.

O Bundestag, o Parlamento da Alemanha | Foto: REUTERS/Nadja Wohlleben
O Bundestag, o Parlamento da Alemanha | Foto: REUTERS/Nadja Wohlleben

Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, Leibinger falou sobre um panorama preocupante para a indústria da maior economia da União Europeia.

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“O país corre o risco de uma desindustrialização irreversível. A China copiou nosso modelo”, disse Leibinger, segundo o qual o clima no país é “extremamente negativo, em alguns casos até agressivo” e que “as empresas estão profundamente decepcionadas”.

Para o executivo, essa é “a pior crise econômica mais grave desde a fundação da República Federal”, em 1949.

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Não se trata apenas de uma recessão cíclica, mas de uma profunda crise estrutural, enfatiza, salientando o temor de uma “desindustrialização irreversível”.

Leibinger, conhecido por sua moderação e tom calmo, surpreendeu muitos leitores do jornal com essas frases apocalípticas, mostrando que a situação é extremamente grave.

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“Sinais de alerta devem soar”, porque o modelo econômico alemão está sob ataque em múltiplas frentes: custos de energia, burocracia, concorrência global, advertiu o líder industrial.

Modelo econômico da Alemanha se esgotou

Os números comprovam essa afirmação. Apesar da “revolução” do chanceler Merz, que nesta primavera afrouxou o freio da dívida pública previsto na Constituição alemã, aumentando os gastos militares e alocando € 500 bilhões (cerca de R$ 4,5 trilhões) em investimentos ao longo de dez-12 anos em infraestrutura e digitalização, a economia real está estagnada.

Berlim fechará o ano com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado entre 0% e +0,1%, segundo o Conselho de Especialistas Econômicos, com a previsão de quase 3 milhões de desempregados, uma taxa de desemprego que subiu para 6,3%.

O setor manufatureiro perdeu 500 mil empregos desde os picos pré-pandemia de covid-19.

A indústria automotiva é um exemplo desse declínio. O setor, um dos principais símbolos da potência manufatureira alemã, enfrenta uma forte concorrência de veículos elétricos chineses de baixo custo e altos custos de energia.

Atrasos na inovação digital e em baterias também deixaram gigantes como a Volkswagen vulneráveis, levando a planos de reestruturação e fechamento de fábricas que eram impensáveis ​​há poucos anos.

O problema é que os fundos para infraestrutura (pontes, ferrovias) demoram a ser liberados devido à burocracia alemã.

Além disso, as reformas do novo governo beneficiaram o setor de defesa, com empresas como a Rheinmetall ou a Hensoldt, e a construção civil, mas não reduziram os custos operacionais imediatos para empresas privadas com alto consumo de energia.

Os impostos corporativos continuam entre os mais altos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e os preços da eletricidade ainda são o dobro dos praticados nos Estados Unidos ou na China.

Na entrevista Leibinger observou que, apesar dos recursos empenhados pelo Executivo, existe um “clima agressivo” contra o governo, pois as empresas não veem alívio em seus balanços atuais, apenas promessas de futuros projetos de construção.

Geopolítica complica o cenário

A dimensão geopolítica complica ainda mais o panorama econômico.

A Alemanha teme o expansionismo russo mais do que qualquer outro grande país ocidental.

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A convicção, na Alemanha, é que não se trata tanto de “se”, mas de “quando” Moscou atacará a Europa. O objetivo do governo Merz de rearmar, portanto, responde a um temor real da sociedade.

A entrevista toca em outro ponto sensível: a concorrência da China, que Leibinger acusa abertamente de “copiar o modelo alemão”.

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Segundo o presidente da BDI, a Alemanha cometeu o erro estratégico de acreditar que a divisão do trabalho duraria para sempre: a Alemanha fornecia as máquinas e a tecnologia, enquanto a China fornecia a mão de obra e o mercado de massa.

Em vez disso, a China estudou meticulosamente o “Modelo Alemão”, baseado em um grande superávit comercial, manufatura avançada e campeões ocultos — as principais empresas de médio porte do mundo.

Pequim não apenas comprou produtos alemães; usou os últimos 20 anos para absorver tecnologia e processos de produção alemães, muitas vezes por meio de joint ventures forçadas.

A China replicou esse modelo, mas em uma escala muito maior e a custos mais baixos.

Eles não precisam mais de maquinário alemão, porque o produzem e vendem no mercado global, tornando-se concorrentes diretos da Alemanha em setores de alto valor agregado (carros elétricos, máquinas industriais, produtos químicos).

A Alemanha é frequentemente descrita como o “homem doente da Europa”, já não há tempo para reformas graduais. Em vez disso, segundo o presidente da BDI, é necessária uma terapia de choque para salvar o sistema industrial alemão.

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4 comentários
  1. Christian
    Christian

    É preferível dormir num quarto fechado com 10 Jararacas do que com 1 chinês…

  2. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    A política adotada com a China foi baseada na ambição de produzir mais barato para ganhar mercados e foi uma política suicida não só para a Alemanha, mas para todo o Ocidente. Agora, a China está aí, impondo suas condições e enfiando os seus produtos de qualidade ainda bem duvidosa no Ocidente. O caso do Brasil é emblemático; Está aí a tal de BYD fazendo o que quer, gostem ou não.

  3. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    E a reforma que vcs adotaram é…que venham mais muçulmanos…né não!?
    Se tem uma coisa pior que gente burra…é gente idiota!
    Burrice é uma doença cognitiva…já idiotice é coisa de gente capaz, inteligente, mas optou por Arrotar virtuosidade…auto sacrifício…por uma ideia de DÍVIDA da segunda guerra que não pertence mais aos alemães atuais….
    Parem de quererem ser altruístas com gente que querem a sua desgraça.

  4. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Por décadas a grande Alemanha fragilizou suas fronteiras intelectuais da indústria, menosprezou o inimigo, descaracterizou sua cultura e valores.

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