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Reféns libertados pelo Hamas estão 'subnutridos' e 'traumatizados', relata psicóloga

A brasileira Márcia Polisuk, que vive há 16 anos em Israel, descreve os traumas das vítimas do grupo terrorista

Retorno reféns Israel
Reféns reencontraram seus familiares em Israel | Foto: Reprodução/Instagram IDF

Depois de 738 dias de cativeiro, 20 reféns israelenses foram libertados vivos pelo Hamas. A psicóloga brasileira Márcia Polisuk, que vive há 16 anos em Israel, relatou, em entrevista ao Jornal da Oeste, Segunda Edição desta segunda-feira, 13, os impactos físicos e emocionais sofridos pelas vítimas. Segundo ela, “é um dia de alegria extrema, de euforia”, mas os sobreviventes “chegaram em um estado terrível”. “Estão todos hospitalizados”, contou. “Fome, estupro, tortura, mas, apesar disso tudo, estão felizes de estarem de volta em casa.”

Márcia explicou que o país judaico acompanha o caso com comoção. “A população não aguentava mais esperar”, afirmou. “Todos os sábados, todo mundo na praça, se solidarizando com as famílias e puxando pelo governo para que houvesse uma negociação logo.” A libertação foi recebida com celebrações em todo o país: “As pessoas estão dançando nas ruas”.

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Reféns chegam desnutridos e com sequelas físicas

Perguntada sobre as condições dos reféns, a psicóloga afirmou que os libertados estão subnutridos e traumatizados. “Ficou claro para os médicos que eles nem poderiam comer muito, porque eles passaram fome, era meio pão, meia pita e meio copo de água salgada, então eles estão todos subnutridos”, disse.

Ela relatou que cada caso exige cuidados específicos. “Tem o Alon Ohel, que é um pianista que ficou com estilhaço de vidro nos olhos durante o sequestro, então ele está cego de uma vista”, recordou. “Tem uma refém anterior que voltou sem dois dedos, que foram cortados por um veterinário porque ela reclamava do dedo que levou tiro.”

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Segundo Márcia, os reféns “estavam acorrentados pelos pés, estão em carne viva nas pernas, tomavam um banho a cada quatro meses”. O maior desafio, no entanto, é psicológico. “O que mais nos assusta é a parte traumática psiquiátrica, eles não têm ideia do que aconteceu”, afirmou. Um dos libertados, segundo ela, tem uma filha de dois anos e meio que, quando ele foi raptado, tinha apenas seis meses de vida. “Então, ele nem reconhece a família”, contou. “É toda uma adaptação desde a coisa muito boa de ver os filhos, mas é tudo muito estranho, até a luz do sol.”

Eli Sharabi quando foi liberto pelo Hamas | Foto: Reprodução/X
Eli Sharabi quando foi liberto pelo Hamas | Foto: Reprodução/X

A psicóloga destacou que a recuperação será longa. “A diferença é absurda, porque eles ficaram o dobro do tempo da primeira leva [de libertados]“, explicou. “Tem uns que não conseguem ficar em pé, aí ficam em pé para conversar com os pais, aí vão sentar, estão de cadeira de rodas. A sugestão é que fiquem bastante tempo sob observação.”

Os pacientes, segundo ela, estão divididos em quatro hospitais. “As famílias estão morando junto com eles, então tem área para as crianças, é uma estrutura muito bem montada e um carinho muito grande”, afirmou. “Israel é uma grande família.”

Corpos de reféns mortos ainda não foram devolvidos pelo Hamas

Márcia também comentou o caso dos reféns mortos cujos corpos ainda não foram entregues pelo Hamas. “Todo mundo estava esperando os filhos, inclusive os filhos que foram assassinados”, relatou a entrevistada do Jornal da Oeste, Segunda Edição. “Fizemos uma promessa na praça que não pararíamos de lutar até que todos voltassem, e todos são 48, e 20 voltaram, e agora chegaram quatro corpos, então estão faltando 24.”

Ela descreveu o sentimento de frustração das famílias. “As pessoas estão desesperadas porque era promessa”, relatou. “Estava todo mundo com a expectativa de que ia poder enterrar o seu ente querido e ter o espaço do luto, é muito triste.”

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