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Venezuelanos rejeitam anistia parcial para presos políticos

Mobilização em Caracas amplia pressão sobre regime chavista em meio a impasse legislativo

Venezuela
Segundo os manifestantes, o texto da lei não garante liberdade para todos os detidos por motivação política | Foto: Reprodução/@CaraotaDigital/X

Centenas de manifestantes se reuniram no centro de Caracas, nesta terça-feira, 10, para exigir a libertação total de opositores ainda detidos na Venezuela. Liderada por familiares, juristas e ex-presos políticos, a mobilização enfrentou o bloqueio de forças de segurança nas imediações dos edifícios do regime chavista.

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Apesar das restrições, o grupo conseguiu ocupar o entorno da Assembleia Nacional e adiar a votação da controversa Lei de Anistia proposta pela ditadura venezuelana.

Segundo os manifestantes, o texto da lei não garante liberdade para todos os detidos por motivação política. Além disso, não prevê reparações às vítimas nem estabelece mecanismos contra a repetição das violações de direitos humanos.

Na véspera dos protestos, o regime já havia anunciado a suspensão da sessão legislativa, que foi remarcada para esta terça-feira.

Detenção de opositor alimenta desconfiança entre familiares de presos políticos

Andreína Baduel, filha do general Raúl Isaías Baduel, morto na prisão e ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez, representou uma das vozes mais duras contra o projeto.

Ela lembrou que sua família soma 18 anos de perseguição política. Um de seus irmãos, Raúl Emilio, foi libertado e exilado. Outro, Josnar, permanece detido em El Rodeo.

+ Leia também: “Venezuela condiciona eleições à reinstitucionalização do país”

“A Lei de Anistia, na forma atual, excluiria mais da metade dos presos políticos”, disse Andreína. “Não chegamos a esse ponto por escolha própria. Há anos apelamos às instituições estatais para que criem mesas de diálogo com observadores internacionais, mas elas optaram por seguir violando os direitos humanos.”

O clima de desconfiança aumentou com a nova prisão do opositor Juan Pablo Guanipa. O regime o libertou no domingo 8, mas os agentes o prenderam novamente à noite, depois que ele participou de caravanas em defesa dos presos políticos.

O paradeiro de Guanipa permaneceu desconhecido por horas. Apenas na terça-feira, seu filho Ramón informou que ele estava sob prisão domiciliar em Maracaibo, no Estado de Zulia. “Meu pai está em casa, mas ainda é um preso injustamente condenado”, disse.

Além de Guanipa, os líderes da oposição Freddy Superlano e Perkins Rocha também receberam prisão domiciliar. Todos são aliados de María Corina Machado, que segue proibida de disputar eleições e sofre bloqueios judiciais mesmo depois de decisões internacionais favoráveis.

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