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No Ponto

Bancada pró-armas tem discordância interna sobre novo decreto de Lula

Membros discordam do posicionamento do deputado federal Alberto Fraga (PL-DF)

O ministro da Justiça, Flávio Dino, ao lado do presidente Lula durante a assinatura do novo decreto de armas | Foto: Foto: Jamile Ferraris/MJSP

A bancada da Segurança Pública na Câmara dos Deputados, conhecida como bancada pró-armas, ainda não chegou a um consenso sobre qual é a melhor solução para se contrapor ao novo decreto de armas, que foi assinado pelo presidente Lula na sexta-feira 21.

Conforme noticiou Oeste, o presidente da frente parlamentar, Alberto Fraga (PL-DF), vai propor um projeto de decreto legislativo (PDL) para suprimir um trecho do decreto governista.

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A proposta pretende suspender a parte do decreto que torna a pistola calibre 9 milímetros (mm) restrita. Conforme Fraga, tal trecho vai “acabar com o comércio brasileiro de armas”.

“As pessoas têm que entender que nós perdemos a eleição”, disse o deputado. “A nossa política armamentista é bem diferente da política desarmamentista do presidente. Já esperava um resultado como esse.”

Internamente, contudo, alguns dos 267 membros da bancada pró-armas discordam da postura adotada pelo presidente da frente. Alguns parlamentares, inclusive, defendem a derrubada do decreto assinado por Lula.

O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), por exemplo, saiu na frente de Fraga e apresentou outro PDL que, caso seja aprovado, derrubaria o decreto do petista.

“O PDL tem como foco a ilegalidade das ações do governo Lula”, explicou Bilynskyj. “Uma vez que a legislação vigente, como o Estatuto do Desarmamento, está sendo descumprida.”

Com mais de 50 assinaturas, a proposta ainda pode receber o apoio de outros 70 parlamentares — é preciso o voto de 257 para aprová-lo.

A Oeste, Bilynskyj disse respeitar o posicionamento de Fraga, mas que, ainda assim, precisa representar a vontade de seus eleitores.

“Cabe a mim e aos demais deputados fiscalizar o governo federal e atuar na criação ou ajuste de legislações, como a questão das armas”, declarou. “O Executivo não é um poder absoluto, o Legislativo deve ser respeitado e deve atuar, jamais ser submisso.”

Na próxima semana, o projeto de Bilynskyj deve receber um requerimento de urgência do presidente da Comissão de Segurança, deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS). Caso o requerimento obtenha 170 assinaturas, o PDL será apreciado diretamente no plenário da Câmara.

Diferentemente de Fraga, Sanderson argumenta que há mais de um ponto a ser revisto no decreto presidencial. Ele menciona a restrição nas vendas de armas calibre .40, a nova política de funcionamento para clubes de tiro e as novas atribuições da Polícia Federal (PF).

“Eles não podem estabelecer o perímetro de 1 quilômetro (km) para o funcionamento dos clubes de tiro. Isso não está na lei”, argumentou Sanderson. “Também não podem transferir a política do registro de armas para a PF.”

No novo decreto, todos os clubes de tiro devem estar localizados a uma distância superior a 1 km em relação aos estabelecimentos de ensino — sejam eles públicos ou privados. Além disso, o cadastro de armas deixa de ser responsabilidade do Exército e passa a ficar no comando da PF.

“Isso vai interferir na atividade finalística da PF”, continuou Sanderson. “A população quer uma PF para combater o crime, e não para fazer registro de armas. O governo está enchendo a PF de serviços administrativos para que o órgão não tenha braços no combate à corrupção.”

Caso o PDL de Bilynskyj enfrente grandes resistências por parte da bancada, Sanderson está disposto a convocar uma audiência pública para discutir outras propostas com os membros do colegiado — ele, inclusive, pode apresentar um novo projeto.

O decreto de Lula

armas - decreto do lula - CACs
Com Lula, Brasil tem nova regra sobre armas | Foto: Freepik

Além da restrição do calibre 9 milímetros, está no decreto a redução do limite de armas a caçadores, tiradores e colecionadores (CACs) e a limitação de horário de funcionamento para clubes de tiro. Neste link, o leitor pode conferir todos os pontos da mudança determinada por Lula.

Leia também: “O direito às armas”, reportagem publicada na Edição 125 da Revista Oeste.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    Esta bancada tem que mostrar a que veio.
    Nenhuma concessão a este decreto e PONTO FINAL.

  2. Ed Camargo
    Ed Camargo

    Então não pode mais ter armas calibre 9mm. Mas pode chutar o traseiro do Luladrão e elitistas do STF, ou tbem ja esta valendo os 40 anos de encarceramento?

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