O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), construiu palanques regionais antes mesmo do começo oficial das eleições. Nos últimos meses, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro passou a costurar alianças em Estados que pesam na corrida presidencial, como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em 2022, Bolsonaro venceu no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Estado de São Paulo; perdeu, contudo, na capital paulista, em Minas Gerais, no Ceará e na Bahia. Neste ano, Flávio quer preservar redutos bolsonaristas, ampliar a vantagem onde ela já existe e entrar em Estados onde Lula venceu há quatro anos.
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No Paraná, como antecipou Oeste, o senador Sergio Moro deixou o União Brasil e se filiou ao Partido Liberal (PL) para concorrer ao governo do Estado, depois de um impasse com a Federação União-Progressistas. A filiação, além de recolocar Moro no entorno da família Bolsonaro, entregou ao presidenciável do PL um palanque robusto em um Estado decisivo do Sul. O acordo ainda envolve uma dobradinha liberal-conservadora no Senado: o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado federal Filipe Barros (PL) terão apoio dos bolsonaristas.
A força desse palanque aparece nas pesquisas eleitorais. Segundo um levantamento da AtlasIntel, divulgado nesta quinta-feira, 2, Moro aparece com 51,5% das intenções de voto, à frente de Requião Filho (PDT), que tem 28,4%, além de nomes como Rafael Greca (MDB) e Guto Silva (PSD), que aparecem abaixo de 10%. Em outros cenários, mesmo com diferentes adversários, Moro mantém vantagem e supera a marca de 50%, liderando isoladamente a disputa.
Em 2022, Bolsonaro já havia vencido Lula no Paraná por 62,4% a 37,6% no segundo turno. Agora, o PL quer ampliar essa vantagem.

Tarcísio entra em campo
Em São Paulo, o ganho é duplo. Flávio terá o maior colégio eleitoral do país ancorado por Tarcísio de Freitas, hoje o nome mais forte do campo conservador fora do PL, e ainda viu o PSD — partido que poderia funcionar como ponte para Lula — fechar as portas para o PT no Estado. Esse movimento se somou à filiação do vice-governador Felicio Ramuth ao MDB, antes filiado ao PSD. É mais um rearranjo que fortaleceu a campanha de Flávio e reduziu o espaço de composição lulista em São Paulo.
A pesquisa mais recente da AtlasIntel/Estadão mostra Tarcísio com 49,1% das intenções de voto, à frente de Fernando Haddad (PT), que tem 42,6%. Em cenários de segundo turno, Tarcísio mantém a liderança, ao mesmo tempo em que sua gestão é aprovada por 53% dos eleitores.
São Paulo exige uma distinção que interessa à campanha de Flávio. Bolsonaro venceu Lula no Estado em 2022, mas perdeu na capital. No segundo turno, o então presidente teve 55,24% dos votos válidos em São Paulo; na cidade de São Paulo, Lula venceu com 53,54% contra 46,46%. O filho 01 do ex-presidente tenta manter o interior e a máquina estadual sob influência do seu campo e, assim, dificultar a entrada do PT no palanque paulista.

O Estado onde Flávio precisa vencer
Minas Gerais é o Estado que mais preocupa o entorno de Lula e, ao mesmo tempo, o que mais anima os aliados de Flávio. Trata-se do segundo maior colégio eleitoral do país e do Estado que costuma funcionar como termômetro da disputa nacional. Em 2022, por exemplo, Lula venceu ali por margem mínima (50,2% a 49,8%).
Agora, o cenário mineiro favorece a direita. Um levantamento da AtlasIntel, divulgado em 1º de abril, mostra o senador Cleitinho (Republicanos) na liderança pelo governo mineiro, com 32,7% das intenções de voto. Rodrigo Pacheco (PSB) aparece com 28,6%; Alexandre Kalil (PDT), com 11,7%; Carlos Viana (Podemos), com 7,5%; Mateus Simões (PSD), com 6,2%; e Gabriel Azevedo (MDB), com 4%.
Em 2022, o então candidato à reeleição ao governo de Minas, Romeu Zema, manifestou apoio a Bolsonaro no segundo turno. A campanha deu resultado: o ex-presidente saiu de 43,6% dos votos, no primeiro turno, para 49,8%, no segundo — redução de quase cinco pontos porcentuais. De acordo com a campanha de Flávio, o apoio do ex-governador mineiro será fundamental para a vitória neste ano.
A improvável aliança com Ciro Gomes
No Ceará, a operação de Flávio virou alvo de críticas. O PL decidiu apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado, apesar da resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nesse acordo, os partidos vão apoiar o ex-deputado estadual cearense Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL), ao Senado. Dessa forma, Ciro recebe apoio bolsonarista no Estado, enquanto o PL ganha um palanque majoritário.
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O Ceará é governado pelo PT desde 2015 — primeiro com Camilo Santana e, desde 2023, com Elmano de Freitas. O levantamento mais recente do Paraná Pesquisas, divulgado em 1º de abril, mostra Ciro com 46,6% das intenções de voto, contra 33,9% de Elmano; Eduardo Girão (Novo) aparece com 6,1%; Zé Batista (PSTU) com 0,9%; e Jarir Pereira (Psol) com 0,5%.
Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no Estado com quase 70% dos votos válidos. Com o palanque cearense à disposição de Flávio, o petista perde um espaço que parecia cativo.

ACM quer apoiar Flávio
Na Bahia, a articulação do PL ainda é mais danosa a Lula. ACM Neto (União) lançou a candidatura ao governo com a estratégia de consolidar a aliança com o PL e de explorar as fragilidades da gestão de Jerônimo Rodrigues (PT). Nos bastidores, interlocutores tratam como provável a convergência entre o ex-prefeito de Salvador e o PL para a disputa deste ano.
No acordo, o ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, João Roma (PL), ficou com uma das vagas ao Senado. Ângelo Coronel (Republicanos), que deixou o PSD depois de ser preterido pela aliança petista, disputará a segunda vaga à Casa Alta. Resultado: a Bahia, governada pelo PT há quase duas décadas, pode ter em 2026 um palanque alinhado ao presidenciável do PL.
Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em março, ACM Neto aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% de Jerônimo Rodrigues; José Carlos Aleluia, do Novo, e Ronaldo Mansur, do Psol, têm 2% cada.
Em 2022, Lula venceu Bolsonaro na Bahia por 72,12% a 27,88%. Neste ano, a campanha de Flávio quer apenas ter palanque competitivo no Estado.

O Estado mais conservador do país
Santa Catarina já era um Estado bolsonarista. A novidade para Flávio é que o palanque local não só está de pé, como chega à campanha em posição confortável. A pesquisa AtlasIntel divulgada em 1º de abril mostra Jorginho Mello (PL) com 49,4% das intenções de voto, num cenário contra João Rodrigues (PSD), que tem 21,4%, e Gelson Merísio (Solidariedade), com 13,8%.
Mas o palanque bolsonarista em Santa Catarina não se limita à disputa pelo governo. A corrida ao Senado também tende a reforçar a base de Flávio no Estado. Segundo a pesquisa da AtlasIntel, a deputada federal Carol De Toni (PL) lidera a corrida pela Casa Alta no Estado, com 30,7% das intenções de voto, à frente de Esperidião Amin (PP), com 20,1%, e Carlos Bolsonaro (PL), com 18,3%. Estes dois últimos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Décio Lima (PT), que tem 13,4%, também está empatado com Afrânio Boppré (Psol), que aparece com 9,7%.
Em 2022, Bolsonaro venceu Lula em Santa Catarina por 69,27% a 30,73%. Flávio, nesse caso, não precisa conquistar terreno novo; tem só de preservar um dos seus maiores colchões eleitorais.

Liderança no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o PL também tem candidato competitivo. A pesquisa Real Time Big Data divulgada em 17 de março mostra Luciano Zucco (PL) liderando os cenários de primeiro turno. No principal deles, aparece com 31%, seguido por Juliana Brizola (PDT), com 24%, Edegar Pretto (PT), com 19%, Gabriel Souza (MDB), com 13%, Covatti Filho (PP), com 3%, e Marcelo Maranata (PSDB), com 1%.
Na chapa de Zucco, os deputados federais Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) aparecem entre os principais nomes na corrida pelo Senado. Um levantamento do Real Time Big Data, divulgado em março, mostra Van Hattem com 18% das intenções de voto, empatado na liderança com Manuela D’Ávila (Psol), também com 18%, enquanto Sanderson aparece logo atrás, com 17%.
O Estado foi vencido por Bolsonaro em 2022, com 56,35% a 43,65%. A diferença para 2026 é que agora o bolsonarismo tem um nome local com presença própria, e não apenas transferência presidencial.

O mapa da vitória
A estratégia de Flávio para as eleições passa por três frentes: consolidar palanques em Estados onde o bolsonarismo já é dominante, avançar sobre colégios eleitorais decisivos e abrir espaço em redutos historicamente alinhados ao PT.
Há os Estados já bolsonaristas, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde o objetivo é transformar afinidade ideológica em votos. Há os Estados-pêndulo, como São Paulo e Minas, onde o ganho eleitoral pode decidir a disputa nacional. E há os redutos lulistas, como Ceará e Bahia, onde o plano é entrar no jogo com um aliado competitivo e impedir que Lula corra sozinho.
Ainda é cedo para dizer se essa rede de alianças será suficiente para dominar os chamados swing states de 2026. Contudo, Flávio já construiu palanques onde precisava e, em vários deles, chegou antes de Lula.
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Um fato pra lá de imbecil no Brasil é termos um ladrão ainda se candidatando. O Lulu e sua gangue (Fachin, Toffoli, Zanin, Dino, Carmen Lúcia, Barroso, Lewandowski, Mendes, Moraes, Motta, Alcolumbre, Gleidy e o resto dos porcos) têm de ir para a prisão.
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