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No Ponto

Ministro do TCU critica ‘contabilidade criativa’ das contas do governo Lula

Augusto Nardes aponta deterioração da dívida pública, desalinhamento entre política fiscal e monetária, além de falhas de governança

O ministro Augusto Nardes
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasi

O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), apresentou uma dura declaração de voto durante a análise das contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes a 2025. 

Embora tenha acompanhado o parecer prévio favorável elaborado pelo relator, ministro Benjamin Zymler, Nardes fez uma série de alertas sobre a situação fiscal do país. Ele criticou práticas que classificou como “contabilidade criativa” e afirmou que os achados identificados pela área técnica da Corte exigem “alertas severos”.

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“As projeções revelam que as metas fiscais vigentes e propostas são insuficientes para estabilizar a dívida até 2029”, escreveu o integrante do TCU. “A apuração do resultado primário tem se valido de ‘contabilidade criativa’.”

Lula desaprovação
A avaliação negativa do governo de Lula já supera a positiva por parte da população | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao longo do voto, o ministro sustentou que o principal problema observado nas contas está na falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Segundo Nardes, o crescimento dos gastos públicos ocorreu em paralelo à desaceleração do consumo das famílias e à retração dos investimentos, cenário que teria contribuído para a manutenção dos juros em patamar elevado.

“O que mais me preocupa é a composição desse crescimento”, afirmou Nardes. Para o ministro, houve uma “clara dificuldade de coordenação entre a política fiscal e a política monetária”, enquanto a despesa com juros do setor público consolidado atingiu R$ 1 trilhão em 2025.

O ministro do TCU também manifestou sua preocupação com a trajetória da dívida pública. De acordo com a declaração, a dívida bruta do governo geral alcançou R$ 10 trilhões em dezembro de 2025, equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto. Para Nardes, as metas fiscais atualmente adotadas não são suficientes para estabilizar a dívida nos próximos anos.

Outro ponto destacado pelo ministro foi a forma de apuração do resultado fiscal. Segundo ele, o déficit primário efetivo de R$ 58,7 bilhões teve o cumprimento formal da meta viabilizado pela exclusão de despesas do cálculo oficial.

Na avaliação de Nardes, a exclusão de R$ 48,7 bilhões em despesas do resultado oficial revela que “o esforço fiscal é artificial”.

A declaração também dedica um capítulo ao que o ministro chamou de avanço da “desorçamentação”. Trata-se, a saber, de mecanismo que desloca receitas, despesas e riscos fiscais para fora dos instrumentos tradicionais de controle orçamentário.

Auditoria do TCU

tcu
Fachada da sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília | Foto: Divulgação/TCU

Ainda de acordo com Nardes, a auditoria do TCU identificou a utilização crescente de fundos e estruturas que operam à margem do Orçamento Geral da União. Para o magistrado, esses mecanismos representam “arranjos flagrantes de fuga ao cumprimento das regras fiscais vigentes” e contribuem para reduzir a transparência sobre a aplicação dos recursos públicos.

O ministro ainda apontou fragilidades na Previdência Social, nos programas assistenciais e na gestão do Cadastro Único. Entre os problemas citados estão metas não cumpridas, deficiência de indicadores de desempenho, falhas de integração de sistemas e riscos de pagamentos indevidos. Nardes também mencionou dados relacionados ao uso de recursos de beneficiários do Bolsa Família em plataformas de apostas esportivas.

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Na parte final do voto, o ministro do TCU atribuiu parte dos problemas à fragilidade da coordenação governamental. Para Nardes, a ausência de uma atuação mais robusta do chamado centro de governo compromete a execução de políticas públicas e reduz a capacidade de transformar recursos orçamentários em resultados concretos para a população.

“A ausência de uma coordenação estratégica centralizada (…) é o fator determinante para a baixa capacidade de entrega das políticas e para a fragilidade na gestão dos recursos públicos”, afirmou.

Apesar das críticas, Nardes acompanhou integralmente o parecer do relator, Benjamin Zymler, e concluiu que as contas do presidente Lula relativas ao exercício de 2025 estão em condições de ser aprovadas pelo Congresso Nacional, ainda que com ressalvas sobre a execução orçamentária e sobre o Balanço Geral da União.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

3 comentários
  1. ELIAS
    ELIAS

    Contabilidade Criativa é um eufemismo para evitar de chamar as coisas pelo nome verdadeiro: Fraude Contábil. Malabarismo para tentar esconder o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. O que é motivo de impeachment e declaração de inegibilidade.

  2. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    IMPEACHMENT JÁ !!!!!!! NÃO CONSEGUE ADMINISTRAR APENAS PROVOCAR CONTABILIDADE CRIATIVA.

  3. Cesar Luiz
    Cesar Luiz

    O cara diz que está tudo errado e vota pela aprovação? Só aqui mesmo.

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