Um dos fundadores do antigo Partido Liberal (PL), Guilherme Afif Domingos é hoje secretário Especial de Projetos Estratégicos de um governador que apoia Flávio Bolsonaro, do atual PL, à Presidência do Brasil.
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Sigla e partido tiveram caminhos distintos desde 1985, quando o PL foi fundado. Isso, no entanto, não muda a essência de Afif, um de seus idealizadores. Aos 82 anos, depois de ter acumulado muita experiência em associações e na política, ele nunca deixou de lado a bandeira do liberalismo.
“Eu sou liberal, sempre fui liberal, meu projeto de candidato à Presidência da República foi o primeiro projeto liberal, não mudei em nada, graças a Deus”, disse ele a Oeste, depois da cerimônia em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresentou o balanço dos três primeiros anos da gestão.
Na época da fundação do PL, Afif Domingos havia saído do PDS, em 1985. Ganhou fama nacional ao se candidatar à Presidência da República, em 1989, pelo PL.
Pela primeira vez, críticas à “estatocracia” e promessas de “menos governo e mais empresas”, além de apoio ao pequeno empreendedor, ganharam dimensão nacional pela mídia.
Na ocasião, teve no então jovem economista Paulo Guedes um consultor econômico que ajudou a estruturar propostas de economia liberal, como privatizações, regime de capitalização da Previdência e Orçamento base zero.
Desde então, ele, que havia sido presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), manteve atuação como articulador entre o setor privado e o Estado, participando de conselhos, associações, debates econômicos e da formulação de propostas.
Em dezembro de 2006, a sigla PL deixou de existir de forma autônoma ao se unir ao Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona). Da incorporação resultou um novo partido, o Partido da República (PR). Em 2019, o PR decidiu retomar o nome Partido Liberal, restabelecendo a sigla PL, agora com outras alianças.
Fora do PL, Afif buscou introduzir seus conceitos entre diferentes grupos ideológicos. Foi vice-governador do Estado de São Paulo entre 2011 e 2014, na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), e, entre 2013 e 2015, chefiou a Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, no governo Dilma Rousseff (PT). Na gestão petista, a pasta durou menos de três anos, ao ser extinta em reforma administrativa e ministerial.
Afif e liberalismo
Afif foi reencontrar suas origens, dentro do poder público, quando voltou a atuar com Guedes, como assessor especial do ministro da Economia no governo Jair Bolsonaro (PL).
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Afif não foi eleito naquele pleito de 1989, mas hoje considera que sua mensagem, independentemente da época, continua atual. Para ele, ideias como as de Adam Smith (1723–1790), defensor da livre-iniciativa e da concorrência, e de Friedrich Hayek (1899–1992), defensor do mercado como regulador, são eternamente modernas.
“O mundo está vindo ao encontro do que eu já preguei nos anos 1980”, completou ele, cujo partido hoje é o PSD. Ainda assim, Afif ressalta que há algo dele no atual PL. Ao menos no aspecto simbólico.
“O PL mudou de nome, voltou a ser PL, mas o número continua o mesmo: 22.”






































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