Bolsonaro é intimado a depor em inquérito sobre ataque hacker

Polícia Federal apura se presidente divulgou dados sigilosos de investigação sobre invasão contra sistemas do TSE
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O presidente Jair Bolsonaro foi novamente convocado a depor na Polícia Federal
O presidente Jair Bolsonaro foi novamente convocado a depor na Polícia Federal | Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro recebeu uma intimação da Polícia Federal (PF) para prestar depoimento no inquérito que apura o vazamento de informações sobre uma investigação a respeito de um ataque hacker contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2018. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A apuração foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que o caso estaria relacionado ao inquérito das fake news, em tramitação na Corte.

Em julho e agosto deste ano, Bolsonaro criticou a falta de segurança das urnas eletrônicas e apontou evidências da fragilidade do sistema eleitoral. Depois de ouvir o delegado responsável pelo inquérito, afastado por decisão de Moraes, e o deputado Filipe Barros (PSL-PR), que teve acesso ao material, a delegada Denise Ribeiro decidiu intimar o presidente da República.

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Esta será a segunda vez que Bolsonaro é chamado a depor na PF. A primeira oitiva aconteceu no âmbito de outro inquérito, o que apura a suspeita de interferência do presidente na corporação — acusação feita pelo ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao deixar o governo.

Em seu depoimento à PF, Filipe Barros afirmou que soube da investigação a partir de uma denúncia que chegou à comissão do voto impresso na Câmara. O projeto debatido pelo colegiado era relatado pelo deputado.

Ainda de acordo com Barros, a investigação divulgada por ele e Bolsonaro não estava sob sigilo.

TSE rebateu

Na época em que Bolsonaro colocou em dúvida a segurança do sistema eleitoral do país, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu as declarações do presidente e do deputado Filipe Barros.

Em nota, a Corte rechaçou interferência externa no pleito. De acordo com o TSE, “o episódio de 2018 foi divulgado à época em veículos de comunicação diversos” e, “embora objeto de inquérito sigiloso, não se trata de informação nova”.

“O acesso indevido, objeto de investigação, não representou nenhum risco à integridade das eleições de 2018”, disse o tribunal. “Isso porque o código-fonte dos programas utilizados passa por sucessivas verificações e testes, aptos a identificar qualquer alteração ou manipulação. Nada de anormal ocorreu.”

Na nota do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, o TSE afirmou ainda que “encaminhou à Polícia Federal as informações necessárias à apuração dos fatos e prestou as informações disponíveis” e que “a investigação corre de forma sigilosa e nunca se comunicou ao TSE qualquer elemento indicativo de fraude”.

Nova urna eletrônica

Na segunda-feira 13, como noticiado por Oeste, o TSE apresentou uma nova urna eletrônica. Ela será utilizada a partir do ano que vem. Segundo o tribunal, a máquina é “mais segura e trará novos recursos de acessibilidade”.

Atualmente, os eleitores votam em um modelo de urna eletrônica de 2015, que se tornou alvo de críticas durante o debate do voto auditável.

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