Bolsonaro indica plano B em caso de derrota do voto ‘impresso’

Ministros do STF iniciaram cruzada para sepultar a medida ainda na Câmara dos Deputados
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PEC que estabelece a impressão do comprovante do voto corre o risco de ser arquivada
PEC que estabelece a impressão do comprovante do voto corre o risco de ser arquivada | Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro disse que vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que os votos sejam contados de forma pública em 2022, caso a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a impressão do voto não prospere. “Se o Congresso não aprovar, vamos fazer o pedido ao TSE”, afirmou, em entrevista coletiva, na noite da segunda-feira 12.

Segundo o chefe do Executivo, a PEC é a única forma de assegurar um processo eleitoral seguro e transparente. Sobre os atritos com o Judiciário, Bolsonaro ressaltou que seu problema é com o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso. O juiz está em cruzada pelo arquivamento da medida ainda na comissão especial da Câmara dos Deputados.

Caso os parlamentares rejeitem a PEC, ela é arquivada, sem ir a plenário. Conforme noticiou a Revista Oeste, magistrados do Supremo Tribunal Federal engrossaram a fileira da ofensiva contra a PEC. Depois de encontro entre líderes partidários, as legendas iniciaram a troca de congressistas a favor da medida no colegiado que discute a PEC, para sepultá-la.

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Especialista levanta dúvidas sobre o software das urnas

Amílcar Brunazo, engenheiro especialista em segurança de dados e voto eletrônico, afirmou que a confiabilidade das urnas eleitorais é duvidosa. De acordo com ele, o equipamento pode ser objeto de fraude. “O software é desenvolvido no TSE seis meses antes das eleições, compilado com 15 dias de antecedência, transmitido por internet pelos tribunais regionais e por cartórios, e gravado num flashcard”, explicou Brunazo, no mês passado, durante audiência pública em comissão especial da Câmara dos Deputados.

“A equipe do professor Diego Aranha, dentro do TSE, mostrou ser possível pegar esse cartão, inserir nele um código espúrio, que não foi feito pelo TSE, e colocar na urna eletrônica”, salientou o especialista, ao mencionar que os brasileiros acabam tendo de confiar no servidor que vai pôr o dispositivo na máquina. “Muitas vezes é um profissional terceirizado. Realmente, o processo eleitoral brasileiro depende da confiança de todos os funcionários envolvidos. Isso é um equívoco”, lamentou Brunazo.

Leia também: “O que você precisa saber sobre o voto impresso”, reportagem publicada na Edição 54 da Revista Oeste

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9 comentários

  1. A tentativa de defraudação já está em curso. No ano que vem a disputa será em torno de quem fraudará melhor, quem serão os melhores esbulhadores. Os proventos são muito bons e os servidores dessa área, mais os candidatos a esbulha querem garantir a diversão. Patriotas.

  2. Sugiro que se a PEC não for aprovada, que as Forças Armadas imponham juntamente com técnicos independentes de tecnologia da informação, acompanhar o desenvolvimento do software, e demais medidas de apuração da votação, inicialmente descentralizada e posteriormente centralizada no TSE. Entendo que é a única forma da população se sentir segura que as urnas eletrônicas serão SEVERAMENTE fiscalizadas. Penso que só assim e PACIFICAMENTE evitaremos graves conflitos sociais. Se ainda assim, der LULA, como já disse o presidente Bolsonaro, paciência, foi a maioria dos eleitores que escolheu quem vai indicar mais 2 ministros do STF.
    É inacreditável que partidos políticos que no passado consideraram as urnas eletrônicas não auditáveis, juntem-se ao mandatário Barroso e colegas para condenar o VOTO IMPRESSO, a única forma de AUDITAR e se necessário RECONTAR as urnas eletrônicas apuradas. É preocupante esse temor daqueles que tanto falam que a TRANSPARÊNCIA é o que pede a democracia.

  3. Sinto muito desanimar os leitores, mas o que faz alguém pensar que uma PEC que já foi aprovada pelas duas casas do Congresso (!!!!) foi simplesmente usada pra limpar a bund@ pelos urubus do supremo? O que pode fazê-los mudar de ideia? Acham que eles temem alguém ou alguma coisa? Eu já desisti, me desculpem.

  4. Já existe proposta ALTERNATIVA ao Voto Impresso que garante 95% de confiança ao resultado das eleições, com 1% de margem de erro e com custos mínimos, se forem adotados os procedimentos sugeridos nesse vídeo do Canal OBTJ -> https://youtu.be/ebVV0EldkOY. Nada mais é que um teste de integridade em tempo real a ser realizado no dia das eleições em apenas 2% das urnas. Essa ideia resolve toda a polêmica, lembrando que o próprio voto impresso pode ser fraudado. OUTRA VANTAGEM, não depende de Emenda Constitucional para ser aprovada, só de Lei.

  5. Se o ministro Barroso declara confiável o atual sistema eletrônico de voto, qual a dificuldade em atender a um declarado aperfeiçoamento, tornando-o ainda mais seguro, mais transparente? A manutenção do atual sistema apenas deixa entender o controle por parte do TSE – e de eventuais interessados – dos resultados do pleito. A posição do ministro é absurda, uma imoralidade. Como um ministro da Suprema Corte se submete a um absurdo como esse? O que ele vai deixar como herança moral para os seus decendentes? É de não se acreditar no que estamos vivendo no Brasil. E de aguardar a qualquer hora um “chega prá lá” do povo deste país. Responsabilidade e visão de consequências, senhores ministros!

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