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Política

Brasil volta a criticar possível tarifa dos EUA: 'Injusta'

Governo Lula reclama de medida em reunião com representante comercial norte-americano e tenta evitar novas barreiras

Lula G7
Orientação de Lula é manter as negociações | Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O governo brasileiro criticou a possível imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais em reunião com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. O Brasil considera as medidas, que incluem uma sobretaxa de 25% e uma tarifa adicional de 12,5% relacionadas a trabalho forçado, como “injustas” e não propícias para um acordo bilateral.

O governo brasileiro voltou a criticar a possível imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Nesta terça-feira, 14, equipes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores, além da assessoria especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reuniram-se com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Na ocasião, os brasileiros classificaram a medida como “injusta”.

O encontro ocorreu na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a adoção das sobretaxas. Segundo MDIC, esta foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde 7 de maio.

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As críticas envolvem a proposta de sobretaxa de 25% para produtos brasileiros e tarifa adicional de 12,5% ligada à investigação sobre trabalho forçado, aplicada também a outras 59 economias. “O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmou a pasta.

Governo Lula contesta investigação dos Estados Unidos

A orientação de Lula é manter o diálogo com Washington e buscar uma solução negociada. Interlocutores do governo avaliam que as negociações avançaram nos primeiros meses, mas que a posição norte-americana se tornou mais rígida nas últimas semanas.

As possíveis tarifas decorrem de investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo norte-americano acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. No entanto, o governo brasileiro diz que nenhuma dessas alegações justifica as taxas.

Leia também: “EUA aplicam sanções e atingem setor de turismo de Cuba”

O prazo para a conclusão da investigação termina nesta quarta-feira, 15. Nesta data, o governo dos EUA também deverá divulgar a lista definitiva dos produtos. Entre os bens citados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os EUA poderão ser alvos das tarifas. Esses itens representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras. Entre os produtos citados estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

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