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Política

BRB admite perdas de R$ 8,8 bilhões em operação com o Master

Nelson Antônio de Souza afirmou que revisão de ativos comprados do banco de Daniel Vorcaro revelou uma carteira de R$ 2,6 bi sem lastro

A escolha do novo presidente do conselho de administração do BRB faz parte de uma série de mudanças na instituição | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Mantido pelo governo do Distrito Federal, BRB comprou ativos do Master | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), revelou nesta terça-feira, 9, que a análise de ativos comprados do Master apontou para possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões.

Segundo ele, uma das carteiras avaliadas continha R$ 2,6 bilhões em créditos que “não existiam” nem não possuíam lastro. A declaração foi dada durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

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Ao detalhar as operações realizadas entre as duas instituições, Souza afirmou que o BRB passou a revisar os ativos incorporados ao banco e encontrou inconsistências relevantes em uma das carteiras negociadas.

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“Foi identificado de imediato que R$ 2,6 bilhões referentes à carteira Tirreno não existiam, não tinham lastro nem qualquer respaldo”, afirmou Souza. “A partir daí, passamos a analisar todas essas carteiras para identificar o que efetivamente precisava ser provisionado.”

Conforme o executivo, as transações que envolvem o Master movimentaram cerca de R$ 30 bilhões. “Desses R$ 30 bilhões transacionados, R$ 21,9 bilhões permaneceram no BRB como ativos”, afirmou. “Dentro desse montante, R$ 12,2 bilhões deram origem à Operação Compliance Zero.”

Plano do BRB para cobrir o rombo

Durante a audiência, Nelson Antônio de Souza explicou como o banco público, que é mantido pelo governo do Distrito Federal, pretende recompor os valores provisionados.

De acordo com ele, a maior parte dos recursos virá de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões estruturado com o Fundo Garantidor de Créditos, dentro de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O restante será obtido por meio da securitização de créditos da dívida ativa do governo do Distrito Federal (GDF).

“A complementação dos R$ 8,8 bilhões virá por meio da securitização da dívida do GDF, estimada em R$ 52 bilhões”, disse Souza. “R$ 2,2 bilhões serão oriundos da securitização. Desse total, R$ 1,17 bilhão já estão incorporados ao BRB.”

As declarações foram feitas em resposta a indagações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE. Os dois parlamentares pediram esclarecimentos sobre os impactos financeiros das operações que envolvem o Banco Master e as medidas adotadas pelo BRB para recuperar sua situação patrimonial.

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