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Política

Congresso pode derrubar decisão do STF sobre porte de maconha

Eventual provação de texto pelo Legislativo a respeito do tema pode gerar novas discussões na Corte

O Estado do Oregon, nos Estados Unidos, descriminalizou o uso da maconha em 2020
Legalização (ou não) da maconha no Brasil: tema está em análise em comissão da Câmara dos Deputados | Foto: Jcomp/Freepik

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Drogas, que tramita no Congresso Nacional, pode reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. A Corte estabeleceu um critério de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes de maconha.

O texto foi aprovado no Senado e, atualmente, uma comissão avalia a proposta na Câmara.

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Por ser uma PEC, caso o Congresso aprove o texto, a matéria seguirá diretamente para publicação, sem passar pela sanção da Presidência da República.

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Isso significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderá vetar partes ou a totalidade da matéria, como ocorre com projetos de lei.

O que acontece se PEC das Drogas for aprovada no Congresso

Brasília - Congresso Nacional hoje | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Deputados e senadores podem invalidar decisão do STF sobre porte de maconha | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Uma vez publicada, a PEC derrubaria automaticamente o critério das 40 gramas definido pelo STF”, informa a advogada constitucionalista Vera Chemin, ao jornal Gazeta do Povo. “A partir de então, qualquer pessoa flagrada com qualquer quantidade de maconha ou outras substâncias poderá responder criminalmente, mesmo que a pena seja de medidas socioeducativas de até dez meses, conforme previsto no Código Penal.”

A advogada acrescenta que a decisão do STF de fixar o critério de 40 gramas foi uma medida temporária até que o Congresso Nacional legislasse sobre o tema.

Se a PEC for aprovada, a distinção entre usuários e traficantes baseada na quantidade de droga será eliminada. Além disso, a aprovação da proposta pode gerar novas discussões no STF, com a possibilidade de debater a constitucionalidade da emenda.

Nesse caso, o STF tem o poder de revisar e, eventualmente, derrubar a PEC, se considerar que ela viola princípios constitucionais fundamentais.

Toffoli comenta a possibilidade de a PEC das Drogas ser judicializada no STF

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O ministro Dias Toffoli, do STF. De acordo com ele, PEC das Drogas pode parar na Corte | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Já no fim de junho, o ministro Dias Toffoli, do STF, comentou a possibilidade de a PEC das Drogas, em debate no Congresso, parar na Corte. De acordo com ele, essa possibilidade existe em virtude de a proposta em análise no Poder Legislativo tratar de possível ofensa à cláusula pétrea da Constituição.

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Depois de o STF descriminalizar o uso da maconha para porte pessoal, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reagiram à decisão.

Enquanto Pacheco repudiou o resultado, Lira criou uma comissão para debater uma medida contrária à decisão do STF.

O prazo para a discussão da PEC na comissão da Câmara é de 40 sessões do plenário. No fim do período, caso não haja a aprovação de nenhum texto, o presidente da Casa pode submeter a proposta a uma votação diretamente no plenário.

Leia também: “Toga não é coroa”, reportagem publicada na Edição 203 da Revista Oeste

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