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Política

CPMI do INSS comunica Toffoli para viabilizar oitiva de Vorcaro

Ofício informa ao STF sobre a convocação do banqueiro para prestar depoimento na comissão; dono do Banco Master está em prisão domiciliar

Daniel Vorcaro é o fundador do Banco Master; ele foi preso em 18 de novembro | Foto: Divulgação/Banco Master
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), encaminhou um ofício ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar do depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

+ CPMI do INSS deve acionar o STF para reaver documentos ligados a Vorcaro

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O documento não solicita autorização para investigar nem transforma a convocação de Vorcaro em facultativa. O ofício visa a comunicar o Judiciário sobre a necessidade de viabilizar materialmente a oitiva, diante do fato de o depoente estar em prisão domiciliar.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Presidida por Viana desde agosto, a CPMI do INSS investiga um esquema bilionário de descontos indevidos | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

No arquivo, Viana informou que a comissão aprovou, ainda em dezembro, a convocação de Vorcaro para prestar depoimento na condição de testemunha, no âmbito das investigações sobre empréstimos consignados concedidos pelo Banco Master a aposentados e pensionistas do INSS. 

O colegiado marcou a oitiva para quinta-feira 5 e pediu ao SF autorização para o deslocamento do depoente até Brasília, além da definição da custódia durante o período em que estiver no Congresso Nacional. 

“A CPMI já convocou o senhor Daniel Vorcaro”, afirmou Viana. “O ofício encaminhado ao ministro Dias Toffoli não é para pedir autorização para investigar, nem para ‘transformar a convocação em opcional’. Ele existe porque o depoente está sob prisão domiciliar. Nessas condições, o Parlamento tem o dever institucional de comunicar o Judiciário e solicitar a viabilização material da oitiva.”

Ministro Dias Toffoli é relator do caso Banco Master no STF | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Decisão da CPMI do INSS

O presidente da comissão reforçou que a decisão da CPMI não está em discussão e que o Supremo é acionado apenas para compatibilizar uma medida judicial com uma prerrogativa constitucional do Congresso: “Não há contradição”. “Há respeito entre Poderes, sem renúncia de competência.”

+ CPMI: presidente do INSS será ouvido no mesmo dia que Vorcaro

No documento, Viana também critica a interpretação ampliada de decisões do STF que vedaram a condução coercitiva em investigações policiais. 

Para o senador, essas decisões não se aplicam automaticamente às comissões parlamentares de inquérito: “CPI não é polícia, é Poder Legislativo exercendo função constitucional própria”.

Essa posição foi reiterada em resposta direta sobre a natureza do ato aprovado pela comissão:

“É uma convocação. O Parlamento não pede autorização para investigar”, afirmou Viana. “O que se solicita ao Judiciário é apenas a compatibilização da medida judicial com o exercício de uma prerrogativa constitucional da CPMI.”

Depoimento de Vorcaro

No ofício, Viana também rejeitou a hipótese de que o STF possa impedir o depoimento por razões institucionais. Ele sinalizou que cabe a Corte garantir direitos individuais, enquanto ao Parlamento compete investigar fatos de interesse público. 

“Quando cada Poder atua dentro de seus limites, não há conflito”, afirmou o senador. “A condição judicial não suspende a autoridade constitucional de uma CPMI. O comparecimento é obrigatório, com todos os direitos assegurados, inclusive o direito ao silêncio.”

Leia também: “A desordem estratégica do governo na CPMI do INSS”, reportagem de Sarah Peres publicada na Edição 300 da Revista Oeste

No ofício encaminhado ao STF, o senador destaca ainda que as CPIs se estruturam fundamentalmente a partir da análise de documentos e da inquirição de depoentes, ressaltando que restringir a presença de convocados esvazia o funcionamento do Parlamento. Sem depoimentos, argumenta, a comissão perde sua principal ferramenta de apuração.

“A CPMI não se intimida nem se omite”, disse o presidente da CPMI do INSS. “Avaliaremos todas as medidas institucionais cabíveis para preservar a autoridade do Congresso Nacional. CPI que não ouve depoentes não é CPI. Não estamos falando de opinião, mas de fatos, contratos, valores e procedimentos que precisam ser esclarecidos.”

2 comentários
  1. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    Parabenizo o senador Carlos Viana por suas providências encaminhadas ao STF para que a Suprema Corte diligencie no sentido de prover à Comissão Parlamentar Mista com os documentos ora na posse do Supremo.

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