A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) confirmou que o presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior, será ouvido no mesmo dia do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na próxima quinta-feira, 5.
A confirmação dos depoimentos de Waller e Vorcaro foi realizada pelo presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), em coletiva de imprensa.
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“Ele tem suspendido vários contratos, tem feito aí a suspensão de repasses para os bancos, e nós queremos ouvir dele com base em quais documentos e investigação ele tomou essas decisões e inclusive o afastamento de servidores do INSS, recentemente retirados de cargos”, explicou. “O presidente do INSS tem explicações muito importantes para nos dar e nessa questão dos consignados pode nos dar também um direcionamento importante sobre a investigação e as falhas nos contratos.”
Oitiva de Vorcaro

Com a aprovação da convocação de Vorcaro pela CPMI em dezembro passado, o banqueiro teve a oitiva marcada para a próxima quinta-feira, 5. Segundo Viana, a ida será para esclarecer sobre os descontos irregulares em benefícios de aposentados.
“O senhor Vorcaro terá de explicar como conseguiu esses contratos, de quem os adquiriu e por quê”, disse. “Terá de explicar como manteve descontos em folha sem autorização formal e quais medidas o banco tomou diante das reclamações para cessar cobranças e garantir o direito de quem não concordava com os empréstimos”, afirmou o presidente.
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Interpelado por Oeste sobre a possibilidade de Vorcaro obter um habeas corpus para não depor, o presidente da CPMI analisou que há uma sucessão de medidas a favor de Vorcaro.
“Vocês têm acompanhado uma série de procedimentos que vêm blindando o senhor Vorcaro de prestar esclarecimentos à população brasileira”, declarou Viana. “Ele tem conseguido, de forma surpreendente e até estranha, apoios e resoluções que garantem a ele um sigilo que não interessa ao Brasil. Nós precisamos que um banqueiro que envolveu metade da República, inclusive o próprio Parlamento, e que hoje é acusado de um desfalque bilionário no nosso país, seja obrigado a falar e venha prestar depoimento.”
Depoimentos previstos
Viana também atualizou o cronograma da comissão em relação à oitiva de Luiz Félix Cardamone Neto, representante do Banco BMG, um dos principais operadores de crédito consignado com o INSS. A oitiva era prevista para a próxima quinta-feira, 5, mas foi adiada a pedido da defesa.
“O advogado entrou em contato comigo, fez uma solicitação de que ele estará em viagem até o dia 21 de fevereiro”, disse. “Não impetrará habeas corpus e virá de boa vontade à CPMI. Portanto, nós estamos marcando para o dia 25 de fevereiro, logo depois do Carnaval. Está confirmada a presença dele.”

Outro ponto destacado pelo presidente da comissão foi a tentativa de reverter decisões judiciais que impediram depoimentos considerados centrais, como do empresário Maurício Camisotti. Embora não esteja confirmada a oitiva, o nome dele consta nos nomes de oitivas de 5 de fevereiro.
“Outro ponto importante, recursos que nós faremos de pessoas convocadas e que não compareceram à CPMI”, afirmou Viana. “A primeira delas será o senhor Camisotti, que é tão importante o depoimento quanto foi do Antônio Carlos Camilo, chamado Careca do INSS. O senhor Camisotti recebeu por parte do Supremo Tribunal Federal um habeas corpus que garantiu a ele não vir à CPMI se não desejasse. Nós estamos recorrendo dessa decisão.”
“Esperamos que o Supremo Tribunal Federal nos dê a oportunidade de trazê-lo, cumprindo a regra da legislação da CPMI”, destacou Viana. “Não há dentro da Constituição brasileira e da legislação que criou as comissões nenhuma possibilidade que uma pessoa diga se ela quer vir ou não. Isso foi uma surpresa muito desagradável para nós, que esperamos agora ter a compreensão e a decisão do Supremo Tribunal Federal para que Camisotti possa vir e dar aqui o seu depoimento.”
Votação de convocações na CPMI do INSS
Por fim, Viana sinalizou que a CPMI deve voltar a votar convocações que já haviam sido rejeitadas com o voto pela base governista, incluindo nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o irmão dele, Frei Chico, e o filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha.
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“Eu não tenho restrição nenhuma em trazermos à população brasileira a vontade de deixar transparente todo o trabalho. Se vão aprovar ou não é uma questão de consciência e de posicionamento de cada um dos deputados, mas esses nomes estão previstos serem trazidos para votação logo em breve na CPMI”, concluiu.
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