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Política

Democracia é quando eu ganho?

Partidos de esquerda, aliados do governo, correm para o Judiciário sempre que perdem uma discussão no Congresso

Os Guerreiros, na Praça dos Três Poderes | Foto: Renato Araújo/Agência Brasília república
Os Guerreiros, na Praça dos Três Poderes | Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Nas democracias modernas, a separação dos Poderes é realizada à luz do que preconizou Montesquieu. A famosa trinca do Executivo, Legislativo e Judiciário formava (até pouco tempo atrás) os desejados freios e contrapesos.

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Todavia, parece que está fora de moda aceitar que o Congresso cumpra o seu papel no equilíbrio de Poderes. Sempre que o Legislativo atua como um freio do Executivo, algum partido da base aliada trata de provocar o Judiciário, na figura do Supremo Tribunal Federal, para remediar a situação.

Isso é sintoma de uma das piores distorções políticas do Brasil: o sentimento de que “democracia é quando eu ganho”. Desde o seu surgimento, o PT vem defendendo que todos os seus inimigos são antidemocráticos. Há em profusão, na internet, imagens associando todos os inimigos do PT ao nazismo.

Até o atual vice-presidente da república, Geraldo Alckmin, já foi associado ao nazismo pelo PT. Afinal, naquela ocasião, ele era adversário. Agora que está compondo o gabinete, é um defensor da democracia.

Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva, na Base Aérea de Brasília - 16/6/2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva, na Base Aérea de Brasília – 16/6/2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Essa narrativa de estar sempre do lado certo da história enfrentando o último “chefão” do fascismo/nazismo/tudo-que-há-de-ruim acostumou mal uma parcela significativa da população, bem como nossa classe política.

É por essa razão que o Congresso, a representação do povo por excelência em uma democracia, está sendo rebaixado do seu posto de peso e contrapeso para um entrave na suposta defesa de tudo aquilo que é reputado como belo, moral e correto pelos supostos defensores da democracia.

Mas isso nunca esteve tão longe da verdade. O Brasil é um país polarizado. Mas, há algum tempo, não havia mais de um polo no debate político: tudo era dominado pela esquerda. Uso, mais uma vez, o exemplo do vice-presidente, que outrora fazia o papel de haste adversa no teatro das tesouras.

A polarização, todavia — desde que não haja esse sentimento de que “democracia é quando se ganha” — não é algo ruim. É salutar para uma democracia a oposição de ideias, a troca de Poder e o exercício dos freios e contrapesos. Afinal, a vitória em uma eleição majoritária do Executivo não significa que o mandatário da vez ganhou um prazo para governar sem oposição. Ganhar a eleição presidencial não significa quatro anos de poder indiscriminado ou uma ditadura com tempo limitado.

Leia também: A ‘randolfização’ da política, reportagem publicada na Edição 173 da Revista Oeste

Então, não, a democracia não é só quando eu ganho. É preciso refundar o espírito republicano de compreensão quando o outro lado vence — seja uma eleição ou uma pauta no Congresso — sem necessariamente considerar isso o fim do mundo ou o triunfo do fascismo.

Raul Kazanowski é advogado na CKA Advocacia e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).

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1 comentário
  1. Célio Antônio Carvalho
    Célio Antônio Carvalho

    Sim, meu caro. A democracia é liberdade, a troca de Comando político sem estresses e nem juiz.
    Como assim?
    Eu fui eleito majoritariamente em dois turnos e não posso governar? Tudo é judicializado? Qualquer Pé de chinelo vai ao supremo? Como assim?
    Não teria de ir à justiça dos simples, comuns?
    Esse Brasil está complicado. Só quer ter um espectro político; aí, foi-se a Democracia. A isso damos o nome de Ditadura!

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