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Política

'Dinheiro não pode comprar todo mundo', diz vereador que teria sido procurado pelo Master

Rony Gabriel relata ter recebido proposta para atacar o Banco Central

Rony Gabriel afirma ter recebido proposta do Banco Master | Foto: Revista Oeste
Rony Gabriel afirma ter recebido proposta do Banco Master | Foto: Revista Oeste

O vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim, no Rio Grande do Sul, afirmou ter sido procurado por uma agência de marketing para publicar conteúdos críticos ao Banco Central (BC) nas redes sociais, em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master. Em entrevista ao Oeste Sem Filtro desta terça-feira, 6, o parlamentar declarou que a proposta previa a produção de vídeos que questionariam a atuação da autoridade monetária e apresentariam a instituição financeira como vítima do processo.

De acordo com Rony, o contato ocorreu por meio de seu assessor e partiu de uma agência que destacou o alcance de suas redes sociais, especialmente no Instagram, onde o vereador soma cerca de 1,7 milhão de seguidores. Antes da apresentação do projeto, a empresa exigiu a assinatura de um acordo de confidencialidade. O documento previa multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento. “Eles diziam que eram informações importantes, de interesse político, e que precisaria assinar um contrato de confidencialidade para ouvir a proposta”, relatou.

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Depois da assinatura do acordo, o vereador afirmou que a agência expôs o objetivo do trabalho. Segundo ele, a ideia era produzir vídeos “descredibilizando de certa forma o BC”, com foco em sustentar que a liquidação do Master teria ocorrido de forma rápida e irregular. Rony disse que os interlocutores defendiam a narrativa de que o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, seria vítima da atuação do regulador. O conteúdo, segundo a proposta, também se apoiaria em um despacho do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificava indícios de pressa no processo de liquidação.

O vereador afirmou que a remuneração não constava no acordo de confidencialidade, mas que, durante as conversas, ficou claro que os valores seriam milionários e superiores à multa prevista. “Não cheguei a discutir valores nem a receber material final, apenas ficou claro que havia um valor muito alto envolvido”, disse. Ele relatou ainda que a agência mencionou a possibilidade de levá-lo a São Paulo para reuniões presenciais, caso fosse necessário aprofundar as tratativas.

Depois de analisar o caso e conversar com familiares, Rony decidiu recusar a proposta. Segundo ele, a recusa foi comunicada por mensagem, sem que houvesse avanço para a assinatura de um contrato de trabalho. “Achei estranho desde o início e resolvi estudar o caso, e disse que não tinha interesse”, afirmou.

Nesse contexto, declarou: “O dinheiro não pode comprar todo mundo, o dinheiro não pode comprar o silêncio de todo mundo”. Dias depois, ao acompanhar a repercussão do despacho do TCU, o vereador disse ter identificado semelhança entre a narrativa que lhe foi apresentada e os argumentos que passaram a circular nas redes sociais.

Influenciadores também teriam recebido propostas do Master

Durante a entrevista, Rony afirmou que outros influenciadores e agentes políticos também teriam sido procurados com propostas semelhantes. Ele citou a influenciadora Juliana Moreira Leite, que, segundo ele, também recusou a oferta. Depois de tornar o caso público em um vídeo nas redes sociais, o vereador disse que foi procurado por veículos de imprensa de alcance nacional e que a denúncia ganhou repercussão.

Rony afirmou ainda que recebeu da agência exemplos de vídeos que serviriam como modelo para o conteúdo solicitado. Entre os nomes mencionados por ele estão Paulo Cardoso, Marcelo Renó, André Dias e Carol Dias. Segundo o vereador, esses materiais teriam sido enviados pela própria empresa, apesar da existência de acordos de confidencialidade. “Quem quebrou a confidencialidade foi a própria empresa”, declarou.

Perguntado sobre a coordenação dos ataques digitais, o vereador disse entender que houve uma ação organizada. Ele citou publicações feitas em páginas de grande alcance que normalmente tratam de entretenimento e celebridades, mas que passaram a abordar o caso do Master. Para Rony, esse movimento reforça a percepção de articulação. Ele afirmou, no entanto, que não pode afirmar se os influenciadores envolvidos agiram por convicção ou mediante pagamento.

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O vereador também relatou que, até o momento da entrevista, não havia recebido notificações judiciais nem pedidos formais para retirada do conteúdo publicado em suas redes sociais. Segundo ele, o vídeo em que relata o episódio ultrapassou a marca de dois milhões de visualizações em poucas horas. Perguntado sobre eventuais ameaças, disse não ter identificado contatos diretos nesse sentido, embora tenha adotado cuidados adicionais.

Ao explicar a decisão de tornar o caso público, Rony afirmou que considerou o impacto institucional do episódio. “É algo muito maior do que R$ 800 mil”, disse, ao mencionar possíveis efeitos sobre investidores e sobre a investigação do caso. Segundo ele, sua iniciativa teve como objetivo permitir o avanço das apurações e evitar que a liquidação do banco perdesse o objeto de investigação.

Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste

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4 comentários
  1. Carlos Pommer
    Carlos Pommer

    Imagino que muitos tenham aceitado, afinal, o brasileiro quer levar vantagem em tudo, certo?
    Ou seja, há grande chance de o Master renascer ou ser comprado por Brasília.
    Será que o BC volta a ser estatal?

  2. Christian
    Christian

    Até onde esta quadrilha quer chegar ?
    O fundo do poço ainda tem um alçapão.

  3. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Parabéns!, Ainda tem gente honesta no Brasil. Imaginem quanto cobraram para reverter a liquidação do banco?

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