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Política

Discurso favorável à quarentena vertical ganha musculatura nas redes sociais

Vem perdendo força a narrativa defendida pelo establishment de que o isolamento radical é a melhor solução para conter o avanço da covid-19

SP - CORONAVÍRUS/BOLSONARO/CARREATA - GERAL - Grupo de manifestantes a favor da reabertura do comércio em São Paulo realiza uma carreata na Avenida Paulista, na região central da cidade, na manhã deste domingo (29). O grupo pediu o fim do isolamento social decretado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por causa do coronavírus. As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até 18h00 deste sábado (28), 3.928 casos confirmados do novo coronavírus (covid-19) no Brasil com 113 mortos, 84 deles em São Paulo, de acordo com a secretaria de Saúde do estado. 29/03/2020 - Foto: FÁBIO VIEIRA/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

Vem perdendo força a narrativa defendida pelo establishment de que o isolamento radical é a melhor solução para conter o avanço da covid-19

Grupo de manifestantes a favor da reabertura do comércio em São Paulo realiza uma carreata na Avenida Paulista. 29/03/2020 – Foto: FÁBIO VIEIRA/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

Imagine uma guerra na qual todos as nações do mundo se unem para derrotar um inimigo comum, um adversário poderoso que está dominando o campo de batalha. Pense, agora, num grupo de soldados acuados que, depois de muitas baixas nas tropas e nos mantimentos, decide sair da trincheira em busca de recursos para os seus colegas feridos. Pois bem, isso acontece mais ou menos na chamada quarentena vertical (a população de risco se isola; os demais voltam a trabalhar), uma estratégia de guerra que vem sendo adotada por vários países do mundo no combate ao coronavírus.

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Na terça-feira 24, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez um pronunciamento em que pediu o fim do isolamento radical. A fala, claro, tem a ver com a tática mencionada anteriormente. Segundo ele, a economia não pode parar em razão do avanço da covid-19. “O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem de continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias precisa ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, afirmou o presidente em rede nacional de televisão e rádio.

Imediatamente, o discurso deixou em polvorosa as redes sociais, que reagiram negativamente à fala do presidente, conforme noticiou Oeste. Autoridades, entre elas governadores, rechaçaram a possibilidade de reverter, por ora, a chamada quarentena horizontal (quando todos, inclusive a população fora de risco, ficam em casa). Entre os defensores dessa ideia está o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que aderiu fielmente à tese segundo a qual a covid-19 pode ser contida com um duro isolamento. As divergências provocaram um bate-boca entre Doria e Bolsonaro na quarta-feira 25.

Reação digital

Tudo parecia conspirar contra o presidente. Porém, levantamento feito por Oeste nas redes sociais mostrou que, alguns dias depois do pronunciamento de Bolsonaro, os ventos sopraram em favor dele. Na semana passada, entre as hashtags levantadas no Twitter por apoiadores do Planalto, uma com bastante engajamento foi “ImpeachmentDoDoria”, que ocupou os trending topics daquela rede social durante a quinta-feira 26 (um dia depois da discussão) e, também, na sexta-feira 27. Os engajamentos chegaram a 250 mil. No Facebook, as interações movimentaram as páginas de direita (uma delas colecionou 10 mil reações). No Google, o termo João Doria foi o oitavo mais pesquisado no Brasil.

No sábado 28, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu aos brasileiros que parem de assistir à televisão. A fala foi uma crítica a veículos de mídia que estariam criando um clima de pânico acerca do coronavírus. “Desliguem a televisão. Às vezes ela é tóxica demais. Há quantidade de informações e, às vezes, os meios de comunicação são sórdidos porque eles só vendem se a matéria for ruim”, afirmou o ministro numa entrevista coletiva, ao mencionar que o presidente Jair Bolsonaro está “100% certo” quando manifesta preocupação com a economia do país.

Monitoramento feito por Oeste detectou na noite de sábado uma tendência positiva à fala de Mandetta nas redes sociais. A temperatura esquentou na manhã de domingo, quando internautas lançaram a campanha “#DesligueATV”. A hashtag chegou aos trending topics do Twitter e lá permaneceu por 11 horas, com 84 mil interações — ocupou o primeiro lugar no período da tarde por cerca de 3 horas. No Instagram, as interações passaram de 1.000, com a predominância de vídeos da fala do ministro da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro visitando localidades de Brasília.

O Facebook foi a rede social com menos movimento, apresentando interações apenas numa rede bolsonarista. Já no Google, nos últimos sete dias, a busca por “quarenta vertical” foi 3,2 vezes maior do que “quarentena horizontal”. Os estados que buscaram por essa informação são os menos afetados pela covid-19 até o momento, como Piauí, Alagoas e Sergipe. Ou seja, a mensagem do presidente Jair Bolsonaro está chegando não apenas no Sul ou no Sudeste, mas também no Norte e no Nordeste, regiões onde a esquerda brasileira, como o PT e seus satélites, dominam.

Oeste monitorou que, enquanto isso, nos veículos de comunicação da mídia tradicional prevaleceram informações acerca da quarenta horizontal e, claro, críticas a Bolsonaro.

Confira as reações

Guerra de narrativas

As reações descritas anteriormente, portanto, são um sinal de que, nas redes sociais, vem perdendo força a narrativa defendida pelo establishment: a quarentena horizontal é a melhor solução para conter o avanço da covid-19. Enquanto isso, a narrativa do presidente Bolsonaro em defesa da quarentena vertical ganha musculatura na internet e, também, a ação de políticos, como o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL). A revista noticiou na quinta-feira 26 que um plano estratégico será colocado em prática por ele para retomar a atividade produtiva do Estado.

Em sua primeira edição, Oeste informa que alguns países adotaram medidas menos restritivas para combater o avanço da covid-19 no mundo. A Coreia do Sul, por exemplo, já voltou a produzir. Taiwan tornou-se referência de manutenção da atividade econômica durante a pandemia. A Suécia testa um modelo que permite a reabertura de restaurantes e bares, desde que observadas certas regras. Mesmo a China, epicentro da pandemia de coronavírus, retomou vigorosamente a atividade fabril, sobretudo no setor automotivo. Há, portanto, exemplos que merecem atenção.

11 comentários
  1. CLARISSA ALMEIDA ILGENFRITZ DE MORAES
    CLARISSA ALMEIDA ILGENFRITZ DE MORAES

    #revoltadosconfinados Menos Estado no nosso corpo,rs

  2. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    Agentes de Saúde e Caminhoneiros – HERÓIS NACIONAIS.

  3. Roberto Gomes
    Roberto Gomes

    Excelente artigo. Preciso, claro, equilibrado e, na minha opinião, cientificamente orientado.

    1. Elizabete
      Elizabete

      Perfeito!! Só os encostados que não percebem, um dia perceberão, alguns raciocinam rápido ja outros o raciocínio é lento só no tranco a tal massa de manobra??‍♀️!

  4. Yvete Sbragia
    Yvete Sbragia

    A sua interpretação da fala do ministro Mandetta está equivocada. Ele não apoia 100% a quarentena vertical, muito menos as atitudes do presidente. Entendo que solicita que desliguemos as TVs com o objetivo de nos pouparmos das notícias trágicas divulgadas pela mídia, preservando dessa maneira a nossa saúde mental.

    1. INES MARIA COSTA
      INES MARIA COSTA

      Que hora ele falou que o jornalista falou que o Mandeta defendeu algum tipo de isolamento?
      Vc é que está equivocado ao interpretar um texto claro e correto como esse da forma que lhe convém. Na dúvida, assista a entrevista completa do Mandeta, pois eu assisti.

    2. Célia Silva
      Célia Silva

      Sou à favor da quarentena vertical. Temos que ir nos imunizando naturalmente já que ainda não existe vacina – ou vamos ficar em quarentena total Ad Aeternum?

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