Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você
O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter uma relação pessoal com o empresário Augusto Lima, mas negou qualquer favorecimento em decorrência disso. Ele criticou a forma como a Polícia Federal conduziu a Operação Compliance Zero e a divulgação de imagens de dinheiro apreendido. Wagner também comentou a negociação de um apartamento para sua filha e os pagamentos de R$ 3,5 milhões à empresa de sua nora.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu manter uma relação pessoal com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, mas negou que a proximidade tenha resultado em favorecimento pessoal. O parlamentar deu as declarações em entrevista divulgada nesta sexta-feira, 26, no jornal Folha de S.Paulo.
Na entrevista, o petista detalhou encontros com Vorcaro, explicou a negociação de um apartamento destinado à filha e afirmou que reclamou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva da forma como a Polícia Federal (PF) conduziu a operação da qual virou alvo.
Receba nossas atualizações
Leia também: “O PT afunda no pântano do Master”, reportagem de Cristyan Costa e Sarah Peres publicada na Edição 328 da Revista Oeste
Ao falar da Operação Compliance Zero, Wagner criticou a divulgação da imagem das cédulas de dinheiro apreendidas durante as buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, a exposição contrariou a própria decisão judicial que determinava discrição no cumprimento dos mandados.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?”, perguntou Wagner. “Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem de tomar conta. Aí, quem tem de cuidar disso é o ministro da Justiça, o chefe da Polícia Federal ou o próprio ministro André Mendonça.”

Segundo Wagner, Lula também o indagou mais de uma vez sobre eventual envolvimento no caso Master. “O presidente várias vezes me perguntou, e continuo afirmando para ele: não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master”, afirmou.

Relação com Augusto Lima
Na entrevista, Wagner confirmou que conheceu Augusto Lima durante o processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e que a convivência entre ambos se manteve ao longo dos anos. Para o senador, esse relacionamento é compatível com a atuação de qualquer gestor público.
“Eu poderia ter uma consultoria, não poderia?”, perguntou Wagner. “Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa.”
Na sequência, Wagner disse desconhecer “um prefeito ou um governador que não converse com empresários”. “Óbvio que conversei com Augusto Lima”, acrescentou.
Leia mais
Wagner criticou o que chamou de “retórica hipócrita”, ao comentar o avanço das investigações da PF. “Tenho relação com uma porção de gente”, lembrou. “Aí, o cara diz para mim: na terça-feira, estou indo para Brasília, quer ir de carona? Vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando pego carona.”
Para o senador, a PF precisa comprovar se sua relação com o Master é espúria. “Eles inventaram que trabalhei pelo Banco Master”, disse. “E nunca trabalhei a favor, trabalhei contra. Como, aliás, o então ministro da Fazenda [Fernando Haddad] veio a público declarar.”

Encontros com Vorcaro
Ao ser indagado sobre Vorcaro, Wagner afirmou que o encontrou apenas duas vezes. A primeira delas ocorreu quando o ex-banqueiro ingressou no Master. A segunda foi em São Paulo, quando apresentou o então ex-ministro Ricardo Lewandowski a Vorcaro para discutir uma possível consultoria jurídica.
“O Augusto Lima disse: ‘A gente precisa melhorar o padrão do banco. Você tem alguma sugestão para a área jurídica?’. Eu disse: ‘O ministro Lewandowski tem pouco tempo que se aposentou, não vejo outro nome melhor. Não sei se ele quer’.”
Apartamento e pagamentos à empresa da nora
Wagner também comentou a negociação de um apartamento em Salvador, mencionado pela PF na investigação. Segundo ele, o imóvel seria comprado para a filha e nunca chegou a integrar seu patrimônio. “Pretendia dar um presente para minha filha nesse prédio que está em construção”, disse.
“A pergunta que cabe é a seguinte: por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção?”, indagou Wagner. “Por que não ia pegar um apartamento novo pronto? Digo: ‘Não tenho condições de comprar, ela vai ter de vender o apartamento dela para eu ajudar no resto e financiar uma parte. Só quero que garanta aquilo lá’. Foi isso.”
Sobre os pagamentos de R$ 3,5 milhões feitos pelo Master à empresa da qual sua nora é sócia, o senador disse que essa é uma pergunta que “só a PF poderia responder”. Afirmou que as operações estão registradas na empresa e negou que os valores tivessem como destino sua pessoa. “Caiu alguma coisa minha aqui?”, perguntou. “Estou muito tranquilo.”
+ Entenda o que é Política em Oeste
Ao ser indagado se não tinha conhecimento do montante, Wagner disse ter tomado “um susto, porque não é pouca coisa, é muita coisa”. “Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato.”
“Aliás, os meninos dizem que não pagaram nem o que deveriam ter pago a eles, tá?”, disse Wagner. “Quando viram um volume que ia crescendo muito, mudaram o tipo de contrato. Mas prefiro que o advogado explique. O gozado é que se apegam aos R$ 3,5 milhões, que foi o rompimento. Mas, antes disso, mês a mês, eles ganhavam. Não sei quando deu no total, mas foi uma grana boa.”
Jaques Wagner deixa Alvorada depois de reunião com Lula
Alvo de operação da PF, Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado
Lula indica Teresa Leitão para a liderança do governo no Senado
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.