A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a Superintendência da Polícia Federal (PF) no fim da tarde deste domingo, 23, depois de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Michelle permaneceu cerca de duas horas na unidade e saiu deixou o local sem dar declarações públicas, limitando-se a acenar aos apoiadores que aguardavam do lado de fora.
A ex-primeira-dama cumpria uma agenda do PL Mulher no Ceará quando soube da prisão do marido. Ela anunciou, então, seu retorno para Brasília para acompanhar a situação e pediu orações: “Deus não perdeu o controle de nada, Ele reina. Seu trono tem como fundamento a justiça e o juízo. Vamos continuar orando”.
Defesa pede prisão domiciliar humanitária

A defesa de Bolsonaro encaminhou ao STF um pedido de conversão da prisão preventiva para prisão domiciliar humanitária. A petição, enviada neste domingo, busca afastar a possibilidade de permanência do ex-presidente na carceragem da PF sob o argumento de que seu estado de saúde é frágil e depende de medicamentos “com ação no sistema nervoso central”.
No pedido, os advogados também tentam desqualificar a tese de que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica. A defesa anexou vídeo dizendo comprovar que não houve tentativa de quebrar o equipamento, e sustentou que o ex-presidente foi vítima de confusão mental causada por interação medicamentosa — versão que o próprio Bolsonaro reforçou durante a audiência de custódia.
A versão de Bolsonaro
Durante o depoimento, realizado por videoconferência na tarde de domingo, Bolsonaro relatou à juíza auxiliar Luciana Sorrentino que decidiu tentar abrir a tornozeleira porque acreditou estar sendo monitorado por uma “escuta”. Segundo ele, a sensação de perseguição ocorreu devido à combinação de dois medicamentos receitados por médicos diferentes: pregabalina e sertralina.
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“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”, registrou a magistrada na ata da audiência. Ela também anotou a explicação de que Bolsonaro teve “uma certa paranoia (…) em razão de medicamentos que interagiram de forma inadequada”.
Bolsonaro afirmou ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento entre a noite de sexta-feira 21 e a madrugada de sábado 22. Disse que manipulou o objeto “tarde da noite e parou por volta de meia-noite”, e que nenhum dos presentes na casa — sua filha, o irmão mais velho e um assessor — presenciou a ação.
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O ex-presidente negou intenção de fuga e insistiu que “não houve rompimento da cinta”, parte que mantém a tornozeleira presa ao tornozelo. Também confirmou que ainda possui em casa o ferro de solda utilizado na tentativa.
Ao final da audiência, a juíza decidiu manter a prisão preventiva. Ela afirmou que Bolsonaro não relatou qualquer abuso policial durante o cumprimento da ordem judicial.
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