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Política

O Brasil está inviável para o exercício do poder, diz Ives Gandra Martins

Em congresso que discute uma nova Constituição, jurista defendeu o parlamentarismo como sistema de governo para o país

ives gandra martins
O jurista Ives Gandra da Silva Martins, durante o evento ‘Congresso Constitucionalista A Libertadora’, que propõe uma nova Carta Magna para o Brasil - 21/05/2022 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

O jurista Ives Gandra da Silva Martins, professor universitário e Doutor em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, defendeu o parlamentarismo como sistema de governo adequado para o Brasil. Segundo ele, o modelo evita crises político-econômicas que assolam o país, geradas pelo presidencialismo estabelecido pela Constituição de 1988.

“O parlamentarismo dá mais tranquilidade para o exercício do poder”, constatou Ives Gandra Martins, durante o Congresso Constitucionalista A Libertadora, que discute uma nova Carta Magna. O texto foi proposto pelo deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP). O evento ocorre neste sábado, 21, na Academia Paulista de Letras, na cidade de São Paulo.

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Durante sua exposição no evento, o jurista lembrou que as maiores democracias do mundo, com exceção dos Estados Unidos, optam pelo parlamentarismo. Entre outros benefícios do sistema, há uma quantidade menor de partidos políticos, observou o jurista. “No Reino Unido, por exemplo, há apenas dois partidos maiores: Conservador e Trabalhista”, disse. “Já no Brasil, temos vários.”

O superpoder do TSE

O jurista lembrou que, no parlamentarismo, o partido no poder tem de votar sempre com o primeiro-ministro, senão ambos caem. “Os parlamentares do partido no poder não pensam no orçamento pessoal de cada um, que vai para a sua cidade ou para empreiteiras x ou y, eles têm de se manter com o primeiro-ministro, senão o chefe do Executivo é substituído e vence a oposição.”

Segundo o jurista, o “Brasil hoje é um país inviável para o exercício do poder” porque os congressistas não representam o povo. “Os deputados definem o Orçamento sem nenhuma responsabilidade com a nação, mas, sim, unicamente com os interesses pessoais”, observou. “E temos ainda um ‘superpoder’, o Supremo Tribunal Federal, que acredita que o pensamento do povo está nos jornais, o que não é verdade. O que o povo pensa está nas redes sociais.”

A Constituição proposta por Orléans e Bragança estabelece que, além dos três Poderes tradicionais (Executivo, Legislativo e Judiciário), o Brasil terá: o chefe de Estado — necessário para o parlamentarismo; o Conselho de Estado; a soberania popular — que não pode ser tocada por ninguém, mas também não pode destruir o sistema todo; e o Federalismo, poder estrutural das federações do país.

Leia também: “O golpe que nunca existiu”, artigo de J.R. Guzzo publicado na Edição 113 da Revista Oeste

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13 comentários
  1. JOAQUIM GOMES JUNIOR
    JOAQUIM GOMES JUNIOR

    Deus nos livre de parlamentarismo. Temos um dos piores parlamentos do mundo. O único problema é esse STF e TSE abarrotado de rábulas subversivos, que querem a todo custo recolocar um decrepto louco ” Lula” novamente na presidêncis do Brasil.

  2. Bruno Araujo Barbaresco
    Bruno Araujo Barbaresco

    Eu acho que os nossos problemas são: A forma como os ministros do STF são indicados, por conchavos e não por méritos, o foro privilegiado e a permissão de elegibilidade para pessoas com processos na justiça e até condenados, reeleição de presidentes e governadores, distribuição de votos, ao invés do mais votado e esse absurdo de partidos políticos.

  3. André Luiz Cumplido de Sant'Anna
    André Luiz Cumplido de Sant'Anna

    Não acredito que estejamos preparados para o parlamentarismo. Será uma luta diária no Parlamento, porque os interesses pessoais jamais desaparecerão da noite para o dia. Educar o povo mostrando-lhe a importância da nação como um todo leva tempo,mas no tempo se pode chegar até lá. As redes sociais, como bem disso o jurista, permitiram que o pensamento de cada qual de nós se tornasse conhecido. Seja presidencialismo, seja parlamentarismo o fundamental é se ter um povo educado, que saiba ler e capaz de interpretar o que está lendo.

  4. Dielson Macedo dos Santos
    Dielson Macedo dos Santos

    Uma nova constituinte pode dar ao Brasil uma repaginada política e ideológica trazendo novos rumos. Gostaria de ver na constituição a proibição de partidos de viés comunista como acontece em alguns países da Europa.

  5. Júlio Cesar Peixoto Pimenta
    Júlio Cesar Peixoto Pimenta

    Com a classe e a mentalidade política dos nossos representantes, não existe e nem existirá algum sistema de governo que possa tranquilizar o país. É muita ingenuidade pensar que um parlamentarismo possa ser a melhor solução.

  6. Acmpqdt830
    Acmpqdt830

    Esse sistema está presente nas maiores democracias? E por isso devemos adotá-lo? As maiores democracias estão em DECADÊNCIA MORAL, incluindo os EUA. O problema do Brasil não é NÃO SER UM PARLAMENTARISMO, imagina um sistema desses HOJE, com o Congresso q nós temos, Renan Calheiros, Maia, etc? Sr Ives, Perfume não faz merda cheirar. Tem que primeiro limpar a sujeira com àgua corrente, p depois jogar desinfetante, esfregar, p em seguida jogar perfume ‘lírios do campo’. O problema do Brasil é EDUCACIONAL, é falta de consciência política, falta de valores. A reforma tem q ser feita é no Sistema Educacional, junto com o Sistema Político, Administrativo, antes de se fazer uma reforma no Sistema de Governo, dessa monta. Mudar para o Sistema Parlamentarista resolve pouca coisa, mas os problemas q de fato devem ser resolvidos, continuarão. Imagina, por exemplo, o MENDIGO COMEDOR eleito deputado só p q virou ‘pop srar’? Pode ser Monarquia, Presidencialismo, o escambau. E Tiririca, como é p q foi eleito? Parlamentarismo, sem antes fazer uma ‘limpa’ no país, não resolve nada, só coloca uma lajota bonita em cima de um monte de bosta.

  7. Paulo Renato Versiani Velloso
    Paulo Renato Versiani Velloso

    Fico imaginando um primeiro-ministro como esses trastes que estão no comando do congresso atualmente. Vou nominar alguns apenas por sadismo: Pacheco, Renan Canalheiros, Randolfe, Aziz, Simone Tebet, aquela comunista do Maranhão que esquecí o nome, enfim, uma constelação de pessoas da pior espécie. Iria ser um um ambiente político e administrativo, o pior possível e imaginável. O nobre jurista e professor imagina, talvez que somos uma espécie de parlamento britânico. Ele pode entender muito de leis mas pouco ou quase nada de políticos daquela Sodoma tupiniquim que é Brasília.

  8. Renato Perim
    Renato Perim

    Voto distrital puro. O resto é emenda que fica pior que o soneto.

  9. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Diante das enormes dificuldades de um regime presidencialista como o nosso, que o presidente é bloqueado pelo Congresso (Rodrigo Maia) no primeiro ano de governo, e por Rodrigo Pacheco no quarto ano de governo, imediatamente após 2 anos de pandemia, e por um Supremo que até o Dr. Ives comenta de seu atrevimento altamente politizado, realmente concordo com o Dr. Ives que admiro de longa data.
    O parlamentarismo ao menos acaba com esses inúteis partidos políticos que sempre barganham poder e não ideias.
    Mas penso que antes disso precisamos de uma reforma politica que torne proporcional o número de representantes por Estado nas cadeiras da Câmara Federal. Come entender que o voto do eleitor de SP como eu, vale muito menos que do eleitor de pequenos estados como Amapá, Rondônia, e outros. A população eleitoral de SP em 2018 era de 33 milhões de eleitores que limitados por legislação na minha opinião inconstitucional, possui somente 70 deputados, e a do Amapá (do Randolfe) com 500 mil eleitores possui 8 deputados. Somei a população eleitoral de 16 estados brasileiros que atingem 32 milhões de eleitores que possuem 145 deputados, portanto uma parte do Brasil tem mais poder politico e portanto econômico que o maior estado do PIB do pais. Penso que ai esta a grande dificuldade nas aprovações de reformas, privatizações e outros saneamentos nas Leis com essa desproporcional e INCONSTITUCIONAL distribuição. Observei que os demais grandes estados brasileiros possuem distribuição adequada a sua população eleitoral. Pasmem, o patinho feio é São Paulo.
    Portanto, mesmo não sendo jurista entendo que sem essa necessária reforma não há como adotar o PARLAMENTARISMO. Creio que dr. Ives sabe disso e lutara para uma adequada distribuição de cadeiras no parlamento. Vale lembrar que também precisamos enxugar o gordo LEGISLATIVO NACIONAL, com a redução de no mínimo 1/3 da Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, e reduzir a somente 1 inútil senador por Estado. Para que precisamos de 3 Randolfes Rodrigues por Estado?

  10. Antonio Carlos Lameira
    Antonio Carlos Lameira

    O sistema presidencialista é uma fabrica de ditadores, eleições são fraudadas para que numa votação aparentemente honesta eterniza esses elementos no poder. Ex. Putin, Nicolás Maduro. Já no parlamentarismo quando o primeiro Ministro perde apoio do parlamento, ele é defenestrado do poder e novas eleições são realizadas, sem traumas para a sociedade.

  11. Luiz Carlos Mendonça
    Luiz Carlos Mendonça

    Dr. Ives:
    Antes de mais nada, só duas ‘coisinhas’:
    1. Voto facultativo, pois votar é direito e não obrigação;
    2. “Um Homem, Um Voto”, ou seja, correta proporção de assentos no parlamento: maior população do estado, maior representação no parlamento, sem mínimos e máximos, com apenas dois senadores por estado.
    Isso estabelecido, dá prá começar a conversar…

  12. Marcos Antônio Braz lucas
    Marcos Antônio Braz lucas

    Discordo totalmente.Parlamentarismo com este nível de Congressistas que temos se torna um verdadeiro monstro.

  13. Alessandro Mauro Gobetti
    Alessandro Mauro Gobetti

    Gosto dos comentários do Dr Ives, mas na minha opinião desta vez ele está errado. O parlamentarismo só afastaria ainda mais o povo do poder e o presidente seria apenas uma figura de enfeite.

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