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Política

PF indicia lobista por propina de R$ 6 milhões a familiares de juiz

O caso faz parte da Operação Sisamnes, que apura esquema de venda de sentenças em diferentes instâncias do Judiciário

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O lobista ficou preso entre novembro de 2024 e julho de 2025, mas foi liberado por causa de problemas de saúde | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Pagamentos de propina que somam R$ 6 milhões e envolvem familiares de um magistrado levaram a Polícia Federal (PF) a indiciar o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.

Andreson de Oliveira, segundo as investigações, teria transferido os valores por meio da empresa Florais Transportes para a atual esposa e a ex-esposa do juiz Ivan Lúcio Amarante, da comarca de Vila Rica, em Mato Grosso.

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Em troca, o juiz teria dado decisões favoráveis em processos de interesse do grupo de Andreson e do advogado Roberto Zampieri, assassinado no final de 2023, em Cuiabá.

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As autoridades indiciaram o juiz por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Atualmente, ele está afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Além do juiz, a polícia também indiciou as duas mulheres por lavagem de dinheiro e associação criminosa, ao apontá-las como participantes de um esquema para ocultar valores provenientes da venda de decisões judiciais.

O caso faz parte da Operação Sisamnes, que apura esquema de venda de sentenças em diferentes instâncias do Judiciário.

Histórico do lobista e desdobramentos do caso

O Ministério Público já havia acusado Andreson de pagar propina a desembargadores de Mato Grosso, e ele segue sendo investigado por suspeita de corromper assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele ficou preso entre novembro de 2024 e julho de 2025, mas foi liberado por causa de problemas de saúde.

“Os elementos colhidos indicam que os investigados atuaram de forma articulada, com vínculo estável e divisão de tarefas, para viabilizar a prática dos crimes sob apuração”, diz um trecho do relatório da PF. “Essa associação tinha por objetivo tanto a venda de decisões judiciais quanto a ocultação e dissimulação dos valores ilícitos por meio de interpostas pessoas e empresas sem atividade real.”

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Defesa do juiz nega acusações

A defesa do juiz Ivan Amarante afirmou que está empenhada em provar sua inocência.

Em nota, o advogado Alexandre Pontieri declarou que “causa estranheza à defesa a divulgação, pela imprensa, de informações sobre um processo e inquérito que tramitam sob sigilo”.

Ele também afirmou que a defesa adotará medidas judiciais cabíveis para proteger os direitos e as prerrogativas do magistrado.

Em defesa apresentada anteriormente ao CNJ, Amarante negou qualquer irregularidade e afirmou ter proferido decisões contrárias aos interesses do grupo de Andreson.

Leia também: “Vento norte”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 282 da Revista Oeste

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