Garopaba tornou-se o centro de uma investigação da Polícia Civil de Santa Catarina sobre contratos públicos de coleta e reciclagem de resíduos sólidos. A apuração, conduzida pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), resultou nesta quinta-feira, 8, na prisão preventiva do prefeito Júnior de Abreu Bento (PP) e no cumprimento de mandados em outros municípios do litoral sul do Estado.
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A ofensiva também levou à detenção do empresário responsável pela concessionária do serviço de limpeza urbana na cidade. Um servidor público que atuava como pregoeiro em processos licitatórios também foi preso. A Justiça autorizou ainda o afastamento cautelar de dois secretários municipais, determinando o bloqueio de cerca de R$ 1 milhão em bens e valores ligados aos investigados.
As diligências alcançaram Pescaria Brava, Laguna e Tubarão. Segundo a Polícia Civil, o objetivo foi recolher documentos e outros materiais considerados relevantes para o avanço do inquérito. Cerca de 50 policiais participaram da ação, que cumpriu 16 mandados de busca e apreensão. Os presos foram encaminhados ao Presídio Regional de Tubarão.
Apuração aponta interferência em licitações de Garopaba
De acordo com a Deic, as investigações indicam a atuação de um grupo organizado para interferir em processos de contratação pública. As suspeitas envolvem o direcionamento de editais e a execução dos contratos, com repasses financeiros considerados irregulares.
Os investigadores afirmam que há indícios de práticas ilícitas desde 2016. Eles sustentam que o esquema ganhou estabilidade a partir de 2021 e seguiu ativo durante a atual gestão municipal. O foco central da apuração são os contratos relacionados à coleta e à reciclagem de resíduos sólidos.
O inquérito também identificou elementos que ligam o prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro de Souza (PP), aos fatos investigados. Ele foi alvo de mandados de busca por sua atuação anterior como secretário de Administração em Garopaba. Em Laguna e Tubarão, não houve registro de prisões.
Antecedentes e manifestações oficiais
Júnior de Abreu Bento já figura em outros procedimentos que apuram suspeitas na administração pública. Em julho de 2025, ele foi indiciado na operação Maestro, que investiga possíveis fraudes em contratos de obras e infraestrutura. Na ocasião, a defesa classificou o indiciamento como “unilateral” e sem acusação formal.
Outra apuração, conhecida como operação Control C, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, teve arquivamento parcial em dezembro de 2025, por falta de provas de participação direta do prefeito, com manutenção do processo em relação a outros envolvidos.
Em nota, a prefeitura de Garopaba confirmou a realização da operação e informou que os serviços públicos seguem funcionando normalmente. A administração declarou que aguarda acesso aos autos para prestar esclarecimentos.
A prefeitura de Tubarão afirmou que não houve cumprimento de mandados em suas dependências e que gestores e servidores do município não integram o rol de investigados. Já Pescaria Brava confirmou diligências em sua sede, mas destacou que os fatos apurados se referem à atuação anterior do prefeito em outro município e que a cidade realiza a coleta de lixo com equipe própria.
Ao site g1, o advogado de Júnior de Abreu Bento, Guilherme Silva Araujo, informou que busca acesso à decisão que decretou a prisão preventiva para definir a estratégia jurídica e se manifestar sobre o mérito das acusações.
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