Prefeita de Bauru: ‘Não preciso me render a ninguém para defender meu município’

Em entrevista à Revista Oeste, Suéllen Rosim falou sobre a retomada da economia, a situação da rede hospitalar e as ofensas de João Doria
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A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim
A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim | Foto: Divulgação/Instagram

Ao longo dos 37 dias em que está no comando da prefeitura de Bauru, no interior de São Paulo, a jornalista Suéllen Rosim (Patriota) defendeu sua opção para reduzir perdas e danos: retomar a atividade econômica do município, promover a volta às aulas e fortalecer a rede hospitalar.

No entanto, recentemente, o gabinete dela teve dias agitados. Isso porque a Justiça do Estado obrigou Suéllen a fechar as portas dos “serviços não essenciais”. Além disso, foi insultada pelo governador João Doria, numa coletiva de imprensa. A Revista Oeste conversou com a prefeita.

Eis os principais trechos da entrevista:

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Qual era a situação da prefeitura de Bauru quando a sra. a assumiu?

Com muito a ser feito e pouco recurso. Temos carências: a falta de água em vários bairros e o término da estação de tratamento de esgoto, por exemplo. Estamos com o caixa muito apertado. Não temos recursos para fazer obras que exigem grandes investimentos. Para isso, dependeremos do dinheiro do Estado, do governo federal e, claro, da nossa expertise em administrar a cidade. Além disso, há outras questões: os casos de covid-19, a volta às aulas e a recuperação da economia. Bauru é dependente do comércio e dos serviços. Hoje, meu maior desafio é lidar com essas demandas e resolver os problemas de infraestrutura. Queremos oferecer os melhores resultados à população. Meu compromisso é organizar a casa.

Há um cronograma para a volta às aulas?

Sim. As escolas municipais reabrem em 22 de fevereiro. Será um retorno gradual e facultativo. Embora nosso objetivo seja reinserir as crianças no âmbito escolar, não conseguiremos fazer tudo de uma vez. Por ora, adotamos o sistema híbrido (com alternância de aulas presenciais e à distância). Entre outras medidas, temos o desafio de acompanhar a questão do distanciamento e munir as unidades com equipamentos de segurança. Consideramos que a educação é essencial. Se mantivermos as escolas fechadas, comprometeremos os futuros médicos, as futuras enfermeiras e os demais profissionais.

Qual é a situação da rede hospitalar de Bauru hoje? Há risco de colapso?

Tem sido um desafio a ampliação do número de vagas de internação em Bauru. É um problema antigo no município e que, numa pandemia, tende a se agravar, sobretudo porque, no fim do ano passado, tivemos diminuição de leitos. Temos o Hospital das Clínicas (HC), construído pela USP [Universidade de São Paulo], entretanto, hoje ele funciona como uma unidade de campanha, ou seja, opera parcialmente. O Estado havia se comprometido a abri-lo em definitivo, o que ainda não ocorreu. Mas, se tivermos o HC, garantiremos as vagas de internação e de UTI necessárias. Na quarta-feira 3, houve uma reunião — ressalto que não fui convidada — e o governo [Doria] anunciou a chegada de 112 novos leitos de UTI, o que vai pôr o município numa situação melhor. Continuaremos as cobranças porque os bauruenses esperam a abertura do HC. Felizmente, não há risco da rede de saúde entrar em colapso.

E as vacinas contra o coronavírus? Há previsão de chegada?

As vacinas já chegaram e estão vindo, regulamente, tanto do governo estadual quanto do federal. Até este fim de semana, a previsão é a de que finalizaremos a imunização de todos os profissionais de saúde. Nos próximos dias, será a vez dos idosos.

Como é o seu plano de retomada da economia?

No meu decreto, decidimos limitar o comércio, mas sem fechá-lo. Nos estabelecimentos, a quantidade máxima de pessoas permitida tornou-se de 30%, respeitando as medidas sanitárias, como o uso do álcool gel. A partir das 20h, só o delivery funciona, e aos fins de semana também. Bebida alcoólica ficou proibida na sexta-feira, no sábado e no domingo depois das 20h. Por que a bebida alcoólica? Porque as festas clandestinas eram nosso grande problema. Além disso, buscamos melhorar os transportes públicos e intensificar a fiscalização. Atualmente, a cidade segue na fase vermelha do Plano São Paulo, mas os vereadores ampliaram as atividades essenciais de modo a abranger o comércio. Enquanto prefeitura, tenho uma liminar que me proíbe de abrir o comércio.

Vai recorrer da decisão da Justiça?

Não. Eu atingi o meu objetivo, que era o de conseguir mais leitos. Minha briga não é para ser a prefeita rebelde do interior de São Paulo mas sim a de discutir, com o governo estadual, melhoras para o meu município.

A sra. e suas medidas têm tido respaldo positivo da maioria da população?

Sem dúvidas que é positivo. E, como eu falei a verdade, as pessoas perceberam isso. O apoio veio de forma natural. Caso contrário, não teria sido do mesmo jeito. Enquanto prefeita, defendi a nossa realidade.

Bauru tem recebido apoio do governo federal?

Recentemente, estive em Brasília, e fui muito bem recebida [pelo presidente Jair Bolsonaro]. Isso é bom, para uma cidade do interior de São Paulo. O governo federal abriu-me as portas, como o fez para outros municípios. Não tive resistência, pelo contrário, tive apoio. Viajei a trabalho, para levar as demandas da minha cidade: alagamentos, infraestrutura, entre outros. Enquanto município, dependemos de verbas dos âmbitos estadual e federal.

Diante das acusações do governador João Doria, a sra. recebeu solidariedade de algum grupo que supostamente milita em defesa dos negros, das mulheres e das chamadas minorias?

Não. O apoio que recebi foi das famílias e das pessoas que dependem do comércio. Grupos ativistas não se manifestaram. Penso que, para eles, há dois pesos e duas medidas. Não é fácil ser chamada de “negacionista”, quando sou realista, e de “vassala”, numa situação como a que estamos vivendo. Não tenho palavras sobre isso. Foi um completo desrespeito a mim, como mulher. Mas não preciso me render a ninguém para defender o meu município.

A sra. tem recebido alguma pressão ou ameaça?

Por ora, não. Contudo, estou monitorando isso. Qualquer desconforto que tiver, espero que fique restrito a Suéllen Rosim e não ao município de Bauru. Estou aberta ao diálogo.

Leia também: “O príncipe autoritário e a prefeita de Bauru”, artigo publicado na edição 46 da Revista Oeste

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18 comentários Ver comentários

  1. Sou de Bauru, a Prefeita Suéllen, do Patriotas, tem se revelado uma verdadeira guerreira, lutando pelo município de uma maneira que os chamados políticos tradicionais, nunca fizeram. Bauru está se mostrando uma referência no combate aos delírios autoritários do Agripino.

  2. Boa entrevista. Que o governador exercite o princípio básico da democracia de ouvir e dialogar com as pessoas ao invés de taxar rótulos. Antes de 2022 tem a pandemia em 2021 e não é com agressões e intransigência que a questão se resolve.

  3. O DitaDoria queria que a prefeita fosse uma “vassala” dele, mas não conseguiu. Então, resolveu ofendê-la. Parabéns à jovem política, que está exercendo seu mandato com dignidade e respeito a seus eleitores. Já, o DitaDoria, como todos sabem, traiu seus eleitores ao abandonar a prefeitura da cidade de São Paulo e agora usa o governo estadual e a pandemia para atingir objetivos pessoais.

  4. O deslumbrado e sua equipe de bajuladores ainda não perceberam, ou não quiseram perceber, que São Paulo é atualmente o grande problema do Brasil. Em número
    proporcional por milhão de habitantes, o Estado tem o maior número de infectados e mortos que o país todo!!! Ainda não caiu a ficha de que a condução da pandemia pelo governo paulista está ineficiente??? Será preciso desenhar??? Se o deslumbrado tivesse realmente respeito pela saúde do povo teria a humildade de renunciar ao cargo e se retirar para a iniciativa privada, de onde jamais deveria ter saído. Portanto, sem autoridade para criticar!!!

  5. Enfim, uma MULHER de coragem, Repito: MULHER.
    E MULHER NEGRA que foi chamada de vassala por um totalitário disfarçado de democrata punhos-de-renda e nenhum/a desses supostos/as defensores/as comunistas de minorias que andam por aí atormentando gente que presta com seu discursinho enganador disse sequer uma palavra em sua defesa.
    Parabéns, Prefeita Suéllen, DIGNA representante da maioria das MULHERES brasileiras
    Parabéns, Revista Oeste, ÚNICA publicação informativa e opinativa honesta e decente da imprensa brasieira,

    1. Ela não é “negra” – no máximo, é mulata. De qualquer forma, parafraseando Morgan Freeman, deveríamos parar de copiar as más práticas segregacionistas dos EUA e simplesmente nos referir a PESSOAS independentemente de tom de pele.

  6. Parabéns prefeita. Fico orgulhoso e satisfeito de ver que ainda temos pessoas que se preocupam com as familias e futuro do povo brasileiro. #ForaDoria DITADOR

  7. O Agripino jamais esperava que uma mulher linda, inteligente e independente seria o maior obstáculo aos seus delírios absolutistas. Essa menina não tem dimensão da importância que alcançou

    1. (Patriota).
      Bom fia Cristyan e Álvaro.
      Sempre gosto de saber a qual partido pertencem. Neste caso apenas colei o que li acima, entre parenteses().
      Abcs

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