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Política

Rogério Marinho defende anistia e convoca para ato na Paulista

Senador critica STF e afirma que pressão das ruas é essencial

O senador Rogério Marinho (PL-RN) concede entrevista ao Oeste sem Filtro | Foto: Revista Oeste
O senador Rogério Marinho (PL-RN) concede entrevista ao Oeste sem Filtro | Foto: Revista Oeste

Durante entrevista concedida ao Oeste com Elas nesta terça-feira, 24, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o próximo domingo, 29, na Avenida Paulista, tem como objetivo central expressar insatisfação com o atual sistema judiciário brasileiro.

Segundo o parlamentar, o evento — cujo lema é Justiça Já — será uma oportunidade para a população se manifestar contra o que chamou de “banalização da jurisprudência” e “julgamento sumário e inquisitorial”.

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“É o momento em que o presidente nos convoca, nos chama, para estarmos todos na Paulista, para mostrarmos ao mundo e ao Brasil que existem brasileiros insatisfeitos com a forma como a justiça está sendo administrada no Brasil”, declarou Marinho. Ele ainda reforçou que “dificilmente teremos uma outra oportunidade de estarmos juntos”.

Um dos principais temas abordados na entrevista foi a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Marinho afirmou que muitos desses réus foram condenados de forma “em escala industrial”, sem individualização das condutas, e classificou as punições como “pedagógicas”, no sentido de gerar medo.

“Essas pessoas precisam ser liberadas, precisam ser soltas, essas pessoas que estão presas até hoje”, defendeu. O senador também expressou confiança de que o Congresso encontrará uma solução política antes do recesso parlamentar, previsto para meados de julho.

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Marinho questiona imparcialidade do STF em julgamento de Bolsonaro

O senador fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Flávio Dino, por sua participação no julgamento de Bolsonaro. Marinho alegou falta de isenção por parte dos ministros e afirmou que o presidente será julgado por “delito de opinião”.

“No Brasil, virou crime ter opinião sobre o seu sistema eleitoral”, disse. Ele ainda criticou o fato de ministros indicados por Lula estarem à frente do julgamento, ao mencionar nominalmente Cristiano Zanin, ex-advogado do atual presidente.

Sobre a atuação do STF em temas legislativos, como a regulação das redes sociais, Marinho classificou como invasiva e incompatível com a função original da Corte. “Há uma hipertrofia, há uma invasão de competência”, afirmou. Ele disse que o STF tem legislado no lugar do Parlamento, o que, em sua visão, “fere de morte a democracia brasileira”.

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O senador demonstrou preocupação com o avanço de propostas que, segundo ele, limitariam a liberdade de expressão nas redes sociais. Referiu-se à criação de um possível “Ministério da Verdade”, inspirado em analogia à obra 1984 de George Orwell.

“Parece brincadeira, eu estou com 61 anos de idade e estou vendo acontecer na minha frente, no meu país, no meu tempo, a distopia de George Orwell”, afirmou. Ele destacou que o combate a problemas legítimos como pedofilia e incentivo ao suicídio pode ser feito com os mecanismos legais já existentes, sem necessidade de novos órgãos de controle de conteúdo.

Sobre a possível regulação das redes sociais por parte do STF, Marinho declarou que o Congresso poderá reagir, mas reconheceu as limitações atuais de composição parlamentar. Ele mencionou a criação de um órgão relacionado à regulação da inteligência artificial como possível base para esse controle, ainda que em desacordo com o papel original do Judiciário.

“Eles vão tentar colocar alguma nova atribuição, já que estão regulamentando como se parlamento fosse”, declarou, ao sinalizar que a oposição poderá atuar para reverter esse cenário em legislaturas futuras.

A importância do povo na rua

Marinho defendeu que o caminho para eventuais mudanças passa pela política, especialmente pela atuação das ruas e das redes sociais. Para ele, a mobilização popular tem papel decisivo na sensibilização dos presidentes da Câmara e do Senado.

“A única maneira de mostrar a nossa indignação e a nossa irresignação (…) é mantermos a crítica permanente através das redes sociais e a pressão nos movimentos que acontecem pelo Brasil inteiro.”

O senador reafirmou a necessidade de reformar o sistema judiciário e restabelecer o equilíbrio entre os poderes da República, ao destacar que essa pauta deverá ser prioridade em um eventual novo parlamento a partir de 2027.

A entrevista foi encerrada com um novo chamado à participação popular: “Até o dia 29 lá na Paulista”, convocou. “Espero que todos que puderem ir, puderem comparecer, não deixem de estar presente lá, é importante pra nossa democracia.”

Leia também: “Nada me ocorre sobre Alexandre de Moraes”, artigo de Flávio Gordon publicado na Edição 233 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Rosângela Gomes
    Rosângela Gomes

    Neste próximo ato também deveria ser pedido o impeachment do desgovernante.
    Há uma insatisfação generalizada no país e o momento é propício. Lembram-se do movimento que culminou no impeachment da estocadora de vento? Tudo começou com os tais vinte centavos e logo todos perceberam que não eram apenas os vinte centavos que estão indignando a sociedade.

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