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Política

Tarifaço de Trump deixa Taurus à beira da falência

Maior fabricante de armas do Brasil depende do consumo norte-americano para se sustentar

O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula Vencendo a Corrida da IA, em Washington DC, EUA - 23/7/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters
Cada um dos 50 Estados define suas próprias regras, inclusive sobre o voto à distância | Foto: Kent Nishimura/Reuters

A imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, anunciada no começo deste mês pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode provocar um abalo histórico na indústria de armas do Brasil.

A Taurus, maior fabricante nacional e uma das principais fornecedoras de pistolas para os EUA, admite que poderá transferir toda sua produção para o território norte-americano. As tarifas, segundo a empresa, ameaçam diretamente 15 mil empregos.

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Oeste apurou que conselheiros e diretores da Taurus estão apreensivos com a iminente taxação dos produtos brasileiros. Como as leis do país dificultam o acesso de civis a armas, a maioria da produção de pistolas da Taurus (90%) é destinada aos norte-americanos, que consomem esses produtos com maior intensidade.

No ano passado, por exemplo, mais de 200 mil pistolas da Taurus foram vendidas para os EUA. Com o tarifaço, os custos de exportação ficariam proibitivos e comprometeriam a competitividade da empresa brasileira diante de concorrentes norte-americanos, como Smith & Wesson e Ruger. Em caráter reservado, uma fonte revelou a Oeste que as empresas de armas dos EUA aprovam a decisão de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres ao embarcar para a Pensilvânia, partindo do gramado sul da Casa Branca em Washington, D.C. EUA (15/7/2025) | Foto: Reuters/Jonathan Ernst/Foto de arquivo

Por que a Taurus depende dos EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2024, cerca de 60% das exportações brasileiras de armas e munições foram para os Estados Unidos. Pouco mais de 50% dessas vendas se originaram no Rio Grande do Sul. O Estado concentra não apenas a planta da Taurus, mas também parte importante de sua cadeia de fornecedores.

O CEO global da empresa, Salésio Nuhs, alertou para o impacto das tarifas. “Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados”, disse o empresário, em entrevista ao site Berlinda. “Ela não significa simplesmente diminuir margem. Significa inviabilidade total. Não existe margem que possa cobrir uma taxação de 50%.”

Nuhs criticou a atuação do governo brasileiro na negociação com os EUA. “Essa falta de habilidade está trazendo uma insegurança jurídica muito grande para os empresários do Brasil e uma insegurança para o trabalhador, que pode perder seu emprego simplesmente porque o governo não conseguiu negociar”, observou.

'Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados', afirmou Salésio Nuhs | Foto: Divulgação/Taurus
‘Se realmente perdurar essa questão da taxação de 50%, várias empresas e vários segmentos no Brasil ficarão inviabilizados’, afirmou Salésio Nuhs | Foto: Divulgação/Taurus

Os efeitos do tarifaço de Trump

A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo. De acordo com estimativas locais, R$ 520 milhões em exportações estão ligados ao mercado norte-americano, valor que representa quase 5% do PIB da cidade.

Analistas do setor armamentista afirmam que, sem os EUA, a Taurus dificilmente manteria a atual escala de produção. O mercado norte-americano é o maior do mundo para armas curtas e se constituiu ao longo de décadas como base principal da empresa brasileira. A tentativa de redirecionar a produção para outros países esbarra em barreiras comerciais e em menor potencial de consumo.

A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo | Foto: Divulgação/Taurus
A eventual saída da Taurus do Brasil poderia desencadear uma crise econômica no município de São Leopoldo | Foto: Divulgação/Taurus

Taurus enfrenta queda nas vendas

Mesmo antes do tarifaço, a Taurus enfrentava desaceleração. Depois de crescer fortemente entre 2018 e 2021, com salto de vendas de 1,2 milhão para 2,3 milhões de armas, o volume voltou ao patamar de 1,2 milhão em 2024. A queda foi provocada pela normalização da demanda pós-pandemia nos EUA e pelo endurecimento da política de armas no Brasil sob o governo Lula.

O anúncio de Trump, que relacionou as tarifas ao tratamento dado pela Justiça brasileira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acentuou a tensão no setor. Bolsonaro, antes de ser proibido de usar redes sociais, disse que não comemorava as tarifas, mas condicionou o fim delas a uma eventual anistia.

Jair Bolsonaro moção solidariedade PL Câmara
Jair Bolsonaro foi alvo de medidas do STF | Foto: Antonio Augusto/STF

Futuro incerto

Com fábricas no Brasil, nos EUA e uma joint venture na Índia, a Taurus avalia a transferência integral de sua operação para o mercado norte-americano. No entanto, especialistas duvidam da viabilidade do plano. A empresa poderia perder sua principal vantagem: preços mais competitivos em relação aos rivais norte-americanos, garantidos pelo custo de produção mais baixo no Brasil.

Se o cenário não mudar até 1º de agosto, a Taurus terá três opções: 1) substituir a demanda norte-americana por outro país, o que parece improvável; 2) receber subsídios do governo federal e operar em prejuízo; ou 3) apostar na flexibilização das leis brasileiras e contar com aumento no consumo nacional.

*Joint venture é uma parceria empresarial em que duas companhias se unem para criar um negócio, a fim de dividir investimentos, riscos e lucros.

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7 comentários
  1. Josue Jurgen Popov Pereira da Cunha
    Josue Jurgen Popov Pereira da Cunha

    Se eu fosse a Taurus, já coordenava uma mudança drástica da produção para outros países que não tivessem problemas tarifários.

  2. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Avisa o governo e o STF. É parar de prender manifestantes, senhoras, autistas, deixararam o Clesão morrer na cadeia, bloquear redes sociais de opositores, apoiar Hammas e Hesbolaa, apoiar ditadores pelo mundo. Só isso não é necessário viajar para América, o problema está aqui meamo

  3. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    A culpa é do analfabeto que ficou provocando os Trump , agora os brasileiros estão se ferrando

    1. Aeduardo
      Aeduardo

      E o dito cujo está preocupado com isto? Exatamente o que almeja. Uma convulsão social para através do confronto tornar-se um ditador a defender os pobres.
      Resta saber se o cálculo do desqualificado senil está em conformidade com a maioria absoluta dos brasileiros.

  4. Carlos Soares
    Carlos Soares

    Será que só eu estou vendo que essa questão da tarifa imposta aos produtos brasileiros pelo governo americ… ops… governo “estadunidense” está sendo encarada como um presente para a esquerda?
    Eles não querem acordo. Vão hostilizar, ofender, retaliar… Querem que a situação piore para conseguirem, mais rapidamente, destruir o país (como todo regime de esquerda faz nos países onde tomaram o poder) e ficar se vitimizando e culpando as sanções do “imperialismo estadunidense”.
    Querem acabar com o capitalismo, mas querem dinheiro do maior país capitalista.

  5. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    90% das empresas que terão prejuízo serão aquelas que APOIARAM e APOIAM o nazifascista do atual governo e stf/stj..
    VÃO sentir o prejuízo por tamanha aventura que patrocinaram nesses 6 anos…MERECEM! São grandes empresários ou seus descendentes Setubal, Salles, Gerdau, Ermirio Moraes, iiixxxii a listinha dos herdeiros dos barões é grande..
    são trairas e golpistas desde 1888.

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