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Política

Vorcaro muda versão sobre Ciro Nogueira em delação

Nova proposta do ex-dono do Banco Master atribui repasses a tentativa de obter benefícios políticos; PF avalia rejeitar acordo

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federa - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, alterou o conteúdo de sua proposta de delação premiada e passou a classificar como propina pagamentos atribuídos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A nova versão contrasta com o relato anterior, no qual o empresário afirmava que custeava viagens, festas e outras despesas do parlamentar apenas por amizade, sem esperar contrapartidas.

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Segundo pessoas que acompanham as negociações, Vorcaro agora sustenta que os repasses buscavam aproximar o senador e favorecer interesses do Banco Master em discussões no Congresso Nacional.

Vorcaro bancou férias de Ciro Nogueira na França, informa revista
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

A mudança ocorreu depois que a Polícia Federal (PF) avançou nas investigações da Operação Compliance Zero. A apuração identificou suspeitas de pagamentos mensais de R$ 300 mil a uma empresa ligada ao parlamentar. Em troca, o banco teria buscado apoio em matérias de interesse da instituição que tramitavam no Legislativo.

Ciro Nogueira negou irregularidades. O senador também afirmou que não apresentou projetos para beneficiar diretamente o Banco Master.

PF vê poucos avanços na nova delação

A segunda proposta de colaboração trouxe novas informações e endureceu a descrição de supostos crimes. Vorcaro acrescentou detalhes sobre a captação de recursos de regimes próprios de previdência de Estados e municípios para o Banco Master.

Apesar das alterações, investigadores avaliam que o material oferece poucos avanços em relação às provas já reunidas pela PF. Grande parte dos elementos analisados foi obtida em aparelhos eletrônicos apreendidos durante as investigações.

A nova versão do acordo segue sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que a colaboração enfrenta dificuldades para prosperar.

Até o momento, a defesa de Vorcaro não recebeu comunicação formal sobre a aceitação ou rejeição da proposta.

Caso o acordo fracasse, a Polícia Federal poderá solicitar a transferência do banqueiro para uma unidade prisional. Desde março, ele permanece em uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília, onde trabalha na elaboração da colaboração premiada ao lado dos advogados.

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