Conta de twitter do Bill Gates | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Reprodução
Conta de twitter do Bill Gates | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Reprodução

A democracia do bilhão

A batalha por alguns dos direitos elementares nas sociedades civilizadas está saindo do império das leis para o império da grana

O ricaço que quer comandar uma missão espacial resolveu iniciar os trabalhos na Terra mesmo. Nem precisou de foguete para fazer o Planeta tremer — de nervosismo, excitação, despeito, emoção e outras coisas mais. Há quem diga que o mundo começou a mudar de rota.

Elon Musk comprou o Twitter. O CEO da montadora Tesla e homem mais rico do mundo não fez um movimento discreto — tipo virar majoritário e agir gradualmente nos bastidores sem solavancos para a gestão da empresa. Musk saiu dizendo com todas as letras — no próprio Twitter — que estava ali para decretar a liberdade de expressão.

Bill Gates acompanha os movimentos de Elon Musk com uma postura dúbia. O fundador da Microsoft e atual investidor onipresente na área de saúde faz as ressalvas politicamente corretas de respeito ao megaempreendedor dos carros elétricos. Mas sempre que pode dá um jeito de depreciá-lo. Cada vez mais vai ficando claro que o mundo é muito pequeno para os dois.

Gates transformou o capitalismo em outra coisa. Com os confrades do Fórum Econômico de Davos, leva adiante a ideia de juntar seus intermináveis bilhões de dólares para dar as cartas sobre tudo — com uma bela embalagem de altruísmo, benemerência e todo um cardápio de virtudes comportamentais modernas. Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde — onde Bill colocou muito dinheiro — irá propor um tratado com vigência especial para períodos de pandemia. Nessas situações, segundo o tratado em preparação, as diretrizes da OMS seriam sobrepostas às leis nacionais.

Bill Gates é agente decisivo nessa conjunção de forças “contra a desinformação”

Entendeu a ideia? Todo esse enredo de lockdown e imunizantes emergenciais passaria de recomendação a determinação mundial, do jeito que a OMS ditar, acima da Constituição de cada país.

Como você também sabe, Bill Gates investe alto na indústria farmacêutica. E como vimos nos e-mails vazados do Dr. Anthony Fauci, assessor de saúde da Casa Branca e coordenador do enfrentamento à pandemia, houve uma articulação para controlar os conteúdos relativos à covid em circulação nas redes sociais. Bill Gates estava muito presente na correspondência eletrônica do Dr. Fauci.

Vá vendo qual é a rota de colisão entre Gates e Musk. O primeiro é agente decisivo nessa conjunção de forças “contra a desinformação” que tornou praticamente impossível, por exemplo, a discussão pública sobre tratamentos imediatos contra covid — sendo que no Brasil, para se ter uma ideia, o Conselho Federal de Medicina afastou a alegação de que seriam tratamentos conclusivamente inócuos ou perigosos e garantiu a autonomia dos médicos na matéria.

Ainda assim as autoconsagradas “agências de checagem” saíram carimbando como fake news qualquer referência a esse tipo de tratamento — e esta Revista Oeste inclusive derrotou na Justiça uma dessas entidades franco-atiradoras, que tentou desclassificar uma reportagem sobre esse assunto (entre outras).

Aí aparece Elon Musk comprando uma das grandes redes sociais e declarando que, dali em diante, aquele gigantesco universo de comunicação passa a ser livre dos controles de conteúdo. É uma boa notícia? Parece ser. E ao mesmo tempo assustadora.

O que há de assustador nisso? Simples: a batalha por alguns dos direitos elementares nas sociedades civilizadas está saindo do império das leis para o império da grana.

Falamos acima sobre a conduta, digamos, exótica da OMS e sobre as possíveis origens da sua inspiração. A mesmíssima constatação pode ser feita quanto a entidades reguladoras, judiciárias e governos inteiros. Onde está a fundamentação técnica sobre toques de recolher noturnos como medida eficaz para contenção epidemiológica? Em lugar nenhum. No entanto, esse tipo de medida brutal foi visto no mundo inteiro, sem qualquer revisão das instituições que guarnecem a democracia.

Infelizmente a legalidade virou uma abstração em diversas condutas institucionais da atualidade, não só no Brasil. E quem são os novos fiéis da balança? Onde está o lastro nas sociedades para aquilo que se chamava de Direito e hoje virou Vontade? Não sabemos ao certo. O que está evidente é que a nova institucionalidade tem estado sempre em consonância com a propaganda avassaladora da turma do Bill.

Quem sabe o companheiro Elon não empresta uns parafusos do foguete dele para dar uma recauchutada na democracia mundial?

Leia também “Fake news — modo de usar”

-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.

13 comentários Ver comentários

  1. Fiuza você é um gênio! Seus comentários são espetaculares. Não desista nunca. A história vai confirmar que as palavras ditas por você foram as unicas verdadeiras. As restantes foram narrativas de quem detesta o bom senso e adoram enganar.

  2. Fiuza brilhante como sempre. A que ponto chegamos onde um bilionário tem que comprar uma rede social para garantir a liberdade expressão. Tempos perigosos.

  3. Excelente apreciação feita por esse jornalista que me agrada sobremaneira por sua independência revelada em seus escritos. Inteligente e observador, o jornalista não complica o que, por natureza, é simples e ao mesmo tempo extremamente informativo.

  4. Mais uma vez, você está completamente correto. É muito assustador tanta concentração de poder nas mãos de bilionários, os donos das Big Techs. No momento, o Elon Musk defende a total liberdade de expressão e é totalmente contra a censura, mas as outras plataformas, não. Essas plataformas estão desenhando uma nova forma de poder econômico. Muitas funções sociais e políticas q são tradicionais dos Estados, estão passando para essas companhias. E esse Estado-plataforma realmente é muito assustador.

  5. Caro Fiuza, você diz que está assustado por acreditar que “a batalha por alguns dos direitos elementares nas sociedades civilizadas está saindo do império das leis para o império da grana.” Muito bem. Agora, só para eu entender: você também ficou assustado quando um multimilionário comprou o Instagram e o WhatsApp? Também achou, nessas ocasiões, que os “direitos elementares” estavam passando para as mãos dos imperadores da grana??

  6. Fiuza sou medico e sou seu fã pelas tuas afirmações embasadas tecnicamente ( que são constatações reais que observamos e pesquisamos) sobre a fraude da plandemia covid/vacinas/ lockdown/ passaporte sanitário. Vc esta 100% mais correto que 90% dos medicos gados todos doutrinados em “farsa” ciência! Mas discordo de vc quando enaltece o “poder” desses simples laranjas dos Rothschild- Rockefeller, vomo Kill Gates , Ellon Musk etc . A tirania esta chegando ao mundo a passos largos infelizmente. Será que nós, que estamos “despertos” e não queremos viver nesse futuro inferno nao poderiamos criar um movimento para que cada pais tivesse uma zona neutra ( tipo santuário como chamam os esquerdopatas democratas americanos, mas só que ao invés de ideais esquerdistas deles , ideias conservadoras ? ) Poderiamos sugerir a tão “ democrática “ ONU e Forum Econômico Mundial essa ideia !

  7. A ESQUERDALHA ALEGA QUE OS BILHÕES DE DOLARES UTILIZADOS NA COMPRA DO TWITER,SERIASM SUFICIENTES PARA ACABAR COM A FOME DO MUNDO……VAMOS PRESSIONAR PARA QUE O VENDEDOR UTILIZE ESSE DINHEIRO PARA ESSE FIM….

  8. Parabéns! Assustador mesmo esse novo tempo onde bilionários comandam o mundo. Nos anos 60/70 isso provocaria um cataclismo aqui na terrinha pelos mesmos que hoje acham isso bonitinho, hora de se estudar mais oligopólios e afins para poder cortar as asinhas desses folgadíssimos.

Envie um comentário

Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Meios de pagamento
Site seguro
Seja nosso assinante!

Reportagens e artigos exclusivos produzidos pela melhor equipe de jornalistas do Brasil.