Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
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No escurinho da transparência

“Você é o típico alienado. Saiba que alienação não é inocência. A sua indiferença é uma forma de cumplicidade”

— Confiante na eleição?

— Totalmente.

— O que te faz confiante?

— O combate à onda de ódio.

— Esse negócio de festejar facada, né? E jogar futebol com réplica de cabeça humana…

— Não. O que ameaça mesmo são as milícias digitais.

— Ah, é? Como é isso?

— O gabinete do ódio tem uma rede de milicianos invisíveis que espalham incitação a agressões à democracia e às instituições da República.

— Caramba. Isso é grave. E essas agressões são consumadas?

— Claro. Cada vez mais. Não está vendo? Em que planeta você vive?

— É, devo ter me distraído. Como são essas agressões?

— São ostensivas, na cara de todo mundo. As milícias vão trabalhando nos subterrâneos digitais, carregando os espíritos de ódio, espalhando a propensão à violência contra os guardiões do estado de direito. Uma hora isso transborda e a democracia fica encurralada.

— Já transbordou?

— Vou repetir a pergunta: em que planeta você vive? Não só transbordou, como foram diversas vezes nos últimos anos.

— Jura? Eu devo estar vivendo numa bolha mesmo, não vi nada disso.

— Você é o típico alienado. Saiba que alienação não é inocência. A sua indiferença é uma forma de cumplicidade.

— Poxa… Não foi a minha intenção.

— De boas intenções o inferno está cheio.

— Já ouvi falar nisso. Você tem razão, preciso calibrar minha observação das coisas ao meu redor.

— Observação só, não. Compreensão.

— Sem dúvida. Pode me ajudar?

— Claro. Mas saiba que, se você não se ajudar, nenhuma ajuda externa vai resolver o seu problema.

— Entendi. Então você me ajuda a me ajudar?

— Ajudo.

— Obrigado. Pra começar, queria ter uma ideia de como é o aspecto visual de um desses transbordamentos de ódio contra a democracia. Você conseguiria descrever?

— É a coisa mais fácil do mundo. Esses atentados se materializam na forma de multidões tomando as ruas do país de verde e amarelo. É assustador.

— Isso eu já vi. Só não sabia que era explosão de ódio contra a democracia. Eles disfarçam bem, né?

— São dissimulados. Mas não cola. A atmosfera de intolerância e inclinação fascista é evidente.

— Me enganaram direitinho. Eu vi sim essas multidões no Primeiro de Maio, no Sete de Setembro e em outras ocasiões. Pessoas sorridentes, tranquilas, com muitos idosos e até bebês de colo. Nunca ia imaginar…

— Tudo fachada. Bastaria você ter prestado atenção às manchetes do noticiário e veria a verdade estampada na sua cara: atos antidemocráticos.

— Tem razão. E mesmo com esses graves atentados à democracia você permanece confiante na eleição deste ano?

— Plenamente. A onda de ódio está sendo corajosamente enfrentada pelos que são do bem.

— Ótimo. Me ajuda a compreender essa parte também?

— Conta comigo.

— Obrigado. Quem é do bem?

— O TSE.

— Onde só existe a verdade, não há espaço para a mentira

— Tribunal Superior Eleitoral?

— Isso.

— Tá. E como ele faz o bem?

— Combatendo as fake news que alimentam a onda de ódio contra a democracia.

— Interessante. Fake news é notícia falsa, né?

— Muito mais que isso. Fake news é o crime organizado em forma de corrupção intelectual.

— Eita! O negócio é mais sério do que eu pensava. E o que faz o TSE para combater esse mal?

— Muitas coisas. Uma das principais é dizer que o sistema eleitoral brasileiro é totalmente seguro. Desencoraja os que querem fraudar a eleição.

— Mas se o sistema é seguro, por que se preocupar com fraude?

— Porque quem é do mal consegue o impossível.

— Isso é verdade.

— Você mesmo não estava crente que os atos antidemocráticos eram manifestações pacíficas?

— Estava mesmo.

— Então? Com o gabinete do ódio é assim. Você piscou, eles aprontam.

— Vou ficar atento. A propósito, o TSE já resolveu aquele problema da invasão ao sistema eleitoral em 2018?

— Já.

— Quem bom. O que ele fez?

— Encerrou o assunto e mandou apagar os arquivos do sistema.

— Isso resolve?

— Claro. Acaba com a polêmica. Polêmica é combustível para fake news.

— Faz sentido.

— Onde só existe a verdade, não há espaço para a mentira.

— Interessante, não tinha pensado nisso.

— Não precisa pensar. Basta compreender.

— Estou me esforçando.

— Está sim, e eu sou testemunha.

— Obrigado. Me ajuda então a entender uma última coisa.

— Manda.

— Como o TSE vai fazer para guarnecer a verdade absoluta?

— Já fez.

— Jura? O quê?

— Declarou que as dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro levantadas pelos técnicos da Comissão de Transparência são nulas.

— Como assim?

— Simples: informou que normas e procedimentos para a eleição deste ano já estão consolidados e não serão alterados. E que a garantia do devido cumprimento das regras de segurança do sistema é da competência exclusiva do TSE.

— Por que então o TSE criou uma Comissão de Transparência?

— Essa pergunta prova que o seu nível de compreensão das coisas à sua volta ainda está deficiente. Cuidado.

— Obrigado pelo alerta. Vou me esforçar mais.

— Conta comigo.

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