Lula e os ministros do STF | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/STF/SCO
Lula e os ministros do STF | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/STF/SCO

Decreta logo Lula o presidente!

Todo o comportamento supremo exala partidarismo, arrogância, autoritarismo e desprezo pela democracia, uma vez que o presidente que seus ministros tentam derrubar foi eleito com quase 60 milhões de votos

Apostura de nossa Corte Suprema se tornou totalmente partidária e enviesada, e não faltam exemplos para ilustrar o que todos já sabem. Temos ministros do STF que consideram o presidente Bolsonaro a incorporação do “mal”, do atraso, e que por isso tentam “empurrar a história” para certa direção, almejando derrubar o atual presidente. Há também ministros que perseguem bolsonaristas sem a menor cerimônia, ao arrepio das leis e da Constituição, inventando crimes novos de opinião e punindo até deputado com imunidade parlamentar.

A ala militante da imprensa, porém, fala em “atrito” entre os Poderes, e ainda dá um jeito de responsabilizar o presidente pela situação. O truque é semântico: chamar críticas ao STF de “ataques”, colocar a pecha de antidemocrático no presidente, e assim justificar cada ato irregular que vem do Supremo. A narrativa do momento é o suposto golpe bolsonarista, isso porque o presidente, ao lado de milhões de brasileiros, desconfia do processo eleitoral opaco que temos e clama por maior transparência. Isso seria inaceitável para quem confia cegamente em Barroso e garante que nossa urna é inviolável, a despeito de o sistema ter sido violado.

Todo o comportamento supremo exala partidarismo, arrogância, autoritarismo e desprezo pela verdadeira democracia, uma vez que o presidente que seus ministros detestam e tentam derrubar foi eleito com quase 60 milhões de votos. Não custa lembrar que Lula, o favorito segundo as “pesquisas”, só está solto e elegível graças a malabarismos supremos com base em filigranas jurídicas e tecnicidades bobas, como o CEP de onde o ex-presidente corrupto foi julgado. Ou seja, soltaram Lula e tentam criminalizar a todo custo todo apoiador bolsonarista próximo do presidente, além do próprio Bolsonaro.

O presidente entrou com queixa-crime nesta semana no STF contra Alexandre de Moraes por abuso de poder. A ação ajuizada é bastante embasada juridicamente e deixa evidente o caráter irregular do inquérito das fake news, usado como um “vale-tudo” de Moraes para perseguir aliados do governo. Mesmo sabendo da mínima chance de prosperar, pois é o próprio STF quem julga o caso, valeu como documento histórico para registrar o nível de absurdo supremo contra  Bolsonaro.

A relatoria caiu com Dias Toffoli, o ex-advogado do PT e criador do inquérito das fake news, que apontou no “dedaço” a relatoria para Moraes. Toffoli rejeitou a ação em tempo recorde, de bate-pronto, mandando arquivá-la, para a surpresa de ninguém. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, falou depois em “anormalidade institucional”, referindo-se à ação de Bolsonaro. Só não apontou quais seriam as tais anormalidades

Autoridades, por acaso, podem abrir inquéritos contra os seus críticos, instruir esses inquéritos, julgá-los, contrariando as posições do Ministério Público? Os acusados não devem ter acesso às peças acusatórias? Esses inquéritos podem ficar abertos por anos? Qualquer estudante do 1° ano de Direito sabe que estamos diante de enorme abuso de poder. Qualquer jurista mequetrefe, se tiver um pingo de honestidade intelectual e imparcialidade, saberá que Bolsonaro e seus aliados são alvos de uma perseguição política incabível. No entanto, a velha imprensa aplaude, pois odeia Bolsonaro.

A mídia trata as Forças Armadas como uma espécie de apêndice bolsonarista, como se os militares fossem capachos do presidente

O caso das urnas é igualmente chocante: numa canetada suprema, eis que um simples (e obsoleto) aparato tecnológico virou algo sacrossanto, uma cláusula pétrea da Constituição, blindada de qualquer crítica popular. Externar qualquer desconfiança com o processo eleitoral centralizado no TSE virou crime, pela ótica distorcida dos ministros. Mas, como escreve a procuradora Thaméa Danelon em sua coluna na Gazeta do Povo, “cada indivíduo é livre para acreditar ou não em determinados equipamentos eletrônicos; e também o é para ter sua opinião sobre qual mecanismo de apuração de votos é o mais adequado”. Ela lança uma pergunta retórica e provocadora: “Afinal, penso que vivemos em uma democracia, certo?”

Voltemos à cronologia dos fatos, pois isso é revelador: o próprio TSE convidou os militares para um tal Comitê de Transparência, sem muita transparência. As Forças Armadas, com os melhores técnicos de informática do setor público, até porque precisam lidar com guerra cibernética e garantir a defesa da soberania nacional, apresentam várias críticas, apontam os pontos fracos e oferecem sugestões. Isso tudo é tratado pelo TSE como mera “opinião”, e cada uma das sugestões é rejeitada.

Em seguida, o presidente Edson Fachin, que foi garoto-propaganda de Dilma Rousseff e é simpatizante do MST, resolve alfinetar as Forças Armadas e, num trocadilho infame, afirma que eleição é coisa de forças desarmadas. Esse é o mesmo Fachin, vale lembrar, que falou de risco de ataque hacker ao sistema, mencionando especificamente a Rússia quando Bolsonaro estava em viagem diplomática no país. O que faz a mídia diante disso? Prefere tratar as Forças Armadas, a instituição que goza de maior prestígio popular no país, como uma espécie de apêndice bolsonarista, como se os militares fossem capachos do presidente e fizessem parte de um complô golpista ao “atacar” as urnas!

É tudo tão bizarro, tão surreal que é preciso ser muito alienado ou cínico para simular normalidade no processo eleitoral deste ano. A ficha já caiu para milhões de brasileiros: o “sistema” quer se livrar de Bolsonaro custe o que custar, e não por eventuais defeitos seus, mas, sim, por suas virtudes. A patota do butim quer voltar a abrir torneiras que foram fechadas. A turma da pilhagem quer ministérios tratados como feudos partidários uma vez mais. Empresários safados querem a volta da corrupção comandada desde dentro do Palácio do Planalto. Artistas querem tetas estatais suculentas novamente. Ongueiros clamam desesperados pelo retorno de suas boquinhas. São muitos grupos de interesse organizados por motivos obscuros, e mascarando isso como “defesa da democracia”.

A julgar pelo grau de ousadia dos canalhas, seu desejo era logo decretar Lula o novo presidente e não precisar passar pelo esforço constrangedor do fingimento. O problema é que tem o povo, esse “ingrato”, essa cambada de “imbecis” que agora possuem voz pelas redes sociais. E há também as próprias Forças Armadas, que não parecem muito contentes com o teatro patético de quem tenta destruir nossa democracia em seu nome.

Leia também “O profeta supremo”

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37 comentários Ver comentários

  1. Parabéns, Rodrigo! Que Deus lhe dê forças para continuar escancarando a cortina com a qual pretendem obscurecer a vista dos brasileiros. Muito obrigada!

  2. Constantino, parabéns por esse maravilhoso texto. Ainda bem que sou assinante da Revista Oeste que tem colunistas do mais alto nível e credibilidade. Já que não leio, assisto, vejo e discuto nada do que esse imprensa marrom publica no Brasil.

  3. Comentário perfeito, querem tratar o povo como os “imbecis” que o senhor Xandão acredita, ou não, só está fazendo graça para sua plateia amestrada , pois, se assim acreditasse não estaria de armas em punho atirando para todos os lados.
    O povo é muito mais esperto que esse infame STF, é, também, mais justo.
    Reconhecemos em Bolsonaro o único capaz de deter essa sanha corrupta e imoral.
    Sabemos que o que move essa horda são interesses escusos , os mais variados, o dinheiro fácil abre o apetite desenfreado que escancara essas bocarras imorais , que enricaram à custa dos danos causados ao povo e ao país , como você vem repetindo sempre , de forma contundente e acertada.
    Muito bom saber que a lucidez jornalística ainda vive.

  4. O documento é histórico na QUEIXA CRIME, compromete todo o STF por omissão, o bate-bola oculto de moraesXfachinXtofolli escancara a posição dos demais.
    Os defensores togados da democracia atuam de forma ORGANIZADA, serão responsáveis pelos acontecimentos e lembrados pela perseguição implacável e parcial a políticos que divergem das suas ideologias.
    Nada como um dia depois do outro EXCELÊNCIAS!

  5. Excelente Constantino, agora entendo que há uma solução com o Ministério da Defesa impondo ao TSE a gestão da urnas eletrônicas pela equipe de TIs das FFAA, afastando temporariamente os TIs do TSE e desenvolvendo o software e a tecnologia atual para transparência com possível AUDITORIA digital, talvez com um arquivo que substitua o do VOTO IMPRESSO, ou seja, o eleitor ao CONFIRMAR sabe que seu voto estará na duas urnas eletrônicas, uma que vai para a apuração do TSE e outra para apuração das FFAA, AUDITORES e FISCAIS de partidos. Caso haja diferenças na apuração, será validada a urna apurada pelas FFAA.
    Nada entendo dessa tecnologia, mas penso que nessa fase da votação ainda não há manipulação desde que as FFAA desenvolvam o software.
    O Ministério da Defesa tem que impor ao JUDICIÁRIO que caso o TSE não aceite, as FFAA não se responsabilizarão e não se envolverão em possíveis conflitos para afrontar populares com a falta de transparência dos resultados “surpreendentes”.

  6. Muito bom esse resumo. Até quando vamos aceitar essas atitudes canalhas? Quais são nossos meios de ação? Já fizemos 50 passeatas consideradas “atos antidemocráticos”. Que mais? O Fiúza diz que a sociedade precisa reagir mas não diz como!!

  7. Muito bom esse resumo. Até quando vamos aceitar essas atitudes canalhas? Quais são nossos meios de ação? Já fizemos 50 passeatas consideradas “atos antidemocráticos”. Que mais? O Fiúza diz que a sociedade precisa reagir mas não diz como!

  8. Rodrigo, se voltar a cronologia mais um pouco o golpe dos supremos em conluio com os ungidos fica ainda mais uLULAnte.
    O congresso havia aprovado uma lei do voto impresso com maioria acachapante.
    O que fez o STF? Declarou inconstitucional, absurdamente. Ali já ficou claro que algo havia de podre.
    Foi descoberto que o sistema do TSE havia sido invadido, e o registro da invasão, o batom na cueca, havia sido apagado, sem deixar rastros.
    A PEC do voto impresso, que se tivesse o mesmo número de votos da lei do voto impresso seria aprovada, foi golpeada com o lobby supremo diante dos holofotes midiático, regado a fake news (volta da cédula de papel) e ameaças de desengavetamento geral de ações contra congressistas e julgamentos sumários. Isso nem chega a ser interferência em outro poder, é crime pura e simples.
    E agora, tentando cooptar as forças armadas para o teatrinho, sem sucesso, acabaram com um cala boca ignorando todos os pontos do relatório de melhorias e fragilidades do sistema eleitoral realizado pela equipe de caber segurança do exército.
    Só mesmo um rematado idiota para não perceber o que os “idiotas” já estão mais carecas que o Xerife de saber: eles soltaram o bandido comparsa favorito para levar uma eleição no gol de mão, sem VAR, na maradonice mais descarada, em consórcio com a velha mídia, os institutos de “pesquisa” a la carte, a máfia do Dendê, os grandes bancos e industriais oligopolistas ESG sedentos por reserva de mercado via regulações amigas, os empreiteiros e varejistas pixulequentos muy socialistas e os narco-partidos de esquerda e seus ditadores comparsas do foro de São Paulo.

  9. Infelizmente o STF terminou transformado em braço político na defesa da candidatura do Lulaladrão. No maior desespero e falta de absoluto respeito às reais funções desse tribunal, a maioria dos seus juízes não abre mão de ver o Bolsonaro destruído e o bandido de nove dedos empossado, na marra, na presidência da República. O nosso povo não pode permitir tal absurdo e reagir enquanto é tempo.

  10. Não temos mais STF. Seus membros, abertamente, declaram-se partidários do PT, apoio no passado e ações terrivelmente ideológicas, desabilitando-os, automaticamente de poder coordenar qualquer processo eleitoral, nem de julgar mais ninguém, tanto no TSE quanto no STF. Eles próprios estão nos dando a senha, temos que substitui-los, resgatar a credibilidade jurídica da instituição guardiã da constituição. Isso é o que da indicações políticas e não pelo mérito e conhecimento cabal das leis e dever patriótico. Colocaram pessoas despreparadas e promíscuas com os mais toscos interesses com seus padrinhos indicadores. Algo tem que ser feito ontem. Não vamos esperar eleição nenhuma, por favor.

  11. Um amigo me contou que tu aí nos EUA tem dito que o STF recriou o SNI E O DOPS para vigiar, censurar, bisbilhotar, encriminar, prender, humlihar e prender quem eles supõe que são terroristas. Até padres e coroinhas são controlados através de um programa fácil de se conseguir pelo correio e instalar num celular 5G. O SNI do STF é moderno e usando tecnologia de ponta não se interessa por regras soltas pela CF ou pelas Leis aprovadas no Congresso ou até mesmo no código de posturas de algum município no fundo do sertão. A HIstória está sendo vigiada. Só falta saber quem é o chefe do SNI/STF e qual seu projeto.

  12. Fui em uma reunião de condomínio para eleição do novo síndico, após a votação o presidente da mesa indicou o candidato com mais votos, o que foi questionado por UM dos candidatos, na hora ele pediu a recontagem dos votos, e para surpresa geral quem teve a maioria dos votos foi outro candidato. eu acho que essa eleição já tem o candidato vencedor INFELIZMENTE.

  13. Simplesmente sensacional. Parabéns, caro Constantino, pois fizeste uma extraordinária síntese dos fatos vivenciados por todos nós, brasileiros do bem.

  14. BRILHANTE, CONSTANTINO. QUANTO AO MOMENTO CERTO DE AGIR, JÁ FUI MAIS RADICAL .EXISTEM “FORÇAS OCULTAS” DE GRANDE POTENCIA E QUE PRECISAM SER NEUTRALIZADAS PARA NÃO HAVER UM CAOS SOCIAL…ACHO QUE O PR E AS FFAA SABEM QUAL SERÁ ESSE MOMENTO CORRETO

  15. Concordo com o autor e com os três comentários de até agora sobre o artigo. Mas não consigo afastar minhas dúvidas a respeito do apoio democrático que precisamos que venha das FFAAs. Confesso que, desde 7/09 estou de “pé atrás” com nossos generais…

    1. Concordo contigo, Saboia, há muito tempo o limite foi ultrapassado e o PR e as FFAA só ficam nos recadinhos. Sinceramente eu esperava mais autoridade deles. Ando muito preocupado.

  16. Estou sentindo mais uma nova queda-de-braço entre o presidente Bolsonaro e esses infames do TSE/STF, os infames rejeitaram as medidas dos militares e o Bolsonaro não abre mão delas de jeito nenhum. Está formado um novo impasse e se isso continuar dessa forma, talvez não tenhamos eleições esse ano por causa desse detalhe fundamental, tornar as urnas com impressora acoplada para torna-las o mínimo auditáveis. Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos.

    1. Parafraseando o Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” ou em outras palavras: Quem pode conduz os fatos para acontecerem conforme prevê e não fica na dependência de outrem para que isso venha a acontecer.

  17. As cortes do STF e TSE, com esses ”presidentes” sabemos no que pode dar, mas cabe a nós tentarmos mudar isso nas urnas, a não ser que haja fraude, pois, como estamos vendo, fica difícil acreditar que isso não ocorra, uma vez que nem as Forças Armadas foram ouvidas quando da ”vistoria” do sistema eleitoral. Fica difícil, um contra todo o sistema…

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