Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock

A Falha e o Tubo

Um dia esse jornal se encontrou com uma plataforma livre. Segue-se o diálogo travado entre os dois grandes veículos

Era uma vez um grande jornal isento chamado Falha de Sapê. Um dia esse jornal se encontrou com uma grande plataforma livre chamada O Tubo. O encontro se deu numa esquina escura da internet. Segue-se o diálogo travado entre os dois grandes veículos, a Falha e o Tubo, segundo uma fonte:

— Opa.

— Fala aí.

— Tô te esperando há um tempão.

— Desculpe. Perdi a hora censurando uns vídeos.

— Pelo menos fez o trabalho direito?

— Claro. Botei todos na sombra, pra ninguém encontrar.

— Isso é muito mais legal que remover, né?

— Muito mais. O autor fica com a ilusão de que tá falando pra um monte de gente e o vídeo dele não aparece pra ninguém ahahaha!

— Ahahaha!

— E lá no jornal? Resolveram aquele problema dos especialistas?

— Totalmente resolvido.

— Que bom. Ninguém mais tava acreditando naquele “dizem especialistas”, né?

— Tem sempre uns trouxas que acreditam em tudo. Mas era hora de mudar.

— Como é que vai ser agora?

— “Diz leitor”.

— Como assim?

— O “dizem especialistas” restringia muito, porque mal ou bem a coisa tinha que ser verossímil.

— Saquei. Genial!

— Não é? Com o “diz leitor” a gente pode falar qualquer barbaridade sem aquela chatice de ter que parecer fundamentado.

— Liberdade de expressão.

— No caso, liberdade de impressão.

— Perfeito. E ninguém reclamou que pra publicar o que o leitor diz não precisava do jornal?

— Ninguém. O pessoal recebeu como democratização do jornalismo.

— Eles compram qualquer coisa, né?

— Qualquer coisa.

— Falando em comprar: trouxe a muamba?

— Claro. Tá aqui.

— Mas não foi bem isso que a gente combinou.

— Foi o que deu pra arrumar.

— Mas faz o mesmo efeito da outra?

— Praticamente. Esse veneno realmente não resolve na hora, mas asfixia aos poucos.

— Ah, então por um lado é até melhor, né?

— Também acho. Você queria uma reportagem inventando um crime, pra poder riscar o fascista do mapa. Isso a gente não conseguiu fazer, estou com equipe reduzida.

Se eles mudarem pra Pingos nos Js acho que não teria o mesmo alcance, né?

— Muita gente de férias?

— Não. No curso de checagem.

— É bom esse curso?

— Uma porcaria. Mas a gente ganha pra fazer essa “capacitação”, aí não dá pra reclamar.

— Depois é só repetir a cartilha do patrocinador nas matérias.

— Exatamente. Claro que não precisava de curso pra isso, mas não custa nada cumprir o ritual ahaha.

— Ahaha.

— Então o que eu te trouxe é o seguinte: uma reportagem mostrando que você favorece os fascistas.

— Eu??!!

— Sim, você.

— Logo eu que vivo cortando cabeça e silenciando essa gente?

— É. No início você vai parecer mal na foto, mas logo todo mundo vai entender o jogo e te elogiar.

— Por quê?

— Porque você vai aproveitar a reportagem que eu te trouxe como justificativa pra sabotar aquele elemento mais perigoso. Não é isso que você quer?

— É. Mas como eu vou explicar o meu “favorecimento” a ele?

— Não precisa explicar. Quando você travar o canal dele, a alegria na patrulha vai ser tão grande que ninguém vai se lembrar do motivo.

— Será?

— Bom, você me disse que estava com dificuldade de boicotar esse elemento perigoso pela audiência enorme dele, que ia dar na vista. Estou te trazendo o pretexto. O resto é contigo.

— Tem razão. Obrigado. Mas posso te fazer mais um pedido?

— Manda.

— Será que algum daqueles intelectuais afetados que escrevem na Falha poderia fazer uma crítica ao alfabeto?

— Hein?

— Nem seria criticar o alfabeto inteiro. Só fazer um ataque filosófico à letra “i”.

— Como assim?

— Dizer que o “i” tem uma função subliminar de dominação das minorias pela elite branca e deveria ser banido da língua portuguesa.

— Acho que consigo sim. Posso saber pra quê?

— Pra acabar de vez com o elemento perigoso. Se eles mudarem pra Pingos nos Js acho que não teria o mesmo alcance, né?

— Bem pensado. Com certeza não. E sem o “i” a palavra Pingos também ficaria inviável.

— Isso. Atacaríamos em duas frentes.

— Deixa comigo. Vou pedir aos intelectuais aqui da Falha que pensem também numa proposta revolucionária para a substituição do “i” nas outras palavras.

— Que tal um punho cerrado?

— Genial! Você também é um intelectual. Quer escrever na Falha?

— Obrigado, não tenho tempo. Muito vídeo pra censurar.

— Imagino. Então boa sorte com a tesoura por um mundo melhor!

— Sucesso com as fake news de grife!

— É nóis!

— O certo é “nós”.

— Eu sei. É jeito de falar.

— Tá, mas vai procurando outro jeito porque nós vamos acabar com o “i”.

Leia também Fake news por um mundo melhor”

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17 comentários Ver comentários

  1. Está ficando redundante, mas não dá para não falar: Fiuza, você genial e sarcástico como sempre. Agora, cuidado para que não peguem as ironias e queiram pôr em prática. Não dê ideais para essa gentalha.

  2. Genial..; ops desculpa, qu()s d()zer gen()al.
    Desculpa também por esse ponto final, po() va() ser entend()do como (….) nos ()s

  3. Genial Fiúza!
    A campanha da falha & tubo contra os “Is” vai foder muito mais que os pingos: como vamos pronunciar Guilherme Fiúza? Como vamos elencar os outros comentaristas ? Caramba, não vai ter jeito: já antevejo os novos “pjngos nos Js” – decretado por Moraes atendendo petição falha – só com a Henkel e com o Nunes, caso estes se insiram na nova linguagem “ljvre” !

  4. Essa mídia é tão ridícula que não percebe que a era da cibernética chegou e eles estão virando pó. A única esperança é cheirá-lo

  5. Esse consórcio está morrendo de inveja não só do sucesso dos Pingos nos Is, da explosão de audiência e tal, mas se rasgando pq vcs são completamente livres para dizer oq realmente acham, não estão limitados a uma agenda, como eles, escravos da panfletagem e polícia do bom e honesto jornalismo.

  6. A ironia irrita ainda mais os pseudos jornalistas petistas da #folhalixo, que não toleram o bom jornalismo da Jovem Pan e dos Pingos nos Is. Querem censura-lo a qualquer custo. Não conseguirão. 😀😀😀😀

  7. É Fiuza, a coisa tá cada vez mais negra, digo, preta, digo, cor de burro quando foge. Eles não vão desistir de voltar a nos assaltar, ainda mais agora nestes tempos de regressão de pena e de incapacidade de solucionar os crimes (dizem que só 2% são resolvidos)!

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A Falha e o Tubo

Um dia esse jornal se encontrou com uma plataforma livre. Segue-se o diálogo travado entre os dois grandes veículos

Era uma vez um grande jornal isento chamado Falha de Sapê. Um dia esse jornal se encontrou com uma grande plataforma livre chamada O Tubo. O encontro se deu numa esquina escura da internet. Segue-se o diálogo travado entre os dois grandes veículos, a Falha e o Tubo, segundo uma fonte:

— Opa.

— Fala aí.

— Tô te esperando há um tempão.

— Desculpe. Perdi a hora censurando uns vídeos.

— Pelo menos fez o trabalho direito?

— Claro. Botei todos na sombra, pra ninguém encontrar.

— Isso é muito mais legal que remover, né?

— Muito mais. O autor fica com a ilusão de que tá falando pra um monte de gente e o vídeo dele não aparece pra ninguém ahahaha!

— Ahahaha!

— E lá no jornal? Resolveram aquele problema dos especialistas?

— Totalmente resolvido.

— Que bom. Ninguém mais tava acreditando naquele “dizem especialistas”, né?

— Tem sempre uns trouxas que acreditam em tudo. Mas era hora de mudar.

— Como é que vai ser agora?

— “Diz leitor”.

— Como assim?

— O “dizem especialistas” restringia muito, porque mal ou bem a coisa tinha que ser verossímil.

— Saquei. Genial!

— Não é? Com o “diz leitor” a gente pode falar qualquer barbaridade sem aquela chatice de ter que parecer fundamentado.

— Liberdade de expressão.

— No caso, liberdade de impressão.

— Perfeito. E ninguém reclamou que pra publicar o que o leitor diz não precisava do jornal?

— Ninguém. O pessoal recebeu como democratização do jornalismo.

— Eles compram qualquer coisa, né?

— Qualquer coisa.

— Falando em comprar: trouxe a muamba?

— Claro. Tá aqui.

— Mas não foi bem isso que a gente combinou.

— Foi o que deu pra arrumar.

— Mas faz o mesmo efeito da outra?

— Praticamente. Esse veneno realmente não resolve na hora, mas asfixia aos poucos.

— Ah, então por um lado é até melhor, né?

— Também acho. Você queria uma reportagem inventando um crime, pra poder riscar o fascista do mapa. Isso a gente não conseguiu fazer, estou com equipe reduzida.

Se eles mudarem pra Pingos nos Js acho que não teria o mesmo alcance, né?

— Muita gente de férias?

— Não. No curso de checagem.

— É bom esse curso?

— Uma porcaria. Mas a gente ganha pra fazer essa “capacitação”, aí não dá pra reclamar.

— Depois é só repetir a cartilha do patrocinador nas matérias.

— Exatamente. Claro que não precisava de curso pra isso, mas não custa nada cumprir o ritual ahaha.

— Ahaha.

— Então o que eu te trouxe é o seguinte: uma reportagem mostrando que você favorece os fascistas.

— Eu??!!

— Sim, você.

— Logo eu que vivo cortando cabeça e silenciando essa gente?

— É. No início você vai parecer mal na foto, mas logo todo mundo vai entender o jogo e te elogiar.

— Por quê?

— Porque você vai aproveitar a reportagem que eu te trouxe como justificativa pra sabotar aquele elemento mais perigoso. Não é isso que você quer?

— É. Mas como eu vou explicar o meu “favorecimento” a ele?

— Não precisa explicar. Quando você travar o canal dele, a alegria na patrulha vai ser tão grande que ninguém vai se lembrar do motivo.

— Será?

— Bom, você me disse que estava com dificuldade de boicotar esse elemento perigoso pela audiência enorme dele, que ia dar na vista. Estou te trazendo o pretexto. O resto é contigo.

— Tem razão. Obrigado. Mas posso te fazer mais um pedido?

— Manda.

— Será que algum daqueles intelectuais afetados que escrevem na Falha poderia fazer uma crítica ao alfabeto?

— Hein?

— Nem seria criticar o alfabeto inteiro. Só fazer um ataque filosófico à letra “i”.

— Como assim?

— Dizer que o “i” tem uma função subliminar de dominação das minorias pela elite branca e deveria ser banido da língua portuguesa.

— Acho que consigo sim. Posso saber pra quê?

— Pra acabar de vez com o elemento perigoso. Se eles mudarem pra Pingos nos Js acho que não teria o mesmo alcance, né?

— Bem pensado. Com certeza não. E sem o “i” a palavra Pingos também ficaria inviável.

— Isso. Atacaríamos em duas frentes.

— Deixa comigo. Vou pedir aos intelectuais aqui da Falha que pensem também numa proposta revolucionária para a substituição do “i” nas outras palavras.

— Que tal um punho cerrado?

— Genial! Você também é um intelectual. Quer escrever na Falha?

— Obrigado, não tenho tempo. Muito vídeo pra censurar.

— Imagino. Então boa sorte com a tesoura por um mundo melhor!

— Sucesso com as fake news de grife!

— É nóis!

— O certo é “nós”.

— Eu sei. É jeito de falar.

— Tá, mas vai procurando outro jeito porque nós vamos acabar com o “i”.

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