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Corporativismo midiático

Os jornalistas dos principais veículos de comunicação criaram uma espécie de clubinho, de patota onde ninguém solta a mão de ninguém

Não tenho a pretensão de ser um ombudsman da imprensa, mas muito antes de virar um comentarista político eu já era bastante crítico a duas posturas que me incomodam muito na maioria dos jornalistas: o viés ideológico mascarado de imparcialidade e o excessivo corporativismo. É verdade que esse “espírito de corpo” não é exclusividade da imprensa e existe em várias áreas, mas nunca vi nada igual nesse setor.

Os jornalistas dos principais veículos de comunicação criaram uma espécie de clubinho, de patota, de tribo onde ninguém solta a mão de ninguém. Uma vez parte desse clubinho, você será protegido pelos colegas, estará blindado de críticas, até mesmo quando confundir coisas óbvias, como aquilo que está escrito em nossa bandeira nacional. Você vai receber prêmios que são enaltecidos apenas pelo próprio clubinho, terá afagos constantes no ego, trocando elogios mútuos com seus pares.

O personagem de humor mais famoso das redes sociais, Joaquin Teixeira, resumiu bem: “Para quem não gosta de responsabilidades, eu indico o jornalismo: você pode falar o que quiser e quando é questionado sobre algo é só alegar que foi agredido”. Ele se referia ao novo ato de vitimização da jornalista Vera Magalhães, que mentiu dizendo que foi agredida pelo deputado Douglas Garcia, alegando que precisou até de escolta para sair do local onde estavam.

As imagens mostram fatos bem distintos: o deputado pode ter sido inconveniente ao cobrar explicações da jornalista naquele momento e daquela forma, mas jamais a atacou. Já Vera apertou o queixo do deputado, que é negro e gay, e chamou seguranças. Um colega seu da TV Cultura, Leão Serva, arrancou o telefone da mão do deputado e o arremessou longe, xingando-o de F.D.P. e o mandando para a P.Q.P. Quem foi agressor no caso?

Vera Magalhães e Douglas Garcia nos bastidores do debate na TV Cultura | Foto: Reprodução/Redes sociais

Podemos trocar de personagens num cenário hipotético para deixar mais claro o absurdo. Vamos imaginar que um parlamentar do Psol resolve questionar um “blogueiro bolsonarista” sobre seus ganhos públicos. Um colega blogueiro arranca seu celular e o arremessa longe, xingando-o e mandando-o para aquele lugar. O parlamentar é negro e gay. Qual a reação da velha imprensa? Sabemos a resposta a essa pergunta retórica: seria uma histeria sem tamanho contra os jornalistas, não contra o deputado!

Não obstante, todo o clubinho midiático embarcou na narrativa de que Vera Magalhães foi agredida, e o ministro Alexandre de Moraes, o imperador onipresente, chegou a determinar que a “ofensa” do deputado fosse analisada pela procuradoria eleitoral de São Paulo. O sistema tucanopetista se protege, não é mesmo? Eu adoraria que alguém me explicasse onde consta a ofensa ou o ataque na simples opinião pessoal de que determinado jornalista representa uma vergonha para o jornalismo nacional…

Eis a triste verdade: esse clubinho corporativista de jornalistas se acha acima do bem e do mal, pois exala empáfia e arrogância com sua visão de que são missionários numa cruzada moral, guias que devem apontar o rumo para o progresso a uma horda de ignorantes e bárbaros — sua própria audiência, formada por um monte de Homer Simpsons, segundo eles. Esses jornalistas jamais aceitariam ser cobrados na mesma moeda em que cobram os outros. Eles não entenderam que a bolha estourou com as redes sociais. Ou entenderam, e por isso mesmo fazem de tudo para censurá-las.

O antibolsonarismo histérico, seja por viés ideológico ou por corrupção, tem sido a cola que une essa patota corporativista. É assim que uma simples opinião vira “ataque”

Quando há o Congresso em Foco, uma eleição dos melhores parlamentares escolhidos por jornalistas, invariavelmente temos a turma da esquerda radical como preferida. Uma reportagem de Bruna Komarchesqui na Gazeta do Povo mostrou estudo que aponta o viés: “Em sua edição mais recente, uma das maiores pesquisas feitas com jornalistas brasileiros mostra que a maioria esmagadora (81%) dos que responderam sobre convicções políticas se declarara de esquerda (52,8%) ou centro-esquerda (29%). Por outro lado, apenas 4% dos jornalistas disseram ter posicionamento mais à direita (sendo 1,4% de direita e 2,5% de centro-direita). Até mesmo os que se identificam como extrema esquerda (2%) superam os que os que se dizem de direita”.

Mas, se você aponta o óbvio, o viés esquerdista da patota, você é recebido com pedras. Eles precisam manter as aparências, afinal, o ideal de isenção e imparcialidade aprendido na faculdade de jornalismo. Eles são JOR-NA-LIS-TAS, não esquerdistas ou militantes. Não importa que todos possam perceber o duplo padrão escancarado de quando entrevistam um petista ou um bolsonarista. Nossa mídia virou partido de oposição, os entrevistadores se acham debatedores quando o “alvo” é de direita, e, quando são cobrados da mesma forma com que cobram os políticos, bancam a vítima e alegam que foram “atacados”.

Não custa lembrar que são os mesmos que dizem que os atos patrióticos pacíficos e ordeiros do 7 de Setembro representam “ataques” às instituições democráticas. Estão todos unidos num esforço conjunto para derrubar Bolsonaro, mesmo que para tanto seja preciso trazer o ladrão de volta à cena do crime. São “jornalistas” que não se importam quando jornalistas, tratados como “blogueiros bolsonaristas”, são presos pelo arbítrio supremo. São “jornalistas” que pregam a censura a veículos de comunicação independentes e plurais, como a Jovem Pan — que possui mais petistas em seu quadro de comentaristas do que qualquer concorrente possui de conservadores.

A mais nova investida do clubinho foi justamente contra a emissora de rádio que virou TV e faz enorme sucesso por romper com essa “omertà” mafiosa, a espiral de silêncio imposta pelo clubinho. Guilherme Fiuza comentou: “A resistência democrática encontrou seu plano genial: capar a audiência dos Pingos nos Is na internet. Bravo! A censura é a alma da democracia. Ainda assim, considerem a possibilidade de um dia sair do armário. Vocês vão ver como é bonita a vista aqui fora”. Fiuza passou a chamar essa mídia corrompida de “consórcio”, e lamenta profundamente no que se transformou a velha imprensa. Resta a ironia mesmo: “Sobe para 99,9% o índice de jornalistas em transe dispostos a tudo para eleger um ladrão”.

A militância é tão bizarra que esses jornalistas precisam apagar o passado recente. Bolsonaro passou a representar a maior ameaça à liberdade de imprensa, sendo que não moveu uma palha contra o trabalho da mídia, enquanto Lula fala abertamente em controlar a imprensa e, quando esteve no poder, criou o famoso “PIG”, Partido da Imprensa Golpista. Sua tática consistia em ataques machistas e blogs “chapas-brancas” para radicalizar os ataques à imprensa independente.

O antibolsonarismo histérico, seja por viés ideológico ou por corrupção, tem sido a cola que une essa patota corporativista. É assim que uma simples opinião vira “ataque”, enquanto os constantes ataques contra o presidente viram mera opinião — ou pior, “reportagem”. Mas todos fora da bolha notam, e por isso a credibilidade da velha imprensa só faz desabar. Dentro da bolha, porém, ninguém larga a mão de ninguém, e um fica bajulando o outro. É constrangedor…

Globo anuncia os veículos que fazem parte do chamado “consócio de imprensa” | Foto: Reprodução/Youtube

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23 comentários Ver comentários

  1. Constantino, excelente o seu artigo. Fui assinante da “folha” por mais de três décadas, passei para o “estadão” por três anos e por cinco anos segui a “veja”. A “folha” dizia-se plural reunindo colunistas de esquerda e do outro lado “tucanos”. A diferença era que os primeiros eram militantes aguerridos e os segundos fracos e medrosos. A imprensa estrangeira (the economist, new york times, guardian etc.) não tem jornalista no Brasil, eles encomendam artigos a esses jornalistas do “consórcio” nacional e por isso mostram artigos enviesados (“biased”). Agora no Brasil surgiu uma direita, conservadora nos costumes e liberal na economia, com base ideológica e firme nos seus princípios. Esta direita já existia, mas era silenciosa, jornalistas como você Constantino e outros também brilhantes nos despertaram. A esquerda intelectual envelheceu, agora a direita é que tem intelectualidade, juventude e humor. Finalmente, temos como líder, uma pessoa autêntica, patriota e valente. Sou assinante da Revista Oeste, da Gazeta do Povo, do Brasil Paralelo, espectador da Jovem Pan e sigo os “youtubers” desmonetizados.

  2. Parabéns Constantino. Por isso assinei a Revista Oeste e assisto e ouço os Pingos nos Is todos os dias. Informação de qualidade, análises imparciais.

  3. Parabens a la gran parte de jornalistas que trabalhan en la Joven Pan .
    Seres Humanos ,decentes ,Patriotas,e comprometidos con a verdade !
    Continuen asi!
    O bem sempre triunfa !
    A verdade sempre llega ,
    Brasil 🇧🇷

  4. Perfeito, grande Constantino!
    Concordo integralmente com a descrição sua da ‘treta’ jornazista/deputado.
    Esquecem no entanto que ainda não estamos cegos e, com um aparelhinho
    chamado celular que todos possuem, podemos reproduzir instantaneamente
    vozes, imagens, etc, sobre qualquer evento que se deseje e paire alguma dúvida
    de avaliação.
    Um curto vídeo disponível gravado por terceiro participante do instante, reproduz
    a realidade daquilo ocorrido e, certamente de seu conhecimento, dá credibilidade
    ao relato deste artigo reposicionando a verdade da feroz agressão desproporcional
    sofrida pelo deputado.
    Muito bom acompanhá-lo sempre e instruindo-me com honestidade. Fico sabendo
    agora da existência do “clubinho jornalístico mafioso” a imperar na atividade em que você participa.
    Parabéns por repor com coragem a veracidade da situação corrida em sua análise crítica, desfazendo o linchamento quase unânime sofrido pelo parlamentar.
    Teria só eu próprio solitariamente entendido o fato e desdobramento midiático às avessas?
    Grande abraço de um seguidor que o tem como fonte crível do momento grave, e
    que em breve nos livraremos em definitivo de uma velhaca assombração.
    No primeiro tempo !

  5. Se não reagirmos, a coisa ficará pior. Por exemplo: porque não fazer uma devassa nos cartórios para obter as negociatas da Globo, do Pay-Pag(FSP), dos filhos do Lula, do empresário que cedeu a casa para lula morar, e por aí vai.

  6. Constantino brilhante e esclarecedor como sempre. Tirando os retardados, os “chances” da vida, quem mais acredita nesse consórcio.

  7. eu assistia, todas as noites, o jornal da cultura como também assinava a Veja, a mais ou menos três anos deixei de assistir o jornal da cultura e cancelei a assinatura da Veja, fiquei cansada de “passar raiva” com tanta manipulação ideológica.

  8. É muito pior. No interiorzão, a maioria dos órgãos de imprensa boicotam escritores, pesquisadores e cientistas que não são de esquerda (e podem não ser de ninguém). Eu mesmo já fui vítima. Hoje em dia, idoso e com probleminhas de articulação nas palavras, não dou mais bola. Dou um exemplo: um historiador-genealogista com uma obra de 57 volumes não merece nenhuma linha ou frase na imprensa “democrática” da esquerda voadora. Principalmente quando a tese mais importante da obra é dizer que o Brasil é multiracial e que o patrimônio cultural no somatório índio + branco + negro formou um povo maravilhoso que se adaptou muito bem, graças a Deus, com a miscigenação. Imagina que por aqui exitem dois municípios pequenos que 90% da população é branca e de origem alemã e que elegeu por dois mandatos duas prefeitas negras! Um poeta que formata versos que a esquerda não gosta é abafado, nem como sendo o primeiro gaúcho a utilizar comercial do livro na tv e ao mesmo tempo a linguagem de libras… O pioneirismo só serve para quem é marxista e que diz que Deus é fascista.

  9. E eles estão errados??? VC ve uma inexpressiva vera Magalhaes intimando um segurança para retirar um deputado estadual e todo mundo se escondeu debaixo da cadeira afinal a agressora é mulher e jornalista, Ao fundo se via o “pirilampo” do SakaMORTO para cima e para baixo Os jornalistas sérios e independentes são bunda moles covardes e a “imprensa militante “coloca a mulherada na frente e vai pra cima É essa a diferença

  10. Esses jornalistas, antes de falar em ideologia, eles são tão despreparados que não sabem o que é ideologia, eles são os surrupiadores do dinheiro público. São a favor de Lula não é porque são socialistas, eles são a favor do dinheiro que o Lula passou pras empresas de jornalismo. Um só exemplo, Lula entregou 213 milhões pra um órgão desse nos 4 anos do primeiro governo, Bolsonaro, 2 milhões. Se eu tivesse no lugar de Bolsonaro não entregava 1 centavo

  11. Cancelei minha assinatura na Veja quando esta mudou sua linha editorial (leia-se tornou-se um puxadinho esquerdista). Fiz a mesma coisa com o Estadão, a gota d’água foi aquela primeira página cheia de covas abertas por ocasião da fraudemia. Creio que milhares de assinantes desses veículos fizeram o mesmo pelo que a gente vê nos números de tiragem deles. Não entenderam que são os leitores o seu maior patrimônio e não aquele pessoalzinho que vive numa bolha em um mundo paralelo, em que a realidade não existe. Na realidade, não são jornalistas, são jornazistas.

  12. Velha tática da vitimização. Ele provocam e quando a outra parte reage eles se fazem de vítimas. Ele não fez nada demais, mas nesse momento é preciso estar muito atento as imagens. Uma reação enérgica é facilmente transformada em agressão, violência, etc.

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