Pular para o conteúdo
publicidade
Ilustração: Revista Oeste/Shutterstock
Edição 145

Negacionismo lulista

Ao ignorar os resultados positivos alcançados pelo governo Bolsonaro e a herança perversa deixada por Dilma Rousseff, Lula mostra que não aprendeu nada desde que deixou o poder

Artur Piva
-

Quem lê o relatório final do Gabinete de Transição de Lula chega à conclusão de que o Brasil está à beira de um colapso. Das cem páginas produzidas pelas mil pessoas que compuseram a peça, 46 são usadas exclusivamente para afirmar que o governo Bolsonaro deixou uma “herança perversa”. O negacionismo matemático da equipe coordenada por Geraldo Alckmin ignora de forma proposital a série de resultados positivos alcançados nos últimos quatro anos em quase todas as áreas.

Lula fez o mesmo em seu primeiro mandato, quando inventou outra mentira: a “herança maldita” de Fernando Henrique Cardoso. Em janeiro de 2003, caiu no colo do petista um país com a inflação sob controle, modernizado pelo início da privatização de mamutes estatais e vigiado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Lula também sabe que o Brasil deste fim de dezembro é infinitamente melhor que a terra arrasada deixada por Dilma Rousseff.

Negacionismo econômico

No plano econômico, por exemplo, o relatório ignora o enfrentamento à pandemia de covid-19 e as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia e critica Bolsonaro por entregar o país com uma média de 1,5% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O texto também omite que, em 2015 e 2016, últimos anos de Dilma no poder, a economia nacional registrou queda anual de pouco mais de 3%.

A peça esconde ainda que a petista deixou a Presidência com um legado de desemprego em massa e descontrole inflacionário. O cenário é muito diferente do atual: pela primeira vez na história, para um ciclo de 12 meses, o Brasil tem uma inflação menor que a de países como Estados Unidos e Alemanha — referências mundiais de desempenho econômico.

Esse negacionismo matemático omite as perspectivas de crescimento do PIB brasileiro, em linha com o desempenho global e chinês e acima da estimativa para nações desenvolvidas. As projeções são feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e revelam que o Brasil, a China e a economia mundial vão encerrar o ano com cerca de 3% de crescimento, enquanto os norte-americanos e os alemães devem ter metade desse desempenho.

A situação atual é oposta ao resultado deixado por Dilma. No fim de 2016, o mesmo FMI previa retração na economia brasileira e crescimento econômico para a China, a Alemanha, os EUA e o mundo.

Mesmo enfrentando a pior crise sanitária da história e uma situação geopolítica desfavorável, o Brasil governado por Bolsonaro gerou quase 5 milhões de vagas formais de trabalho. Somando os trabalhadores informais e autônomos, o resultado chega a cerca de 100 milhões de empregos, um recorde.

As relações com o mercado externo ajudaram a impulsionar esses empregos. A receita com as exportações entre janeiro e novembro passou de US$ 300 bilhões — valor nunca atingido antes.

O grupo de transição do PT, no entanto, preferiu destacar a diminuição da participação da indústria de transformação na pauta de exportações. Os negacionistas de Lula escondem, contudo, que o faturamento apenas desse segmento com o mercado externo em 2022 corresponde à receita de todo o comércio internacional em 2016. Os dois valores são próximos de US$ 170 bilhões e US$ 180 bilhões, respectivamente.

Mudança de paradigma

Os números positivos do atual governo mostram um setor privado — grande gerador de riqueza e emprego — mais disposto a investir. A tendência se reflete, por exemplo, no setor de infraestrutura — o que também é ignorado pela equipe de transição.

“Na infraestrutura logística, os principais retrocessos a serem revertidos pelo novo governo são a brutal queda do investimento público e a falta de mecanismos de governança dos programas de investimentos estratégicos”, escrevem os petistas. Essa afirmação despreza os quase R$ 120 bilhões em contratos firmados com a iniciativa privada só para a infraestrutura de transporte nos quatro últimos anos.

Durante a campanha eleitoral deste ano, Lula chamou o agronegócio brasileiro de fascista. Seguindo a mesma trilha aberta pelo chefe, o gabinete de transição fechou os olhos para os resultados extraordinários de um setor que dá exemplo para o mundo

Segundo o governo federal, R$ 20 bilhões desse montante foram empregados para a conclusão de 364 obras. Por volta de 6 mil quilômetros de rodovias passaram por intervenções, entre pavimentação, duplicação e recapeamento. Das concessões realizadas pelo governo, existem cem ativos para serem construídos. A lista inclui estruturas de diversos tipos, como 32 novas ferrovias. A mudança de paradigma criada e aplicada entre 2019 e 2022 colocou o setor privado como o grande investidor.

A estratégia resultou num cenário favorável para que grandes empresas pudessem oferecer soluções mais ágeis para problemas que assolam o país desde sempre. Entre elas, o saneamento básico. O Marco Legal para esse setor, aprovado pelo governo federal em 2020, abriu caminho, por exemplo, para o governo de Alagoas atrair investimentos bilionários em concessões da rede de abastecimento de água e coleta de esgoto do Estado.

“O êxito no leilão, que levantou R$ 4,5 bilhões, é o resultado de uma agenda que vai transformar Alagoas em uma terra melhor, primeiramente, para quem vive lá e para quem nos visita”, disse na época o então governador, Renan Filho, futuro Ministro das Cidades de Lula. O relatório da equipe de transição, entretanto, ignora a nova realidade e afirma que “houve uma redução de 99,5% na previsão orçamentária para saneamento, em 2023, o que deve afetar obras em andamento, o início de obras aprovadas e/ou licitadas pela Caixa, e a retomada de obras paralisadas nos últimos anos”.

A negação pela negação

Durante a campanha eleitoral deste ano, Lula chamou o agronegócio brasileiro de fascista. Seguindo a mesma trilha aberta pelo chefe, o gabinete de transição fechou os olhos para os resultados extraordinários de um setor que dá exemplo para o mundo. Uma das expressões usadas no relatório é “queda na oferta de alimentos saudáveis”.

O agronegócio brasileiro encerra 2022 com safra recorde de grãos, tendo como carros-chefes a soja e o milho. O Brasil é ainda o maior exportador mundial de itens como café, açúcar, suco de laranja, além de carne bovina e de frango.

Em visita ao país em abril deste ano, Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), fez questão de destacar a importância dos produtos agrícolas locais. Ela salientou ainda que o agronegócio brasileiro tem papel fundamental na segurança alimentar global.

“Sei que o mundo não sobrevive sem a agricultura brasileira”, disse Ngozi. “Precisamos pensar nos desafios futuros, não só do Brasil, mas do mundo todo. Estou animada sobre o que o Brasil tem a dizer quanto à área ambiental e às tecnologias produtivas com potencial de descarbonização.”

YouTube video

O resultado não pode ser transitório

Apesar do que afirma o relatório da equipe de transição, os números mostram que o governo Bolsonaro, embora tenha conduzido o país em um dos períodos mais hostis da economia global, conseguiu estabelecer uma economia mais livre, mais aberta e menos dependente do Estado. Ministros como Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) conquistaram resultados sólidos, que permitiram o início de um novo ciclo de prosperidade.

A gestão feita nos últimos quatro anos soube aproveitar as realizações de governos anteriores e acertar o passo nos pontos que precisavam ser mudados. O próximo governo receberá mais uma vez de mão beijada uma herança bendita. Mas o desprezo de Lula pelos fatos mostra que o petista não aprendeu nada desde que deixou o poder.

Leia também Herança bendita

6 comentários
  1. Joel Luiz Oliveira Rios
    Joel Luiz Oliveira Rios

    A degradação política, moral e econômica em que nos encontramos precisa ser resolvida à qualquer custo. Esta é uma guerra a qual a Naçao e o povo brasileiro terá que enfrentar custe o que custar, ou o comunismo poderá prevalecer. Penso que seria vergonhoso e de uma covardia inominável ao menos não lutarmos pela democracia e pela defesa da nossa Constituição a qual preconiza vivermos em uma nação democrática onde podemos exercer o nosso direito de expressão e dentro de um estado democrático de direito, cada cidadão sendo naturalmente responsável pelos seus atos, e exercendo com liberdade seus direitos e deveres de cidadão. É assim que a nossa CF nos autoriza e assim viveremos, custe o que custar.

  2. James Cesar M A Souto
    James Cesar M A Souto

    O triste é que nem adianta repassar um texto deste nível, em forma e conteúdo mais do que didáticos, para quem colocou esta pessoa e os seus para tomarem conta desse país.
    Mais difícil do que ver esse terceiro mandato acontecer, e o mandatário ter plenos poderes políticos, é entender a mente de quem o reconduziu ao poder máximo da nação.

  3. Tiago Márcio Cintra De Oliveira
    Tiago Márcio Cintra De Oliveira

    Pelos resultados financeiros do dia, saímos da era da curva em “V” do Paulo Guedes para a curva em “L” da dupla Lula-Haddad. A economia vai cair (parte vertical da letra L) e se manter embaixo (na base horizontal do L) …. começaram “muito bem”.

  4. Thompson Fernandes Mariz
    Thompson Fernandes Mariz

    Não aprendeu e nem vai aprender, até porque o intuito é implantar outro modelo de governança. Um horror. Espero que o Congresso Nacional, com a nova composição, barre esse projeto bolivariano – e subdesenvolvido – no nosso país.

  5. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Agora é ter foco na meta para tirar o quanto antes o desgoverno do PT que vem aí, com quase 40 ministérios; PEC aprovada do Rombo do Teto de Gastos; aumento salarial absurdo para presidente, senado, congresso e STF – de onde sairá o dinheiro para toda essa gastança? Aumento absurdo nos atuais impostos, além da criação de novos impostos e tributos. Para piorar, a censura pesadíssima e vigilante da mídia e redes sociais. É isso: temos de tirar o PT durante 2023. Urgente.

  6. Jose Carlos Rodrigues Da Silva
    Jose Carlos Rodrigues Da Silva

    As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades. Millôr Fernandes

Anterior:
‘O estado de espírito modula o sistema imunológico’
Próximo:
Carta ao Leitor — Edição 225
Newsletter

Seja o primeiro a saber sobre notícias, acontecimentos e eventos semanais no seu e-mail.