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Edição 322

O pomo

Desde a instalação da República, o Brasil tem se especializado em perder uma oportunidade atrás da outra e nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo

No 13 de Maio, como em todos os anos, refizeram-se discussões sobre a Lei Áurea, que aboliu a escravatura, há 138 anos. A Princesa Isabel, como regente, pois o pai, Pedro II, estava fora do Brasil, enviou o projeto ao Parlamento numa terça-feira, a Câmara o aprovou na quinta e o Senado no domingo. No mesmo domingo, 13 de maio de 1888, a regente sancionou a Lei Áurea e a mandou para o Diário Oficial publicar. O Senado trabalhou até no domingo. Porque o pomo estava maduro e era hora de colher o fim da escravidão. A Independência também foi a colheita de um pomo que já estava maduro. Leopoldina, regente enquanto o marido estava fora da capital, enviou ao Príncipe Pedro mensagem para que não esperasse mais: “O pomo está maduro; colhei-o já, senão apodrece”. Mas a Monarquia foi derrubada e a República passou a perder um pomo precioso atrás de outro, deixando-os apodrecer.

O Senado brasileiro passando a lei que aboliu a escravidão no país, em 13 de maio 1888 | Foto: Domínio Público

Só vou citar os pomos que caíram de podres em que fui contemporâneo, a começar pela oportunidade de termos assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto. Lutamos na Itália, lá deixamos sangue, rompemos a Linha Gótica da defesa alemã, ensinamos os americanos a tomar uma cidade e a conviver com vencidos e com a população, mas o Brasil anulou os vitoriosos antes mesmo de para cá voltarem. Os americanos retiraram os alemães do norte da África porque puderam usar o Trampolim da Vitória no saliente nordestinoEstávamos cotados para ser o sexto integrante do Conselho de Segurança, representando a América Latina. O pomo estava maduro e não soubemos colhê-lo naquela oportunidade. Até hoje fazemos discursos querendo o lugar.

Os constituintes de 1988 tiveram a humildade de julgar que o trabalho estava imperfeito e previram uma revisão em cinco anos, com aprovação por maioria simples. Uma comissão de notáveis parlamentares fez o trabalho. Reformas administrativa, tributária, previdenciária, trabalhista, política, aproveitando os defeitos que a experiência mostrava. Pomo maduro. Não colhemos porque o MDB de Quércia julgou que reduziria o número de municípios. Até hoje lutamos por causa do apodrecimento dos tributos, previdência, polícia, administração. 

O senador Orestes Quércia | Foto: Senado Federal

Nos anos 1990, o deputado federal Flávio Rocha trouxe ao debate nacional o imposto único. O Brasil seria um gigantesco paraíso fiscal, com um único imposto de 1% sobre a movimentação bancária. Havia crise na Ásia e centenas de bilhões de dólares procuravam um país para pousar. Mas a banca ameaçou os políticos de não financiar campanhas eleitorais, e o projeto que poderia converter o Brasil num país de primeiríssimo mundo foi para o lixo. E o Brasil também. Parece que somos masoquistas. 

A terra é fértil, o clima é bom, os pomos são atraentes, mas não os colhemos. Quando El-Rey Dom Manuel recebeu a notícia de que Colombo, em nome da Espanha, chegara a terras a oeste, percebeu que havia um pomo maduro do outro lado do mar e aquém do meridiano de Tordesilhas, e mandou o nobre Pedr’Álvares Cabral colher o fruto imediatamente. Parece que perdemos a vocação portuguesa da colheita, por último praticada pela Princesa Imperial Isabel. Agora somos uma árvore cheia de pomos podres, que contaminam seus galhos, seu tronco e suas raízes. Estamos imóveis, vendo a podridão cair e empestar o chão brasileiro. Nossa imobilidade vai acabar nos apodrecendo também. 

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6 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Alexandre Garcia foi crivo na história

  2. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Alexandre Garcia, sua análise é cirúrgica e vou além. A república com “R” minúsculo mesmo foi anunciada. Em algum momento ela deverá ser proclamada para tornar o país viável internamente bem como no cenário geopolítico onde temos um enorme pomo podre.

  3. Mariza
    Mariza

    Na mosca, caro Alexandre Garcia. Espero que todos pomos podres que abundam pela Brasilia corrupta sejam, após as eleições, removidos para uma grande composteira e sirva de adubo para a nova safra, que haverá de ser abundante, transformando a tirania, o despotismo judicial, a corrupção abrangente para fora de nossa Pátria! E surja uma Nação justa, honesta, próspera e com menos desigualdade social e politicos interessados em trabalhar limpo e para todos.

  4. José Ricardo da Costa Aguiar Alves
    José Ricardo da Costa Aguiar Alves

    Excelente artigo, como sempre. Um pequeno reparo: na volta da América, Colombo reuniu-se com o rei Dom João II de Portugal (e não Dom Manoel).

  5. Oldair Dorigon Bianco
    Oldair Dorigon Bianco

    Falou tudo Alexandre, país desgraçado, gente imunda… nunca irá sair da merda que criou.

  6. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    Apois, Brasil velho de guerra… O TEMPO, O ESPAÇO, A NEGAÇÃO E A IMPRENSA VENDIDA
    “Sim, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) recebeu cerca de R$ 1,12 milhão do Banco Master entre 2021 e 2025 para contratos de publicidade institucional, patrocínio de eventos e mídia digital, sabe Deus o que isso seja” COMO O ESTADÃO PODE APONTAR O DEDO PARA ALGUÉM SOBRE O BANCO MASTER DO VORCARO, QUANDO ELE MESMO, O ESTADÃO, RECEBEU DINHEIRO DO VORCARO?
    O Estadão, CENSURADO por anos pelo Governo Sarney, não aprendeu nada sobre o Brasil. Atolado em dívidas, à beira da insolvência, o Estadão rendeu-se à Faria Lima e outros baronetes do dinheiro, como o também à beira da insolvência, o Grupo Raízen, para respirar enquanto espera a próxima fuga de assinantes. Fosse o Estadão uma empresa atuando em outro segmento da economia, seria mais uma operação de financiamento, levando-se em consideração que Bancos não têm coração, mas cofres. O Estadão, foi honesto em priscas eras, naquele distante tempo em que o Fernando Sarney mandava na CBF, mas o Estadão, sequer faz menção aos apaniguados do Ministro do STF Gilmar Mendes em posições de mando na mesma CBF. A seletividade do Estadão nos casos Sarney X Gilmar Mendes, dá bem o esquadro, o compasso e a régua e o cinzel do que é hoje o Estadão. Vamos pensar, Carlos Andreazza?. “Vorcaro não estava investindo no filme, mas na relação com Flávio Bolsonaro.” É mesmo, Andreazza? Onde então você estava, quando o mesmo Vorcaro pagou caro para ter aproximação com o Ministro Alexandre de Moraes? “No dia em que foi preso, o banqueiro Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master) enviou uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, perguntando: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?” Você quer mesmo mais assuntos sobre APROXIMAÇÃO? “Segundo o dono do Master, o vazamento seria “péssimo”, mas poderia ser um “gancho para entrar no circuito do processo.” “A influenciadora digital Martha Graeff, perguntou ao banqueiro se o ministro Alexandre de Moraes “GOSTOU DO APARTAMENTO?” em uma conversa interceptada pela Polícia Federal.” Mais aproximação, Andreazza. “A degustação de whisky em Londres financiada pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocorreu em 25 de abril de 2024, custou cerca de US$ 640 mil.” No George Club, um clube de elite localizado no bairro de Mayfair, em Londres, estavam, Andreazza, o Daniel Vorcaro estava na companhia dos Ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o então ministro da Justiça do LULA, Ricardo Lewandowski, o PGR Paulo Gonet, o Diretor-Geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, o Ministro Benedito Gonçalves, o Presidente da Câmara Hugo Motta e o advogado do Vorcaro, Ciro Soares.” Em valores de hoje, 15/05/2026 às 10:12, Andreazza, a farra não custou ao Vorcaro, mas a quem ele enganou, R$ 3.244.800,00. Lembro a você, Andreazza, que o mesmo VORCARO patrocinou filmes sobre LULA e TEMER, é o mesmo VORCARO que injetou 160 MILHÕES DE REAIS na Globo através do Domingão do Huck. Mas você, Andreazza, se viu, omitiu ou o Estadão lhe calou. “Corruptores que se enrolaram na Lava Jato financiaram filme sobre Lula.” Odebrecht, JBS, OAS, Camargo Corrêa, EBX, Andrade Gutierrez, Techint, Votorantim, OI, entre outras empresas. A produção foi da B&T Produções, de Luiz Carlos e Paula Barreto. O filme sobre o LULA, Andreazza, lançado em Janeiro de 2010 custou 12 MILHÕES de Reais, que corrigidos pela SELIC, na calculadora do Banco Central, equivalem a R$ 55.648.609,89 (REAL). Quer mais “aproximação” Andreazza? Já que você, jornalista de renome, pode falar sobre o que quiser, essa é a LEI que você muito negou, e já que o Flávio Bolsonaro “queria” proximidade com VORCARO, você tem vez e voz para conclamar a ESQUERDA a instalar a CPMI do Banco Master, que dormita desde 3 de fevereiro de 2026 em gavetas que o SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL não quer que seja instalada, apesar das 280 assinaturas (238 deputados e 42 senadores), superando o mínimo necessário para investigar supostas fraudes e irregularidades. Bem que você poderia ajudar a hastear a BANDEIRA DA VERDADE e colocar tudo às vistas do povo. O Flávio Bolsonaro, como qualquer outra pessoa pública tem que ser transparente, a mesma transparência que foi negada quando a CPMI do INSS chegou no LULINHA, FREI CHICO IRMÃO DO LULA, JAQUES WAGNER, RUI COSTA, ROBERTA LUCHSINGER, ELO ENTRE O CARECA DO INSS E O LULINHA, tudo provado, mas a ESQUERDA sufocou e não aprovou o Relatório final? Tem outra cosinha, Andreazza. “Sim, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) recebeu cerca de R$ 1,12 milhão do Banco Master entre 2021 e 2025 para contratos de publicidade institucional, patrocínio de eventos e mídia digital.” Onde então você estava, Andreazza?

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