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Hugo Motta, eleito presidente da Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2025, se tornou o mais jovem a ocupar o cargo, após uma trajetória política que começou em 2010. Com vínculos familiares fortes na política paraibana, sua ascensão foi marcada por alianças e controvérsias, incluindo investigações sobre o patrimônio da família e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido em fraudes.
Em 2009, enquanto pedia voto de casa em casa sob um calor de 40 graus em Patos, município de cerca de 100 mil habitantes, no sertão paraibano, Hugo Motta, então com 20 anos, não imaginava que pouco mais de 15 anos depois se tornaria o deputado mais jovem a assumir a presidência da Câmara. Motta elegeu-se em 2010, com 86 mil votos. Era o mais novo daquela leva. Em Brasília, aproximou-se de Eduardo Cunha e entrou na tropa de choque do então presidente da Câmara. Foi Cunha quem o indicou para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que lhe deu projeção nacional. Com a queda do padrinho — cassado pela Câmara, preso pela Lava Jato e que depois teve a condenação anulada pelo STF —, Motta se reposicionou, aproximou-se de Rodrigo Maia e, mais tarde, de Arthur Lira, sempre no Centrão. Formou-se médico pela Universidade Católica de Brasília, mas nunca exerceu a profissão; já era deputado quando concluiu o curso. Em 1º de fevereiro de 2025, com Lira de cabo eleitoral e o apoio de quase todos os partidos, foi eleito presidente da Câmara com 444 votos — o segundo maior resultado para o cargo desde 1971, ano em que teve início a série histórica. O recorde pertence ao próprio Arthur Lira (PP-AL), reeleito em 2023 com 464 votos.

A ascensão foi acompanhada de alianças, prisões e processos na família, e de questionamentos sobre seu patrimônio. Motta vem de uma dinastia que comanda o interior da Paraíba há mais de 70 anos. O avô paterno, Nabor Wanderley, foi prefeito de Patos de 1956 a 1959; antes dele, o primo Darcílio Wanderley já ocupara o cargo. O avô materno, Edivaldo Motta, teve cinco mandatos de deputado estadual na Assembleia Legislativa da Paraíba e um de deputado federal. A avó materna, Francisca Motta, foi deputada estadual seis vezes e prefeita de Patos; Francisca deve deixar o cargo e a irmã de Hugo, Olívia Motta, deve herdar o capital político da avó e disputar como deputada no Estado nas eleições deste ano. O pai, Nabor Wanderley Filho, também foi prefeito de Patos por quatro mandatos. E o padrasto, Renê Caroca, prefeito de São José de Espinharas.
O topo da estrutura familiar atualmente gira em torno de Hugo e da mulher, Luana Medeiros Motta. No casal concentram-se os questionamentos mais recentes sobre patrimônio. Na eleição de 2022, Motta declarou à Justiça Eleitoral bens no valor de R$ 1,1 milhão. No mesmo período, a empresa Medeiros & Medeiros, aberta em 2019 em nome de Luana e dos filhos do casal, ainda menores, comprou R$ 5,8 milhões em imóveis: um terreno de R$ 2,2 milhões no Lago Sul, em Brasília; uma fazenda de 287 hectares na Paraíba, de R$ 2,7 milhões, do ex-senador Raimundo Lira; e um terreno de R$ 900 mil em Patos. O patrimônio da empresa da mulher equivale a cinco vezes o que o deputado declarou.

O terreno do Lago Sul tem uma história à parte. Em 2021, segundo relato de uma pessoa próxima à família ouvida por Oeste à época, Luana dizia sonhar em deixar o apartamento funcional para morar no bairro, um dos endereços mais caros de Brasília. A compra do terreno veio no ano seguinte. Há ainda um apartamento de luxo em João Pessoa, com vista para o mar, comprado pela mesma empresa. A escritura registra valor de R$ 125 mil. No mercado, porém, unidades iguais no prédio são anunciadas entre R$ 5 milhões e R$ 7,5 milhões. A Construtora Massai, responsável pela venda, informou ao portal UOL que recebeu R$ 125 mil por uma fração do terreno onde seria construído o imóvel, entretanto não respondeu sobre a compra do imóvel depois da construção.
Embora ocupe a Residência Oficial reservada ao presidente da Câmara, Hugo mantém em seu nome um apartamento funcional, segundo a lista de transparência da Casa atualizada em dezembro de 2025. A Oeste, a Câmara justificou que a regra sobre os imóveis funcionais não se aplica à Residência Oficial, cuja “utilização é regida por normas administrativas e patrimoniais específicas, pois o imóvel é, juridicamente, classificado como bem público de uso especial”. “Tanto a ocupação do apartamento funcional quanto a utilização da Residência Oficial observam integralmente as normas que disciplinam cada uma dessas modalidades de uso”, detalhou a Casa Baixa por meio de nota.
A família e a Justiça
As dúvidas sobre o patrimônio de Motta se somam a um histórico de investigações que perpassa a família Motta Wanderley. Em 2016, a mãe de Hugo, Ilanna Motta, foi presa durante a Operação Veiculação, do Ministério Público Federal (MPF). À época, Ilanna era chefe de gabinete da Prefeitura de Patos, administrada pela avó de Hugo, Francisca Motta. Seu padrasto, Renê Caroca, então prefeito de São José de Espinharas (cidade localizada a 25 quilômetros dalí), também foi preso. A investigação apontou fraudes em contratos de locação de veículos de transporte escolar nos municípios. As prisões, porém, duraram poucos dias. Em 2021, todos foram absolvidos por falta de provas e a avó retornou à política como deputada estadual.
A exceção é o pai do presidente da Câmara, Nabor Wanderley Filho, prefeito de Patos, condenado em primeira instância por improbidade administrativa em caso de contratações irregulares, decisão que ainda admite recurso. Em abril de 2025, cerca de dois meses depois de Hugo assumir a presidência da Câmara, a Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da Operação Outside, que apura fraude e superfaturamento em obras na prefeitura comandada por Nabor. Uma delas, a recuperação da Avenida Alça Sudeste, foi paga com uma emenda de R$ 4,7 milhões destinada por Hugo à cidade em 2020. Desde 2021, Patos recebeu R$ 9,6 milhões em emendas assinadas pelo presidente da Câmara. Os alvos da operação, porém, são uma servidora da prefeitura, o secretário de Obras e a presidente da comissão de licitação, além da empresa contratada.

As suspeitas não pararam na família. O próprio Hugo manteve no gabinete da Câmara assessoras com rotinas incompatíveis com o cargo. A fisioterapeuta Gabriela Pagidis atendia pacientes em clínicas de Brasília enquanto recebia R$ 11,4 mil por mês da Casa; Monique Magno acumulava a função com um cargo em uma prefeitura da Paraíba. Ao todo, cinco integrantes da família Pagidis receberam mais de R$ 2,8 milhões da Câmara enquanto lotados no gabinete do deputado. Depois da repercussão, Motta demitiu duas. Em novembro de 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou por unanimidade a representação sobre o caso.
O preço do poder
Uma vez presidente da Câmara, Hugo Motta passou a usar sua cadeira como ativo político, afinal é dele o controle da pauta, e toda proposta passa por suas mãos, seja o que avança ou o que fica parado. E foi assim que ele decidiu se aproximar do governo Lula neste ano. A aproximação não é gratuita, visto que Motta busca apoio de Lula para a pré-candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado Federal. Na política paraibana, há quatro nomes que possuem protagonismo na disputa por uma das vagas no Senado: o ex-governador João Azevêdo (PSB), antigo aliado de Lula, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca reeleição, o ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL), e Nabor Wanderley (Republicanos). Azevêdo tem liderado as pesquisas de intenções de voto, seguido por Veneziano e Nabor. Recentemente, Lula publicou um vídeo em prol de Veneziano, mas nos bastidores a expectativa é que as articulações de Hugo possibilitem o apoio ao seu pai.

Já com a direita, Motta usa bandeiras conservadoras como instrumento de pressão. A anistia aos condenados pelo 8 de janeiro é um exemplo disso. Durante meses, parlamentares de oposição cobraram que o projeto fosse pautado pelo presidente da Casa. Naquele período, Hugo confirmou o relator e prometeu a votação, sem pautá-la. Somente em dezembro do ano passado é que o texto foi rebatizado de “PL da Dosimetria” e, em vez de conceder anistia ampla, apenas reduzia penas. Na ocasião, a imprensa chegou a taxar a manobra como “modo Eduardo Cunha”, ao relembrar como o ex-presidente da Câmara usava o controle de pauta para alavancar o poder.
A conexão com o Master
O ponto mais grave ainda está sob investigação: a ligação de Motta com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Durante as investigações da fraude bilionária, a PF encontrou mensagens de Motta no celular de Vorcaro, em que ele pede pessoalmente a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões para a empresa de sua cunhada, Bianca Medeiros, irmã de sua mulher, Luana. O crédito, que foi aprovado em março de 2024, foi destinado à compra de um terreno em João Pessoa. O inquérito também analisa uma emenda apresentada por Motta com o objetivo de obrigar instituições financeiras a investir em créditos de carbono, o que poderia beneficiar negócios da família do ex-banqueiro.
Há ainda uma viagem. Em 2024, meses antes de Vorcaro ser preso, ele custeou uma ida de Motta e do senador Ciro Nogueira (PP) a Lisboa, com cerca de R$ 90 mil em diárias de hotel para cada um e um jantar cercado de sigilo. Ciro Nogueira é amigo de longa data de Motta; participou do seu casamento com Luana em 2017 e já frequentou a fazenda da família Motta Wanderley durante as festividades de São João, em Patos. O deputado nega irregularidades e afirma que a operação financeira seguiu parâmetros de mercado. Apesar de não ser réu, nem formalmente acusado, seu nome figura nos documentos de uma das maiores fraudes bancárias do país.

Quinze anos separam a campanha em que caminhou de casa em casa pelas ruas de Patos da cadeira de presidente da Câmara. No caminho, acumulou poder, ampliou sua influência política e viu a família multiplicar patrimônio e protagonizar investigações. Hoje, à frente de um dos cargos mais poderosos da República, Hugo Motta ainda precisa responder às dúvidas que acompanharam sua ascensão.
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Observando a “fotinha” do baby motta que ilustra a matéria, não consigo tirar da cabeça a imagem da crazy hoffman… já notaram o narizinho dele?
O artigo descreve muito bem do que é feito o mottinha. Já é o DNA, até a genética dele não nega o que ele é. Por ser o que é, um elemento sem passado honesto, de futuro incerto, que optou desde cedo por ser quem é, foi escolhido para ser o presidente da Câmara por espécimes iguais a ele. Até o PL o apoiou, como apoiou o tal de alcolumbre, o batoré, demonstrando que entre o PL e o PT a diferença é apenas de uma letra. Pobre povo brasileiro, cuja ignorância resulta em políticos dessa qualidade.
A ficha corida do sujeito, bem como de sua família, é digna de uma organização criminosa, mafia pura. Al Capone se ainda estivesse vivo, certamente estaria vermelho de raiva e inveja, sua organização seria fichinha perto dos Mottas! Mas, essa é apenas uma das muitas ORCRIMs que temos no Bostil! Outras famosas? A do assassino de capa preta e a do ladrão criminoso que dizem, comanda o pais! O que acontecerá com todas elas nessa Terra? Absolutamente NADA! Mas e na eternidade? Bom, a Justiça Divina é infalível, desta não escaparão!
Duzentos milhões de patos habitamos Banania. A honrosa e digna profissão de médico não é mais a mais cotada por aqui, a top é ser politico em Brasília, ou ter cargos comissionados e indicados nos três poderes. Nossa realidade cruel. Sni, snif, snif…
Concordo cara Mariza, compartilho do seu sofrimento. Mas, até mesmo a profissão de médico aqui na Banania está sob suspeita, já que temos o maior número de escolas de medicina do mundo em termos relativos e praticamente em termos absolutos. Estão até constatando a necessidade de um “exame da Ordem” para médicos, porque já se desconfia muito das escolas em colocarem no mercado médicos de qualidade.