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Brendan O'Neill relata sua experiência de hostilidade ao ser criticado por expressar horror em relação ao tratamento cruel dado a Arbel Yehoud, uma mulher judia sequestrada pelo Hamas, e pela cobertura midiática que considera inadequada. Ele menciona um relatório do Centre for Media Monitoring que o acusa de hostilidade antimuçulmana por sua coluna no Spectator, onde descreveu a situação como um "espetáculo medieval".
Já fui muito hostilizado ao longo da minha carreira. Mas nunca imaginei que seria condenado por expressar horror diante do desfile de um judeu esquelético pelas ruas, feito por uma multidão de antissemitas. Nunca pensei que levaria uma punhalada nas costas por usar a palavra “medieval” para descrever uma horda de homens que cercaram e zombaram de uma mulher judia aterrorizada e semimorta por ter sido privada de alimentação. E aqui estamos nós.
O Centre for Media Monitoring (CfMM) — a ala mais insana do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, e olha que isso é eufemismo — publicou outro “relatório” choramingando por causa da cobertura da mídia britânica em relação ao Islã e aos muçulmanos. Desta vez, o alvo é o jornal Spectator, uma publicação para a qual tenho orgulho de contribuir. O título é No Mere Spectator: Anti-Muslim Hostility in Britain’s Oldest Political Magazine (“Não um mero espectador: hostilidade antimuçulmana na mais antiga revista política da Grã-Bretanha”). A capa traz a charge de um sujeito pomposo, de nariz empinado, gravata borboleta, fumando charuto enquanto folheia o Spectator. Lembrem-se, meus amigos: não podemos fazer caricaturas de Maomé, mas eles podem fazer dos britânicos sempre que der na telha. São as regras do multiculturalismo assimétrico.
A coluna escrita por mim que parece ter tirado o sono deles foi publicada em janeiro do ano passado. Era sobre o espetáculo deplorável da entrega pelo Hamas de Arbel Yehoud, a jovem sequestrada de sua casa no Kibutz Nir Oz durante a invasão islamofascista de Israel em 7 de outubro de 2023. Ela foi mantida em cativeiro por 482 dias, completamente sozinha. Foi privada de comida. Seu rosto pálido e esquálido era evidência dos maus-tratos que sofreu sob o jugo cruel de seus sequestradores antissemitas.

Escrevi revoltado no Spectator sobre o teatro desumano que foi a entrega de Arbel à Cruz Vermelha. No entanto, o CfMM parece estar mais irritado comigo do que com a escória armada que humilhou uma judia diante dos olhos do mundo. Eles me censuram por chamar o ato de “espetáculo medieval”. Por me referir aos bárbaros que desfilaram sua presa desnutrida pelas ruas como “exércitos de antissemitas”. Por dizer que esse ritual de provocação aos judeus era “esporte de islamistas radicais”.
O que está acontecendo aqui? Por que um instituto de pesquisa midiática está atacando um jornalista por manifestar repulsa ao ver uma judia aterrorizada sendo empurrada de um lado para o outro por uma turba eufórica? O CfMM vê racismo no meu comentário. Claro que sim. Diz que não está claro se minha expressão “exércitos de antissemitas” se refere apenas ao Hamas ou a toda a multidão de palestinos que, supostamente, eram “apenas curiosos”. Ora, quer dizer os vários brutamontes que zombavam e filmavam a judia aterrorizada? Sim, eles também são antissemitas.
Quanto a “medieval” — o CfMM alega que usei a palavra não como uma “referência histórica precisa”, mas como um “julgamento civilizacional” destinado a rotular a multidão como “temporal e moralmente primitiva”. Quer saber? Vão pro inferno. Primeiro, “medieval” e “primitivo” significam coisas totalmente diferentes. Comprem um dicionário. Segundo, é preciso levar o etno-narcisismo a alturas vertiginosas para alguém ler um artigo sobre o ato racista de subjugar uma judia e transformá-lo numa discussão sobre os sentimentos feridos dos muçulmanos. Isso é autocomiseração na veia. Autopiedade em um nível jamais visto.
É relativismo moral, claro. Estou sendo recriminado por ousar defender valores civilizacionais — simplesmente por fazer um “julgamento civilizacional” — contra uma turba feroz que sentiu um prazer doentio com o terror a que uma mulher foi submetida por ser judia. Talvez as pessoas naquela multidão sejam apenas fruto de uma cultura diferente? Talvez os sentimentos delas sejam válidos? Tudo é válido hoje em dia. Pode ser válido, mas é, na verdade, algo pior — é inversão moral. Transformar uma história sobre o maior ato de perseguição antissemita desde o Holocausto num sermão arrogante sobre palavras que “magoam” os muçulmanos é repugnante. Isso não é sobre vocês, queridos. É sobre os judeus.

O fato de meu artigo sobre Arbel Yehoud ter sido incluído num relatório sobre “hostilidade antimuçulmana” é a prova definitiva de que a indústria da “islamofobia” é uma farsa e que sua missão não é defender os muçulmanos da discriminação, mas policiar e punir opiniões políticas. Não há uma palavra sequer do meu artigo que expresse “hostilidade antimuçulmana”. Expressa repúdio ao Hamas, ao terror fascista, ao ódio aos judeus. Sob o disfarce de “defender os muçulmanos”, o CfMM está sufocando o debate legítimo, buscando limitar o que podemos dizer sobre o Islã, Israel, Gaza, religião e um bando de outras coisas. Usar o ressentimento religioso para sufocar o debate público? Isso sim é medieval!
O relatório inteiro é uma loucura. Analisou 3.733 artigos do Spectator sobre o Islã e temas relacionados. Concluiu que 57,4% deles eram “tendenciosos” ou “muito tendenciosos”. Lembrando que isso inclui a mim chamando o Hamas de “filhos da p*ta”. O relatório esculacha os colunistas do Spectator por “deslegitimar a ideia de islamofobia” (isso eu assumo), por usar a expressão “terrorismo islâmico” e por obsessão com as tais “gangues de aliciamento”. Fiquem espertos — agora são chamadas de “gangues de estupro”, dada a montanha de evidências que temos de que esses grupos de criminosos, a maioria homens paquistaneses, estupraram centenas de meninas brancas da classe trabalhadora. Parece que “hostilidade antimuçulmana” não é só ficar indignado com a perseguição violenta a uma mulher israelense, mas também a mulheres inglesas.
O relatório diz um monte de baboseiras sobre mim, Douglas Murray, Julie Burchill, Gavin Mortimer, Rod Liddle — só boa companhia! Julie Burchill — também colunista da Spiked — tira os devotos do sério porque “defende o direito de fazer piadas sobre o Islã”. Chamem o aiatolá! “Ouvimos o tempo todo que fazer piadas sobre o Islã é ‘opressão'”, escreveu ela em março de 2023. “Mas diga a um trabalhador escravizado no Catar, a um gay em Dubai ou a uma mulher de espírito livre no Irã que a religião mais rica e que mais cresce no mundo é indefesa.” Os escribas chatos do CfMM acusam Julie de “invocar violações de direitos humanos” em “três contextos político-geográficos distintos” e “atribuí-las coletivamente ao Islã como uma força religiosa unificada”, o que teria o efeito de reforçar uma “assimetria” moral que… Ah, nem consigo continuar. Essa postura ranzinza é insuportável. Pessoal, alguém discorda de vocês. Tudo bem. Vocês vão acabar tendo um piripaque.
Os meus artigos que mais os tiram do sério revelam muito. Sou criticado por dizer que houve uma “orgia de antissemitismo” no Ocidente desde o 7 de outubro. Sou detonado por dizer que a turma do kefiyeh é motivada menos por “preocupação com a vida muçulmana” do que por “desprezo por Israel”. Sou acusado de usar a palavra “islamista” de forma “ampla e indefinida”. “O’Neill é vago demais em seu artigo sobre o que ele chama de ‘caça aos judeus de Amsterdã em 2024′”, diz o relatório. Hmm, não fui eu que chamei de “caça aos judeus” — foi a própria multidão antissemita, que saiu às ruas expressamente para “caçar” os “judeus cancerígenos” que tinham viajado para assistir ao Maccabi Tel-Aviv.

E, claro, sou censurado pelos meus artigos sobre as gangues de estupro. Especialmente um artigo de 2017 em que comentei a “relutância palpável” do Estado e da sociedade educada em “confrontar o problema específico do desprezo de alguns homens muçulmanos pelas meninas brancas da classe trabalhadora”. Aparentemente, isso é islamofóbico. Não é. Sustento cada palavra. A segurança de meninas da classe trabalhadora importa infinitamente mais para mim do que os sentimentos de vocês.
Há uma ironia grotesca nesse relatório maluco. Ele cita uma expressão minha de um artigo do Spectator de 11 anos atrás. Cita-a três vezes, inclusive no prefácio, escrito por Peter Oborne. É “sentimentos frágeis” — eu criticava a mania piegas de se ofender dos chatos de plantão que contamina os grupos ativistas. “Como ousam dizer que temos ‘sentimentos frágeis’?”, pergunta o relatório de 146 páginas sobre a mídia malvada e suas palavras malvadas. Não dá pra inventar moda. Mas o CfMM tem razão numa coisa: estou sim fazendo um “julgamento civilizacional”. Julgo que o Hamas é moralmente inferior a Israel, que o islamismo é moralmente inferior ao secularismo, e que ter um chilique ao ler algo de que não se gosta é moralmente inferior a simplesmente dar uma risada e seguir em frente. E todos são bem-vindos ao meu lado civilizacional: cristãos, judeus, muçulmanos, ex-muçulmanos, descrentes, todos. Porque não discriminamos pessoas, apenas ideias.
Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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