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Não é erro, é viés!

Não é uma tese conspiratória imaginar que há, sim, esquema nas pesquisas. Essa é uma possibilidade plausível

“O Ibope, o Montenegro vende até a mãe pra ganhar dinheiro, isso aí eu conheço de longa data, vende [pesquisa] e vende mesmo.” A fala não é de hoje, é do então deputado federal Ciro Gomes numa entrevista. A desconfiança que paira sobre os institutos de pesquisa no Brasil vem de longa data, e não é para menos: eles “erram” de forma grosseira e sistemática a cada eleição.

Mas quero oferecer uma hipótese alternativa aqui, em que pese a boa e imortal dica dos livros de detetive: siga o dinheiro. Nem sempre a causa de um desvio é monetária. Ela pode ser ideológica. E antes de mais nada é preciso justamente explicar a diferença entre erro e viés do ponto de vista estatístico.

Se os institutos errassem, como repete a mídia, haveria erro para todo lado e gosto. Ou seja, eles não teriam condições de se aproximar do resultado final, mas isso serviria para qualquer candidato. Haveria erros de esquerdistas e direitistas, superestimados e subestimados. Em outras palavras, um erro estatístico é aleatório, randômico, e em grandes números tende a se anular pela ótica ideológica.

Não é isso que vemos, porém. Sai eleição, entra eleição, e invariavelmente temos os candidatos mais à esquerda com desempenho inferior àquele previsto pelos principais institutos de pesquisa. O caso da última eleição municipal foi bem escandaloso. A “margem de erro” fugiu muito do padrão estatístico, com uma “inflação” entre 5 e até 10 ou mais pontos porcentuais a favor dos candidatos socialistas.

A situação que parecia imprevisível em algumas capitais, como Porto Alegre, Recife e Vitória, apontou vitória mais folgada do candidato eleito, sempre contra esquerdistas mais radicais. E, em cidades em que se projetava um triunfo tranquilo, a disputa foi mais apertada, caso de Fortaleza, onde o adversário do candidato dos Ferreira Gomes quase venceu, ao passo que as pesquisas apontavam uma vitória folgada do PDT.

Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila chegaram a animar a militância comunista e certos jornalistas, o que pode ser sinônimo. Um deles chegou a escrever que sentia cheiro de vitória do PCdoB em Porto Alegre, e outra, uma “respeitada jornalista” de um dos maiores jornais do país, cantou Manu como favorita. O resultado na urna mostrou um cenário distinto. Após a apuração, Sebastião Melo foi eleito prefeito da capital gaúcha com 54,63% dos votos válidos, enquanto Manuela D’Ávila ficou com 45,37%.

Os institutos de pesquisa são afetados pela bolha vermelha da imprensa

Alguns ironizaram que a margem de erro dos institutos teria de subir para 10 pontos porcentuais daqui para a frente, mas eis a questão central: não é preciso aumentar a margem para os dois lados, para cima e para baixo; basta adotar o seguinte critério: se o candidato for de esquerda, então a margem de erro é de 10 pontos porcentuais para baixo, ponto. Se o “erro” aponta sempre para a mesma direção, não se pode mais falar em erro. É o caso de um viés.

Resta explicar a origem desse viés. As “explicações” para os erros, apresentadas pelos responsáveis, foram piadas de mau gosto. Eles puseram a culpa no eleitor “errático”, no clima que levou a uma maior abstenção, no dinamismo das eleições. É como se o eleitor fosse uma biruta de posto que aponta para todos os lados dependendo do menor vento. Cômodo para os institutos, mas inverossímil. No mais, seria o caso de erros aleatórios novamente, não explicaria o viés. Ou só eleitor de esquerda vai à praia?

Tem de haver outra explicação. Uma possibilidade é aquela já aventada: as pesquisas são compradas, e quem costuma demonstrar mais ambição e pouco apreço por princípios éticos é justamente a esquerda. Como ela se enxerga detentora de uma verdade absoluta e pretende impor esse “caminho redentor” de qualquer jeito, normalmente a esquerda adota a máxima de que seus “nobres” fins justificam quaisquer meios.

Existe fraude em todo o espectro ideológico, mas historicamente falando não resta dúvida de que a esquerda revolucionária sempre jogou mais sujo. Basta pensar em sua proximidade com a marginalidade, com narcoguerrilheiros, traficantes, ditadores, terroristas. O que seria um instituto comprado para manipular pesquisas e influenciar a eleição, perto do restante? Não é uma tese conspiratória, portanto, imaginar que há, sim, esquema nas pesquisas. Essa é uma possibilidade plausível.

Mas não precisa ser apenas isso. E eis o ponto mais importante, talvez. Mesmo sem o roubo deliberado, pode haver uma manipulação. Ela seria fruto do viés dos próprios institutos e também da mídia, todos aprisionados numa espécie de bolha cognitiva. No mundo “liberal” cosmopolita há uma quase hegemonia de “progressistas”. Isso vai impactar reportagens na imprensa, desde a escolha da pauta, passando pelos “especialistas” entrevistados, o enfoque dado, até chegar na manchete. E tudo isso pode se dar sem que o jornalista sequer perceba que está, de fato, agindo como militante.

O mesmo pode acontecer nos institutos, na formulação das perguntas, na escolha da amostra, no filtro demográfico. Claro que tudo isso fica ainda mais complexo na era das redes sociais, que podem tornar os métodos desses institutos um tanto obsoletos. Há, por fim, o risco de que o direitista seja um eleitor envergonhado em certos círculos, pois basta ser conservador para ser tratado nesses ambientes como um pária, um machista, racista, xenófobo e fascista. Ele prefere ficar quieto e simplesmente votar. Mas isso não teria impacto em pesquisa por telefone, provavelmente.

O resumo da ópera é o seguinte: se a pesquisa for feita numa redação de jornal desses veículos de comunicação da grande imprensa, a chance de Boulos ser eleito não prefeito, mas presidente, é imensa! O Psol vence quase sempre o Congresso em Foco, em que jornalistas votam nos melhores parlamentares. A representatividade dos socialistas na mídia é bem maior do que no Congresso, ou seja, eles atraem jornalistas, não o povo.

Mas os jornalistas é que comandam as manchetes dos jornais, e os institutos de pesquisa também são afetados por essa bolha vermelha. Se há a intenção de enganar ou se é um viés inconsciente, não sabemos dizer. Provavelmente existem os dois casos, e também uma mistura. O fato, porém, continua evidente: tanto a mídia quanto esses institutos de pesquisa não estão errando; eles estão distorcendo, e sempre a favor da esquerda. Não é por acaso que sua credibilidade, perante o público mais à direita, vem despencando. Com toda a razão!

Leia também a reportagem “Além da margem de erro”, de Silvio Navarro

 

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25 comentários

  1. Constantino, belo texto! Concordo em tudo. Somente com relação a última frase eu acredito que os institutos estão também perdendo credibilidade com a esquerda. Como assim? Eles estão sempre a frente e nunca ganham: haha Grande abraço!

    1. Caro Constantino, os jornalistas e institutos de pesquisa são ANTAS mesmo e não aquelas ANTAS do ANTAS. Mas nos julgam ANTAS , que não somos. Ai dão essas desculpas de ANTAS que o povo sendo ANTA eles os verdadeiros ANTAS não conseguem definir as pesquisas de forma acertiva. São ou não são umas ANTAS?!

    1. Rodrigo excelente artigo,em São Paulo foi um absurdo, Boulos subia vertiginosamente nas pesquisas compradas pelos apoiadores,sabia que eram mentirosas.Apesar de ter perdido,fez um discurso logo após a contagem de votos dizendo que o PSOL tinha se saído bem.Para mim apenas distorção dos fatos e da realidade.Em Porto Alegre the “same.”

  2. Excelente artigo.
    Vou repetir o comentário que postei na matéria do Sílvio Navarro:

    De fato, não sei se uma pesquisa enviesada – mostrando um candidato com uma intenção de voto maior que a real – ajuda ou atrapalha…
    À primeira vista (“senso comum”), ajuda (desanima os eleitores do oponente, arregimenta aqueles que desejam votar no vencedor, etc); MAS também (na hipótese contra intuitiva) poderia fazer um eleitor desistir de votar (acreditando que já está ganho!!!). Desconheço pesquisas acadêmicas de psicologia que tenham abordado a questão.
    O colunista tem conhecimento de algo do tipo aí nos “estaites”???
    Esse seria um tema IMPORTANTÍSSIMO para os pesquisadores acadêmicos (eu consigo imaginar/rascunhar/delinear uns 2 ou 3 experimentos para tratar a questão)… mas temos que esperar os americanos pensarem a respeito, pois aqui o foco é “fazer banheirão”.

  3. Só não entendo como isso não é considerado “fake News”?Pelo contexto e reincidência abusiva e tendenciosa não deveria estar entre os processos do STF? Para quem não sabia R.Constantino deu todas as “dicas”,onde se encontram,como agem, o que pensam,e os amigos dos militantes da esquerda nacional.Hilário.RsRSRs.Parabéns Rodrigo.

  4. Conclusão: Não basta um jornal ter bons colunistas, precisa também de bons repórteres e redatores, como é o caso da Oeste. Quanto ao Ibope e Datafolha é fraude repetida eleição após eleição e como seus clientes continuam os contratando fazem parte ativa da tramoia. Isso vale também para jornalistas e colunistas que citam esses institutos co fontes fidedignas.

  5. Não há mais condições de se acreditar nessas pesquisas . Com a derrocada acelerada da ética da grande imprensa, a confiabilidade desses institutos de pesquisas (muitos deles ligados justamente aos grandes grupos jornalísticos) está indo para o ralo, se é que lá já não estão.

  6. Constantino, seus textos são sensatos e diretos. Sempre uma boa leitura! O que se observa na imprensa em geral, é que está perdendo importância na politica, as redes sociais já substituíram! O mesmo ocorre com os institutos de pesquisa.

  7. Concordo inteiramente, Constantino.
    Só não enxerga tudo isso que você disse quem é cego!
    Nossa grande imprensa virou militante e perdeu totalmente a credibilidade, pois não tem um mínimo de isenção para julgar e analisar os fatos como eles são; temos honrosas exceções, dentre as quais a Revista Oeste e a Rádio Jovem Pan, esta também cometendo alguns deslizes lacradores, como você bem sabe, Caro Constantino.
    Parabéns pelo excelente e verdadeiro texto !

  8. Feliz ainda por ter a revista Oeste e seus comunistas nos apresentando a notícia como realmente é e não manipulada como a imprensa militante propaga.
    Parabéns revista Oeste 👏👏

  9. Constantino sempre nos evidenciando a INUTILIDADE de institutos de pesquisa para o eleitor, mas com clara intenção de conquistar o voto daquele que “vota no melhor colocado”. Produzem assim, verdadeiras FAKE PESQUISAS, que não preocupam nosso glorioso TSE/BARROSO, até porque a mídia delas se utiliza para criar outras FAKES contra os conservadores, para derrubar suas popularidades.
    Essa mídia do ódio e preconceituosa, atualmente tem na liderança o saudoso Estadão de outrora, que penso, superou a Folha no combate ao governo Bolsonaro. Vale dizer que não tem na diretoria de opinião e produção de editorias do Estadão, qualquer membro da família Mesquita conforme destacou em artigo o jornalista Fernão Lara Mesquita.
    Leio diariamente o Estadão para identificar o pouco que resta de bom e verdadeiro jornalismo, produzidos por Carlos Alberto di Franco, J.R.Guzzo e raros artigos do grande jurista Ives Gandra Martins.
    Lotado de artigos de incendiários(as) jornalistas inúteis, que não terão qualquer destaque quando Bolsonaro não estiver mais no governo, e de destacados economistas, advogados, cientistas sociais, ex ministros, políticos tucanos e assemelhados, que estão inconformados com o governo Bolsonaro e escrevem dramaturgias e possíveis catástrofes no pais que vivemos. Meu ex idolo FHC, ressuscitou aos 89 anos após escrever “diários da presidência”, para pedir a renúncia de Bolsonaro, e ainda hoje escreve nesse jornal desqualificando o governo federal no combate a pandemia.
    Parabéns Constantino

    1. Cancele o Estadão e assine a Gazeta do Povo. Vai ter Guzzo, Fiuza, Constantino, e mais uma dezena de gente ótima. Lá tem Madeleine, Bruna, Cristina, se contrapondo às vendidas que escrevem no esgotão….

  10. Constantino sendo “”politicamente correto””! Kkk. Essa “”não ciência exata”” chamada de estatística é moldável a gosto do freguê$. Essas mesmas empresas “datafalha e ibopira” não sobreviveriam com tantos “erros” em ambiente honesto. Na verdade se tratam de “influencers” e recebem para isso!

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