Monark, ex-apresentador do <i>Flow Podcast</i> | Foto: Divulgação
Monark, ex-apresentador do Flow Podcast | Foto: Divulgação

Crise na Flow, famílias endinheiradas e PIB em alta

Com o comentário do apresentador Monark sobre nazismo, a plataforma perdeu 90% dos anunciantes

Quanto vale o Flow?

Até a noite de quarta-feira (9), os Estúdios Flow tinham perdido 90% dos anunciantes por causa da polêmica sobre o nazismo — entre eles, Puma, Wise Up e Mondelez Brasil (dona do Bis). Na mesma noite, os fundadores, Igor Coelho e Bruno Aiub, o Monark, entraram numa sala da sede, ao lado de seus advogados, para acertar o desfecho de uma história que transformou a dupla num dos podcasters mais ouvidos e rentáveis do país. A discussão se centrou em uma questão principal: a venda de metade da empresa para Coelho, já que os dois eram os sócios. Primeiro dilema: como chegar a um valor exato, sobretudo num momento de baixa como o atual, em que o podcast teve uma avalanche de fuga de patrocinadores? Não se chegou ao valor até o fim da reunião. Outra pergunta que ronda internamente os estúdios: com quase todos os patrocínios cancelados, como sustentar uma empresa com 100 funcionários?

O começo de um sucesso…

O Flow Podcast estourou de popularidade no início da pandemia, em 2020, quando as pessoas passaram a consumir vídeos mais longos em casa. Junto com a audiência veio o dinheiro de patrocinadores polpudos, que chegavam a pagar de largada R$ 2 milhões. Como o aplicativo iFood, que rompeu contrato em novembro de 2021 (após Monark perguntar pelo Twitter a um advogado se “ter uma opinião racista é crime”). Para administrar a operação diária e o caixa da empresa, os sócios contrataram André Gaigher como CEO. A primeira missão foi botar ordem nas finanças: a dupla recebia um salário fixo mensal de R$ 50 mil, e o excedente ficava na companhia para expandir os estúdios, comprar equipamentos, pagar as contas do mês e contratar profissionais. 

…e a CRISE

A premissa da dupla era não estudar nada dos entrevistados e chegar às gravações com curiosidade aguçada para qualquer tipo de tema, além de manter um clima “conversa de botequim”. A audiência em alta com o público jovem fazia com que os sócios não tivessem dificuldade para marcar qualquer nomão para a atração, como o empresário Abílio Diniz. Na segunda-feira (7), depois de deixar o estúdio alcoolizado e defender a legalidade de um partido nazista no Brasil, Monark seguiu para casa. O estopim da derrocada do fundador ocorreria na manhã seguinte, horas depois de o vídeo ser compartilhado centenas de vezes nas redes sociais, sobretudo no Twitter. Na manhã de terça-feira, Gaigher começou a criar grupos internos de WhatsApp entre os principais integrantes dos Estúdios. Nos grupos, a mesma palavra era repetida: CRISE. Monark concordou, sem retrucar, que a única solução para a sobrevivência da empresa era sua saída imediata. 

Quem gere as famílias ricas…

Gestoras de investimentos focadas em altíssimas rendas — também conhecidas como multi family offices — têm crescido cerca de 100% ao ano no Brasil. O movimento ocorre devido à decisão de centenas de famílias endinheiradas de trocar os bancões tradicionais por casas de gestão mais segmentadas. Fundada há uma década, a Portofino administra atualmente o patrimônio de 500 famílias com tíquete médio na faixa dos R$ 25 milhões. Há dois anos, eram cerca de 300 famílias. Em 2019, a gestora administrava R$ 3,5 bilhões. Pulou para R$ 7 bilhões em 2020 e, atualmente, está com R$ 12,5 bilhões em ativos sob sua gestão. Com escritórios em São Paulo, Porto Alegre, Caxias do Sul, Belo Horizonte, Recife e Nova Iorque, a gestora vai expandir com filiais em Curitiba e Brasília em 2022. 

De acordo com Carolina Giovanella, oriunda de uma família da construção civil de Porto Alegre e fundadora da Portofino, houve uma mudança de perfil de liderança na gestão do patrimônios das famílias: as mulheres têm tomado as rédeas da administração. “Trabalhamos com as principais famílias do Sul e Sudeste. Se há três homens e uma mulher na família, é ela quem toma à frente”, diz. Outra característica predominante: os mais jovens aceitam maiores riscos do que os mais velhos. Assim como os homens, comparados às mulheres. Quem recebe herança geralmente é o mais conservador de todos.

Carolina Giovanella, diretora e sócia fundadora da Portofino Multi Family Office | Foto: Divulgação


…saída da Rússia e entrada no Brasil

Quais as similaridades entre as 500 famílias endinheiradas? “A maioria tem aversão em perder dinheiro”, diz Giovanella. “É natural, ninguém gosta de perder dinheiro. É o que eu sempre falo: nunca seremos mandados embora se formos conservadores demais”. Um dos piores momentos, mais do que abril de 2020 (quando a Bolsa brasileira tinha sucessões de circuit breakers), foi o segundo semestre de 2021. “Foi desesperador. Vimos a curva de juros aumentar, e o medo do furo do teto de gastos. Pensa o que é uma família olhar para um valor no extrato e, de um mês para o outro, ver outro número bem diferente.” Na avaliação da gestora, ativos brasileiros tiveram uma boa performance no início de 2022, beneficiados por altas nos preços de commodities e por fluxos de investidores estrangeiros, como a saída de recursos de países como a Rússia. “Foi surpreendente. Nada mudou no Brasil em termos estruturais. Foi mais um rebalanceamento de portfólio internacional”, analisa

Pibinho…

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, prevê que o PIB brasileiro vai crescer 0,5% em 2022. Para ele, a segurança sobre as regras fiscais e a necessidade de fazer o país crescer são o que mais tira o sono dos especialistas. “O problema são iniciativas como os cortes de impostos sem precisar compensar pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Essas iniciativas — mudanças no IPI, PIS/Cofins de combustíveis, sem contrapartida — geram receio de que, ao sabor das conveniências, você possa mexer nas regras fiscais. E isso preocupa”, afirmou o economista, durante evento do grupo Esfera Brasil, na última semana.

…até a inflação desacelerar

Os executivos do Bradesco evitam expor opiniões que entram na seara política, mas Honorato, na mesa com empresários, disse estar mais otimista que a média dos economistas ao prever esse crescimento. Ele não se surpreenderia se o país tiver uma alta de 1%. Para isso, considera que os dois fatores que geraram inflação alta no país nos últimos tempos — o aumento de gastos públicos para combater a pandemia e o corte de juros do Banco Central — já se inverteram. Além disso, ele crê que o setor agrícola deve continuar tendo um bom desempenho. E que Estados e municípios estão com dinheiro sobrando em caixa pela primeira vez em anos e devem gastar em 2022. “Tenho grande convicção de que a inflação vai desacelerar bastante”, falou reservadamente.

R$ 1,4 bilhão em 24 horas

A propósito: em janeiro, a B3 anunciou a entrada de R$ 32 bilhões de recursos de investidores estrangeiros. Em fevereiro, até o dia 7, mais R$ 6,4 bilhões, levando o fluxo cambial, neste começo de 2022, a R$ 39,6 bilhões. Em 24 horas, só na segunda-feira (7), entrou no Brasil R$ 1,4 bilhão dos gringos.

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9 comentários Ver comentários

  1. todos sabemos que e expressamente proibido falar em crescimento com este governo ,o que publicam e que se esta em crise(ah,mas o trimestre passado foi excelente,mas o proximo vai ser pessimo ) e por ai vai !!! bando de urubus!!!!

  2. Como sempre, a psicologia é um grande fator influenciador na economia. Nada de investimento de longo prazo em um país caracterizado pelas ideias mirabolantes de políticos.

  3. ECONOMISTAS VERDADEIRAMENTE SÉRIOS E COMPETENTES NO BRASIL…
    simplesmente não são “ouvidos” pela mídia!
    O PIB do Brasil em 2022 vai crescer mais que 1%!
    Mas é proibido FALAR pois beneficia o BOZO!
    Falo palavrão SIM….MAS NÃO ROUBO!!!
    Gente honesta sabe disso!

  4. Eu entendi bem, que o economista do Bradesco disse que o corte de impostos contribui para desacelerar o PIB? Se for isso mesmo, deve ser um economista keynesiano da geração Paulo Freire …

  5. Então, esse Flow sempre foi financiado em mais de 50% por empresas lacradoras movidas por interesses identitários e alguma parte pif empresas que já queriam cair fora da encrenca de gente maconheira. Sobra 15% ou 20% de empresas sem ideologia. Na Jovem Pan já começou a demissão de pessoas que não rezam a cartilha do identitarismo ou dorianismo. Na JP o único programa realmente que tem pautas qyd interessam é OS PINGOS NOS IS. É muito pouco para uma emissora. Vai seguir a CNN qud começou razoável e hoje bate ponto com a Globonews. Não vejo futuro para a TV JP.

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