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Saúde

Depois de registrar 2 casos de sarampo, São Paulo emite alerta

Governo estadual recomenda monitoramento por parte de profissionais de saúde e reforço no esquema vacinal contra a doença

Erupção cutânea é um dos principais sintomas do sarampo | Foto: Reprodução/Redes sociais
Erupção cutânea é um dos principais sintomas do sarampo | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo emitiu um alerta depois da identificação de dois casos de sarampo na capital paulista em outubro.

Até agora, o país registrou quatro casos importados da infecção em 2024. O primeiro foi em janeiro, no Rio Grande do Sul, de um paciente vindo do Paquistão. Em agosto, Minas Gerais confirmou a doença em um paciente vindo da Inglaterra.

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De acordo com o governo estadual, os casos mais recentes estão relacionados a um casal que viajou para a Europa, onde provavelmente adquiriu a doença.

No Brasil, ambos procuraram atendimento médico depois de apresentar sintomas e relataram contato com um paciente infectado. Os testes PCR confirmaram o sarampo. O homem, sem histórico de vacinação, apresentou erupção cutânea em 7 de outubro. A mulher, vacinada em 2019, também desenvolveu o sintoma no mesmo período.

De acordo com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), os pacientes, que moram no bairro Cidade Ademar, estão bem e não precisaram de internação. Não foram detectados casos secundários.

“Foi intensificada a vacinação contra sarampo na região de Santo Amaro e foram realizadas ações de imunização preventiva nos quatro quarteirões da residência e em outros pontos frequentados pelo casal na última semana”, disse a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em nota. “As abordagens foram realizadas casa a casa e em locais estratégicos, como comércios, escolas e demais locais frequentados pelo casal.”

O alerta para sarampo

O CVE alerta para o fato de que “profissionais de saúde devem suspeitar de sarampo em qualquer pessoa com febre e erupção cutânea maculopapular, acompanhada de tosse, coriza ou conjuntivite, e investigar histórico de deslocamentos”.

Tatiana Lang, diretora do centro, explicou ao jornal O Globo que o sarampo é uma doença viral altamente transmissível, que pode ser grave e até fatal.

“A transmissão ocorre por tosse, fala, espirro ou gotículas de saliva de uma pessoa infectada”, disse. “A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção.”

O Brasil conquistou o certificado de eliminação do sarampo em 2016, depois de uma campanha de vacinação que levou aos últimos casos em 2015. Nos dois anos seguintes, o país não registrou novos casos.

Contudo, em 2018, o vírus voltou a circular, causando surtos com quase 10 mil infecções. Na época, a cobertura da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) estava abaixo de 80% pelo quarto ano seguido, longe dos 95% recomendados.

Presença do vírus no país pode gerar novos surtos

Vacina dengue
Entidades responsáveis recomendam vacinação para conter um possível avanço do sarampo | Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

Em 2019, os casos de sarampo no Brasil aumentaram drasticamente, chegando a cerca de 21 mil. Com o retorno dos surtos e a circulação contínua do vírus, o país perdeu o certificado de eliminação. Em 2020, os casos continuaram altos, mas as medidas de isolamento social durante a pandemia reduziram a incidência.

Nos anos seguintes, os casos diminuíram e, desde 2022, não houve novos diagnósticos contraídos dentro do Brasil – apenas casos importados. Em 2023, nem mesmo casos importados foram registrados. O governo federal busca recuperar o certificado de eliminação e, em 2022, lançou o Plano de Ação para Interrupção do Sarampo, focando a eliminação dos surtos no Amapá, no Pará, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em maio deste ano, a Comissão Regional de Monitoramento e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) visitaram o Brasil para avaliar o cenário. Ainda assim, Tatiana Lang alerta para o fato de que a presença do vírus no país indica um risco de transmissão local, o que poderia gerar novos surtos.

A vacina para sarampo, oferecida gratuitamente na rede pública, é aplicada a partir do primeiro ano de vida, com doses aos 12 e 15 meses. De acordo com o governo, pessoas até 29 anos devem tomar duas doses com ao menos um mês de intervalo, e adultos de 30 a 59 anos que ainda não foram vacinados recebem uma dose única.

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