A crescente dependência de adolescentes brasileiros em tecnologias de inteligência artificial (IA) como alternativa para suprir a necessidade de companhia revela um cenário de fragilidade nas relações sociais. Um levantamento conduzido pela Arco Educação, envolvendo 936 estudantes da rede privada do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, mostrou que 19% dos jovens já recorrem à tecnologia para conversar ou enfrentar a solidão.
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Segundo o estudo, 52% dos entrevistados relatam dificuldades para fazer novos amigos, enquanto 17% sentem solidão com frequência. O relatório destaca que o principal desafio desta geração é aprofundar ou renovar seus vínculos sociais, o que contribui para o isolamento emocional observado.
Impacto da IA nas relações interpessoais

Para Francila Novaes, gerente de estratégia pedagógica socioemocional da Arco Educação, “há um deslocamento das relações humanas entre adolescentes, que desenvolvem um maior apego e relações de confiança com ferramentas de IA do que com pessoas”. “Isso reduz o engajamento em relações interpessoais e pode, inclusive, aumentar a sensação de solidão”, afirmou.
A especialista explica que a inteligência artificial oferece respostas rápidas e não há atrito no contato com os jovens. No entanto, ela observa que a tecnologia não é capaz de proporcionar situações interpessoais essenciais para o desenvolvimento de habilidades como autorregulação, comunicação e empatia.
“Aprender a lidar com um amigo de mau humor, com mal-entendidos e com reciprocidade é parte do crescimento”, disse. “E é mais difícil do que conversar com uma ferramenta que tende a concordar e bajular o usuário.”
Comparação internacional e diferenças de gênero
Ao comparar o contexto brasileiro com o de outros países, o estudo utilizou a escala global de solidão da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Os estudantes brasileiros avaliados ficaram no limite superior da classificação considerada “moderada”, muito próximos de atingir o nível “moderadamente alta”.
O maior distanciamento dos indicadores globais aparece na dificuldade dos jovens brasileiros em ampliar suas redes de amizade. Enquanto 28,7% dos estudantes do Brasil afirmam enfrentar esse obstáculo constantemente, o porcentual em outros países não ultrapassa 25%.
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O levantamento também revela diferenças marcantes entre os gêneros. Entre as meninas, 33,4% relatam dificuldades em estabelecer amizades, frente a 20,1% dos meninos. A sensação de distância social é mais comum entre elas, e 23,8% das alunas afirmam procurar a IA por solidão, proporção que cai para 12,3% entre os meninos.






































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