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Saúde

USP cria sistema com IA para medir avanço do câncer

Modelo é capaz de prever a agressividade de tumores

Inteligência artificial na luta contra o câncer | Foto: Tathiane Malta/USP
Inteligência artificial na luta contra o câncer | Foto: Tathiane Malta/USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de mostrar o quão agressivo pode ser um tumor. O avanço pode melhorar o diagnóstico e ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra diferentes tipos de câncer.

A tecnologia foi desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), em parceria com pesquisadores da Polônia. Através de dados de proteínas presentes em tumores, o sistema consegue gerar um índice de agressividade que mede a chance de o câncer resistir a medicamentos, se espalhar pelo corpo ou voltar depois do tratamento.

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Esse grau de agressividade está relacionado à chamada “stemness”, característica das células que se comportam de forma parecida com as células-tronco – ou seja, com grande capacidade de multiplicação e transformação em diferentes tipos celulares.

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Cânceres com alto grau de “stemness”, portanto, são mais difíceis de tratar porque as células doentes não se parecem mais com o tecido original e continuam sua reprodução de forma descontrolada.

A ferramenta foi testada com mais de 1,3 mil amostras de 11 tipos de câncer, como de mama, ovário, pulmão, rim, útero, cérebro, cólon e pâncreas. Para isso, os cientistas utilizaram dados do Consórcio de Análise Proteômica Clínica de Tumores (CPTAC), que reúne informações de pacientes do mundo todo.

Ao comparar as proteínas dos tumores com as de 207 tipos de células-tronco humanas, os pesquisadores envolvidos no estudo identificaram quais moléculas estão ligadas ao comportamento mais agressivo da doença. Esses achados podem servir de base para novas terapias, tanto específicas quanto de uso mais amplo.

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O cenário do câncer no mundo

No último Dia Mundial do Câncer, lembrado em 4 de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que 40 pessoas por minuto recebem o diagnóstico da doença no mundo e se submetem a tratamentos oncológicos.

Uma das principais causas de morte, os tumores têm afetado mais a população jovem. Estudo publicado em 2023 na BMJ Oncology pontou que a incidência de câncer de começo precoce em adultos com menos de 50 anos cresceu 79% entre 1990 e 2019, além de aumento de 28% dos óbitos. Foram analisados 29 tipos de câncer em 204 países.

Imagem genérica mostrando frascos para colher material de exames de sangue
Exame de sangue pode identificar alguns tipos de câncer | Foto: Reprodução/Freepik

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que haja 704 mil novos registros por ano no triênio 2023-2025. De acordo com a publicação Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil, os tumores malignos mais comuns são o de pele não melanoma (31% do total de casos), seguido de mama feminina (10,5%), próstata (10%) e cólon e reto (6,5%).

Leia também: “Saúde também é tech, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 121 da Revista Oeste

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