‘Abrir escola é mais importante do que liberar culto’, diz presidente de frente de prefeitos

Ex-prefeito de Campinas (SP) Jonas Donizette criticou decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo, que liberou cerimônias religiosas presenciais
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O ex-prefeito de Campinas Jonas Donizette participou do <i>Opinião no Ar</i>, da RedeTV!
O ex-prefeito de Campinas Jonas Donizette participou do Opinião no Ar, da RedeTV! | Foto: Reprodução/YouTube

O ex-prefeito de Campinas (SP) Jonas Donizette, que hoje comanda a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), afirmou nesta quarta-feira, 7, que a reabertura das escolas é mais importante do que a liberação da realização de missas e cultos em todo o país, em meio à pandemia de covid-19.

Donizette foi entrevistado no programa Opinião no Ar, exibido pela RedeTV!. Silvio Navarro, editor-executivo de Oeste, e Rodrigo Constantino, colunista da revista, participaram da entrevista. O programa também contou com a participação da jornalista Amanda Klein.

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“A educação é um ambiente corporativista. Nós temos sindicatos [contrários à reabertura] muito fortes”, disse Donizette. “Eu acho que neste momento abrir escola é muito mais importante do que liberar culto. Claro que a reunião é importante, mas você pode fazer em outros ambientes. Mas o Brasil é um país desigual e não abrir escola o deixa mais desigual ainda. Isso é um atraso, mas é uma luta. Temos que nos submeter às decisões judiciais.”

Donizette criticou a decisão tomada pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Estados, municípios e o Distrito Federal não podem editar normas de combate à pandemia de covid-19 que proíbam celebrações religiosas presenciais. Segundo o presidente da FNP, “as igrejas não estão fechadas”.

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“Todas as igrejas estão abertas. Não tem nenhuma lei falando em fechar igreja no Brasil. O que tem é a proibição de reuniões, cultos e missas, que aglomeram pessoas. A bem da verdade, a maioria dos líderes religiosos está apoiando neste momento essas restrições. Existe a parte contrária, que é menor, mas barulhenta, que defende os argumentos da liberdade religiosa”, afirmou Donizette. “Eu sou uma pessoa que professa a fé cristã, frequento cultos e tenho sentido falta dessas reuniões. Mas o bom senso neste momento determina que a autoridade possa ter essa condição de colocar as regras sanitárias”, completou.

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“[Nunes Marques] É um ministro que foi recentemente indicado pelo presidente [Jair] Bolsonaro. A gente sabe que ele tenta fazer acenos, como se ele fosse favorável ao trabalho, ao emprego, à religião, e nós fôssemos contra. Não tem ninguém mais a favor do emprego, alguém que quer ver a cidade cheia, do que os prefeitos. Não dá para convivermos com nosso maior líder jogando a população contra as autoridades que têm sua competência de administração em uma cidade, em um Estado.”

Tratamento precoce

Durante a entrevista, Donizette foi indagado sobre o tratamento precoce contra a covid-19, defendido por Bolsonaro. O ex-prefeito de Campinas disse ainda não ter opinião formada a respeito do tema. “Você tomar uma coisa sem ter nada, é uma coisa. Agora, começou a sentir, aí eu acho que tem que tomar um remédio. O remédio que vai tomar é o médico quem tem que prescrever”, destacou. “A gente tem prefeito que é totalmente a favor do tratamento precoce e também há aquelas pessoas apaixonadas por isso, que precisam ser mais humildes. E, do outro lado, temos as prefeituras que não estão aplicando o tratamento precoce. Eu não tenho uma opinião formada sobre isso.”

Apoio do governo federal

Apesar das críticas a Bolsonaro, Donizette reconheceu que o governo federal encaminhou recursos aos Estados e municípios para o combate à covid-19. “O presidente Bolsonaro está certo. O governo federal foi correto no ano passado e repassou dinheiro para que as cidades pudessem agir. Ele não está certo quando deixa no ar que tem prefeito roubando, desviando dinheiro”, disse. “Não estou dizendo que não houve erros. Mas muitas dessas operações da Polícia Federal não deram em nada. Prenderam gente, prenderam secretário de Saúde porque ele comprou remédio que custava 10 e pagou 20. Ou ele comprava por 20 ou morreria gente na cidade, o que você faria? Houve algumas operações em que teve dolo e as pessoas têm que pagar caro por isso. Mas muita coisa se levantou sobre gente séria, decente.”

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9 comentários Ver comentários

  1. Quem tem o seu ganha-pão garantido pode fechar tudo, não só Igrejas. Quem não tem este ganha-pão, tem de CORRER ATRÁS, e precisa encontrar tudo aberto para não passar fome.

  2. Dar voz a um ladrão como esse aí, que ocupa um cargo garantido na base do favor político por seus comparsas, fala sério. Tua vez passou, o povo não te deu voto.

  3. Incrível como é capaz de fazer juízo de valor entre coisas distintas mas igualmente fundamentais para a sociedade. Não se barganha direitos. Queremos todos os nossos direitos, ao mesmo tempo e integralmente.

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