Coronel Tadeu: relação entre Polícia Militar e Doria está ‘desgastada’

Em entrevista ao Opinião no Ar, da RedeTV!, deputado defende direito de policiais de participarem da manifestação do dia 7
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O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) participou do <i>Opinião no Ar</i>, da RedeTV!
O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) participou do Opinião no Ar, da RedeTV! | Foto: Reprodução/YouTube

Em entrevista ao programa Opinião no Ar, da RedeTV!, exibido nesta quarta-feira, 25, pela RedeTV!, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) afirmou que a relação entre a Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) e o governo do Estado está “desgastada” há alguns anos.

Como informou Oeste, o governador João Doria (PSDB) anunciou o afastamento do chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Aleksander Lacerda, por indisciplina. Lacerda é apoiador do presidente Jair Bolsonaro e convocou pessoas para irem à manifestação programada por simpatizantes do governo federal no dia 7 de Setembro, na Avenida Paulista.

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“É uma situação chata que aconteceu. Ele foi afastado, mas não foi punido até o presente momento. O afastamento é absolutamente lícito, porque o governador do Estado é o comandante supremo da PM. Ele manda. Foi eleito para isso”, reconheceu Tadeu. “O clima que gerou em cima disso tem uma origem. Essa relação com a PM está desgastada há um bom tempo. Em 2018, o governador João Doria prometeu na campanha que faria uma recomposição salarial. O salário dos policiais de São Paulo está muito defasado, há muito tempo sem reposição inflacionária. Isso não aconteceu. Ele já quebrou um compromisso.”

O deputado prosseguiu elencando alguns exemplos da “quebra de confiança” entre Doria e a PM paulista. “Em 2019, em uma reunião do Alto Comando da PM, ele simplesmente deu um pito em um coronel antigo porque estava usando o celular. Na verdade, o coronel estava fazendo a ata da reunião. Estava trabalhando com o celular”, recordou. “Em outubro de 2019, na cidade de Taubaté, ele chamou um grupo de veteranos de ‘vagabundos’. Aí o caldo entornou.”

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Segundo Tadeu, a PM de São Paulo é “legalista”. “Jamais a polícia vai afrontar o governador Doria. Isso não vai acontecer. Mas a insatisfação fica”, afirmou o deputado. 

Coronel Tadeu disse ainda que não há nenhum dispositivo legal contra a eventual participação de um policial militar em uma manifestação, como a que está programada para o dia 7. “A Constituição diz que é livre a manifestação do pensamento. Você pode se manifestar. Aos policiais militares existem vedações muito claras: não se filiar a partido político, não pertencer a nenhum sindicato e é proibida a greve. Tirando isso, não há mais proibições”, afirmou. “O policial militar é um sujeito que, antes de ser policial, é um brasileiro. Ao brasileiro é permitido o direito de manifestação.”

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Marcelo Ramos

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), que também participou do Opinião no Ar, demonstrou preocupação com a participação de policiais na manifestação do dia 7. Segundo o parlamentar, trata-se de um ato “ilegítimo” porque prega, no seu entender, “a invasão e o fechamento do Supremo Tribunal Federal”.

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“Essa não é uma manifestação legítima. Se a pauta for essa, é uma manifestação inconstitucional”, criticou Ramos, que faz oposição a Bolsonaro. “A premissa para mim é outra. Podem defender o presidente Bolsonaro, podem defender o que bem entenderem. Mas não pode haver manifestação para propugnar invasão ou o fechamento do STF. Aí é fora das quatro linhas.”

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9 comentários

    1. O Marcelo Ramos, fora das 4 linhas estão muitos deputados federais, senadores e 9 vagabundos, integrantes do STF, seus VAGABUNDOS!

      E nao adianta o Jose Carlos Guillem Blat, amiguinho do Doriana, botar pressão abrindo ‘procedimento de oficio’ contra os PM’s.

      MP-SP só serve pra prejudicar o povo de Sao Paulo. Não fazem nada que seja passivel de admiração e respeito.

      1. Esse procurador não está a serviço da justiça, mas sim da causa.

  1. Senhor Fabio Matos , boa tarde. Veja bem: acredito que é muito perigoso que esta Revista continue a alimentar este debate. O senhor com certeza não está avaliando o perigo que é servidores que possuem armas nas cinturas tomarem partido de A ou B. Eu não i9magino que o senhor e seu preclaro Editor avaliem se amanhã ou depois aparecer uma ala da polícia que queira defender outro candidato. O senhor e seu editor não avaliam se as polícias e as Forças Armadas estiverem eventualmente com apoios a candidatos de lados opostos ou da chamada terceira via. Considero uma irresponsabilidade sem tamanho a Oeste se prestar a dar espaço a este tipo de opinião de uma pessoas que não se sabe até onde tem essa pretensa representação. Imagine senhor jornalista e senhor redator de Oficiais e Graduados( sargentos e soldados) estiverem eventualmente em lados opostos. Imagine se a Polícia for convocada pela Justiça a confrontar manifestantes também fardados e da mesma corporação? Mais uma vez reflitam sobre este espaço. Não joguemos mais gasolina nesta fogueira. Já há incendiários o suficiente para promover um desastre social, cujas consequências os senhores jornalistas já conhecem. Esta pauta é realmente uma bomba que os senhores estão colocando no colo dos leitores e eleitores sem a menor necessidade.

    1. JR (você poderia colocar seu nome e nao se esconder atras de um pseudonimo), discordo de você e seu comentário soa, no mínimo, intimidador.
      Acreditar que os militares que queiram participar de um ato em favor de sua liberdadade como cidadão pode ocasionar tiros pra lá e pra cá é uma colocação leviana e desprovida de inteligência. Esse pais está tomado por facçoes criminosas muitas vezes acobertadas por gente grauda (voce deve imaginar aqui do que eu estou falando) e imagina voce se esses caras resolvem ‘tocar o terror’ em alguma manifestacão, portando e usando seus armamento pesado????
      ‘Por sorte’ e veja a ironia dos fatos, até hoje “apenas” tivemos black blocks quebrando aqui e ali e ateando fogo nas lixeiras…. Povo calado e desarmado!!!! É isso que voce defende, pelo teor do seu comentario. Repudio seu comentário.
      Vai quem quer! Ficar quem quer “Renan”.

  2. Sugiro que retirem as crianças e idosos da sala antes que ocorra algo fora do “script” nesse 7 de setembro. Vocês entenderam, não é? Ou querem que eu desenhe?

  3. Ministério Público e STF. O que há em comum entre esses dois “comandantes”? As ditaduras iniciaram ao se tirar o direito de expressão/manifestação pessoas, indiferente da atuação profissional. Mera coincidência?

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