A Enel, concessionária de energia elétrica na cidade de São Paulo, informou que o apagão registrado entre 9 e 10 de dezembro afetou 4,4 milhões de clientes, o dobro do número divulgado inicialmente pela própria empresa no ano passado. À época, a concessionária havia dito que 2,2 milhões de clientes ficaram sem luz diante da passagem de um ciclone pelo Estado.
Os dados constam de informações enviadas pela Enel à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e foram revelados pela Rede Globo, com confirmação do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a empresa, esse número se referia ao pico de consumidores desligados simultaneamente, e não ao total acumulado durante o período do apagão.
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Em nota, a Enel explicou que os ventos fortes persistiram por cerca de 12 horas e que, à medida que alguns clientes eram reconectados, outros passavam a ser afetados pela força do vendaval. “O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático”, disse a empresa.

Leia a nota completa da Enel:
“A Enel São Paulo esclarece que, depois de consolidação dos dados preliminares, identificou que o número de clientes afetados pelo ciclone extratropical que atingiu a área de concessão no dia 10 de dezembro foi de 4,4 milhões de clientes, o que corresponde à soma de unidade afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de fortes ventos.
À medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. A informação foi apurada pela própria companhia pós-evento climático. A distribuidora destaca que o volume de 2,2 milhões de clientes atingidos – divulgado durante a operação de restabelecimento de energia – corresponde ao pico de instalações interrompidas simultaneamente.
O acumulado de desligamentos é apurado posteriormente, pois inclui até a análise de sistemas de automação, que registraram e religaram unidades de forma imediata, sem a intervenção de equipes em campo. Os dados foram enviados pela distribuidora à Aneel em 19 de dezembro e são auditados pela agência. A Enel reforça que os números divulgados em tempo real no mapa de energia de seu site mostram os clientes interrompidos no momento.
O fluxo das ocorrências de operação no período do ciclone e a atuação das equipes da companhia seguiram dentro de um padrão normal para eventos desse porte, com as equipes em campo atuando conforme o Plano de Atendimento a emergências da companhia. Todos os dados sobre o impacto do ciclone e sobre as ações da empresa foram fornecidos à Aneel e serão auditados pela agência.“
A correspondência enviada à Aneel, datada de 19 de dezembro, detalha que a consolidação dos dados permitiu à agência chegar ao total aproximado de 4,4 milhões de clientes com fornecimento interrompido em 10 de dezembro de 2025. Segundo a Enel, isso garante uma representação mais fiel do impacto do evento e a correta separação dos tipos de atendimento realizados.
De acordo com o documento, os sistemas automáticos da rede restabeleceram o serviço para 1,1 milhão de clientes naquele dia, enquanto outros 3,2 milhões tiveram a energia retomada por meio da atuação de equipes em campo. As informações também indicam um número reduzido de atendimentos na madrugada do dia 11, período em que muitos consumidores ainda enfrentavam os efeitos do apagão.
A empresa justificou que concentrou as equipes principalmente durante o dia para ampliar a produtividade, dada a natureza do evento.

Governo e prefeitura pedem fim do contrato da Enel depois do apagão
Os ventos que causaram o apagão chegaram a 98 km/h, velocidade inédita desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia, em 1963. O fenômeno provocou uma série de transtornos em cadeia na capital, deixando milhões de imóveis sem energia e afetando moradores de diversas regiões.
Em dezembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), anunciaram o pedido de caducidade do contrato da Enel. A solicitação foi encaminhada à Aneel, que informou que utilizará um processo já aberto em 2024 para acelerar a análise, incluindo a apuração das falhas e o direito de defesa da concessionária.
Diante do anúncio, a Enel declarou estar disposta a enterrar a fiação e defendeu sua atuação no Estado.






































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