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Economia

Banco Central fala em incerteza e menciona tarifa dos EUA

Ata do Copom cita risco fiscal e distorções no mercado de trabalho

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Mesmo com deflação de 0,11% no mês, o BC admite que a inflação ainda não está sob controle | Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O Banco Central (BC) manteve a taxa Selic em 15% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na quarta-feira 17. Segundo a ata divulgada pela autoridade monetária, o cenário exige cautela diante da combinação entre inflação alta, pressão fiscal, risco externo e incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos.

O BC reconheceu que parte do impacto da Selic elevada ainda não foi absorvida pela economia. Por isso, sinalizou que pretende manter a taxa em 15% por um período prolongado. O patamar atual é o mais alto desde julho de 2006.

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A decisão do Copom busca forçar a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% ao ano, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses ficou em 5,13%, acima do limite superior. A última vez que o índice permaneceu dentro da meta foi em setembro de 2024, quando registrou 4,42%.

Mesmo com deflação de 0,11% no mês, o BC admite que a inflação ainda não está sob controle. Em julho, a instituição publicou uma carta oficial em que afirma que espera trazer o IPCA anualizado de volta ao intervalo permitido até o primeiro trimestre de 2026.

Banco Central afirma que pressões externas aumentam risco econômico

O Copom expressou preocupação com os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros. O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou em julho o decreto que criou uma alíquota de 50% sobre parte das exportações do Brasil. A autoridade monetária informou que acompanha de perto esses desdobramentos e como eles afetam os preços e os ativos financeiros.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, escreveu o comitê.

A ata do Copom afirma que a economia brasileira apresenta sinais de moderação no crescimento, mas destaca que o mercado de trabalho continua aquecido. A taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho — o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.

Segundo o BC, o dinamismo no emprego contrasta com a desaceleração em outros indicadores de atividade, o que exige vigilância adicional. A valorização do real ante o dólar nas últimas semanas também entrou na análise do comitê, que avalia os impactos cambiais sobre os preços internos.

O BC deixou claro que não descarta retomar o ciclo de alta dos juros, caso julgue necessário. “Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados.”

+ Leia também: “Brasil pode liderar aumento da carga tributária mundial até 2050”

O Copom reforça que manterá o juro no nível atual pelo tempo que for necessário para conter a inflação. A sinalização atende às projeções do mercado, que já esperava a decisão unânime pela manutenção da Selic.

Com a Selic em 15% e a inflação projetada para os próximos 12 meses em torno de 5,5%, o Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo: 9,51% ao ano. Só a Turquia apresenta uma taxa mais alta, com 12,34% ao ano.

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1 comentário
  1. Marcio Yukio Katsuki
    Marcio Yukio Katsuki

    O BC tem que mostrar quantos brasileiros estão no Bolsa Família. Com isso irá explicar o baixo índice de desemprego. O mercado fica aquecido porque comer, beber, vestir e se medicar são obrigatórios, logo, isso é mascarado uma vez que todo o salário fica retido nessas quatro contas essenciais. Os supérfluos a cada dia, vão diminuindo cada vez mais.

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