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Economia

EUA e União Europeia estão próximos de definir tarifa de 15%

O acordo espelharia o combinado com o Japão e evitaria ameaça de Trump de elevar as alíquotas para 30%

União Europeia tenta pressionar os Estados Unidos ao mesmo tempo em que reconhece os riscos de um rombo bilionário na balança comercial | Foto: Reprodução/Twitter/X
A Hungria sinalizou que poderá levar a decisão ao Tribunal de Justiça da UE | Foto: Reprodução/Twitter/X

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) estão perto de fechar um acordo comercial que estabelece tarifas de 15% sobre importações europeias. O combinado, segundo informou o jornal britânico Financial Times nesta quarta-feira, 23, seria semelhante ao firmado nesta terça-feira, 22, entre o governo dos EUA e o Japão.

Segundo três fontes com conhecimento das negociações ouvidas pelo Financial Times, Bruxelas pode aceitar essas chamadas tarifas recíprocas para evitar a ameaça do presidente Donald Trump de elevar as taxas para 30% a partir de 1º de agosto.

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“O acordo com o Japão deixou claras as condições da extorsão”, afirmou um diplomata europeu. “A maioria dos Estados membros está torcendo o nariz, mas pode acabar aceitando esse acordo.”

Donald Trump, faz comentários sobre tarifas no Rose Garden da Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 2 de abril de 2025 | Foto: Reuters/Carlos Barria

Ambos os lados abririam mão de tarifas sobre alguns produtos, como aeronaves, bebidas alcoólicas e dispositivos médicos, disseram as fontes. A Comissão Europeia, responsável pela política comercial da UE, atualizou os representantes dos países membros nesta quarta-feira, depois de conversas com autoridades norte-americanas.

A notícia do possível acordo impulsionou o euro, que recuperou perdas anteriores e passou a operar estável ante o dólar. As ações nos EUA também subiram nesta quarta-feira, com o índice S&P 500 em alta de 0,65% às 15h46.

UE paga sobretaxa aos EUA desde abril

Desde abril, exportadores europeus pagam uma tarifa adicional de 10% sobre os produtos enviados aos EUA, enquanto as negociações entre Washington e Bruxelas se desenrolam. A alíquota soma-se a tarifas preexistentes, com média de 4,8%.

As fontes disseram entender que a tarifa mínima de 15% incluiria essas taxas já existentes — o que, para Bruxelas, consolidaria o status atual. Nesse cenário, as tarifas sobre automóveis, atualmente em 27,5%, cairiam para 15%.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse esperar que um acordo para encerrar a disputa comercial entre EUA e UE seja fechado em breve. “Esperamos, neste exato momento, que possa haver uma decisão” sobre o comércio, afirmou Merz ao receber o presidente francês, Emmanuel Macron, em Berlim para conversas bilaterais.

Trump impôs tarifas setoriais mais altas sobre carros e autopeças no início do ano, sob a justificativa de leis de segurança nacional. Autoridades da UE têm pressionado fortemente por isenções dessas tarifas para as montadoras europeias.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: Alishia Abodunde/Pool via REUTERS
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: Alishia Abodunde/Pool via REUTERS

Duas das fontes disseram que o acordo entre EUA e Japão empurrou Bruxelas a uma aceitação relutante de uma tarifa recíproca mais elevada, a fim de evitar uma guerra comercial prejudicial. A UE ainda pode retaliar caso Trump tente avançar mais ou cumpra a ameaça de elevar as tarifas recíprocas para 30% a partir de agosto.

Entre as medidas possíveis está o uso do Instrumento Anticoerção (ACI) — apelidado de “bazuca comercial” do bloco. Nunca utilizado antes, o ACI permitiria a Bruxelas bloquear empresas norte-americanas em licitações públicas, revogar proteções de propriedade intelectual e restringir importações e exportações.

O bloco também seguirá preparando um possível pacote de tarifas retaliatórias no valor de até € 93 bilhões, com alíquotas de até 30%, caso o acordo não seja fechado até 1º de agosto, acrescentaram as fontes. Um funcionário do governo dos EUA disse que a situação ainda está sujeita a mudanças.

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