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Economia

FGC deu R$ 4 bi ao Master meses antes de liquidação

Aportes buscavam viabilizar saída ordenada do mercado, mas crise de liquidez persistiu

daniel vorcaro - dono do banco master - palestra
Daniel Vorcaro era o dono do Banco Master, instituição financeira que foi liquidada judicialmente pelo Banco Central | Foto: Reprodução/YouTube/@JornaldaRecord

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu R$ 4,3 bilhões em assistência financeira ao conglomerado Master nos meses que antecederam a liquidação extrajudicial das instituições ligadas a Daniel Vorcaro pelo Banco Central (BC). Documento obtido pela emissora CNN revela que os aportes ocorreram entre 5 de maio e 1º de outubro de 2025.

Os recursos foram direcionados integralmente à quitação de instrumentos que, em caso de intervenção, acionariam a cobertura do próprio fundo. A medida buscava viabilizar uma reorganização societária e uma saída ordenada do mercado. Em contrapartida, o grupo conseguiu captar apenas R$ 90,2 milhões no período.

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Na prática, os valores liberados pelo FGC tinham como destino exclusivo o pagamento de títulos cobertos pela garantia do fundo, cujo limite é de R$ 250 mil por investidor. O estatuto da entidade permite esse tipo de operação — incluindo linhas de liquidez — desde que voltada à proteção de depositantes, à prevenção de crises sistêmicas ou à preservação da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional.

O FGC atua na prevenção de crises bancárias, garantindo depósitos e oferecendo suporte a instituições associadas | banco pleno, master, will
O FGC atua na prevenção de crises bancárias, garantindo depósitos e oferecendo suporte a instituições associadas | Foto: Reprodução/ Redes sociais

A área técnica do BC avaliou que, apesar de não terem prosperado soluções de mercado, houve redução do custo potencial tanto para o fundo quanto para a sociedade ao longo do processo. A exposição do FGC caiu de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões, considerando um cenário de desembolso efetivo no regime especial.

Ainda assim, a assistência de curto prazo e outras medidas adotadas — como aumento de capital, cessão de carteiras e venda de ativos do controlador — não foram suficientes para conter o agravamento da crise estrutural de liquidez do conglomerado.

Em 21 de setembro, o Banco Master apresentou um novo plano ao Banco Central, no qual previa recomposição dos compulsórios em até 180 dias. A proposta incluía:

  • Venda integral do Master Múltiplo e da Will Financeira, com transferência de controle;
  • Entrada de investidores no Letsbank;
  • Reestruturação de custos;
  • Acordo operacional com o BRB, que se comprometeria a adquirir até R$ 400 milhões mensais em créditos;
  • Aporte de até US$ 400 milhões por investidores estrangeiros;
  • Liquidação privada de ativos com apoio do FGC até dezembro de 2026;
  • Destinação de até R$ 8,5 bilhões em direitos creditórios do controlador ao banco.

Dois dias depois, o FGC sinalizou ao Banco Master que poderia avaliar a ampliação da linha de assistência, em caráter de boa-fé, desde que houvesse um plano concreto e viável de saída do mercado.

O Pátio Manzoni na Faria Lima, em São Paulo, sede do Banco Master | Foto: Reprodução
O Pátio Manzoni, na Faria Lima, em São Paulo, sede do Banco Master | Foto: Reprodução

Liquidação do Master gerou maior resgate da história do FGC

As tratativas avançaram, e, em 7 de outubro, o fundo decidiu estender a assistência exclusivamente à Will Financeira, no período de 2 de outubro a 30 de novembro, além de flexibilizar parte das condições pactuadas anteriormente. Os termos foram aceitos no dia seguinte.

Mesmo assim, a ajuda não conseguiu reverter o quadro de iliquidez. Diante disso, o Banco Central concluiu que a liquidação extrajudicial era a alternativa mais adequada para preservar o funcionamento do sistema financeiro.

Quando a intervenção foi decretada, em 18 de novembro, o Banco Master tinha apenas R$ 4,8 milhões em caixa livre aplicados em títulos públicos federais, perante vencimentos imediatos de Certificados de Depósito Bancário que somavam R$ 48,6 milhões.

daniel vorcaro preso acordo
Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAP

Auditoria do Tribunal de Contas da União, por meio da Audibancos, concluiu posteriormente que a atuação do Banco Central esteve dentro dos parâmetros esperados. Segundo os técnicos, a liquidação foi uma medida necessária, respaldada na legislação e em fundamentos técnicos.

Desde o fim de 2024, o BC já liquidou nove instituições associadas a Vorcaro. Com isso, o FGC deverá desembolsar mais de R$ 50 bilhões para honrar credores — o maior resgate da história do fundo.

Leia também: “O rastro da roubalheira“, reportagem de Sarah Peres publicada na Edição 313 da Revista Oeste

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