Uma simulação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que empresas do setor de serviços podem ter aumento de impostos de até 96% com a reforma tributária que agora tramita no Senado.
Já aprovada na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019 causaria o maior impacto negativo, principalmente às empresas cujas folhas de pagamento são parte significativa da despesa.
Receba nossas atualizações
+ Ipea diz que maioria dos municípios e Estados ganha com a reforma tributária
O estudo, divulgado na segunda-feira 28, levou em consideração informações da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e considerou o impacto da reforma tributária em empresas com receita mensal de R$ 400 mil enquadrada no regime de lucro presumido e alíquota-padrão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) de 27%.
Segundo a FecomercioSP, nesse cenário, a carga tributária passaria de 19%, pela regra vigente, para mais de 26%, o que corresponde a um aumento de mais de 7,5 pontos porcentuais, ou de 39%. “Para estimar os valores que a empresa geraria de crédito, foram considerados os pesos das variáveis “custo da mercadoria vendida”, “consumo intermediário” e “gastos com pessoal” sobre a receita operacional líquida”, informou a federação.

Entretanto, a situação é ainda mais grave para os segmentos cuja folha de pagamento tem um grande peso sobre as despesas. Nesse segmento, enquadram-se serviços profissionais, administrativos e complementares, como empresas de auditoria e consultoria.
+ ‘Imposto do pecado’ preocupa prestadores de serviços essenciais
“Caso a reforma tributária seja aprovada da maneira em está, a carga delas sofrerá um aumento de 59,6%, em um cenário conservador, em que a empresa conseguiria obter créditos de parte das suas despesas”, explicou a federação. Mas se não for possível o “creditamento”, assim como a dificuldade da obtenção de crédito concernente aos demais gastos, “é possível afirmar que haverá um aumento de aproximadamente 96,4% da carga tributária para esses serviços”.

‘Reforma tributária não visa à redução universal dos impostos’
A FecomercioSP, ao divulgar o estudo, afirmou que a reforma tributária “foi desenhada mais com base nos ganhos de determinados setores do que em uma redução universal da carga de impostos”. “Dito em outras palavras, o texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê um aumento da carga tributária para o setor mais importante da economia nacional para beneficiar outros setores econômicos.”
Segundo a federação, o setor de serviços é responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por cerca de 60% dos empregos formais.
+ Mario Sabino: ‘A reforma tributária e a forma simples de escorchar o pagador de impostos’
A organização também lembra que o governo já informou que, depois da aprovação da reforma, vai tentar aprovar a tributação na distribuição de dividendos, “ou seja, novo aumento da carga tributária”.

Outra crítica se refere à suposta desburocratização e à diminuição da complexidade de recolhimento de tributos no Brasil. “O projeto atual não cumprirá o seu objetivo”, concluiu a FecomercioSP. “Isso acontece porque o IVA, modelo que possibilita o ‘creditamento’ de tributos pagos em etapas anteriores da cadeia produtiva, manterá uma sequência complexa de débitos e créditos — sem contar a necessidade do Erário em ter uma estrutura de obrigações fiscais que, longe de se manter enxuta, precisará se tornar ainda maior. As empresas terão de rever todo o planejamento tributário.”
Apesar de destacar alguns pontos positivos da reforma tributária, como o fim da guerra fiscal e do chamado “efeito cascata”, em que um tributo incide sobre outro, e do cálculo “por dentro”, a federação acredita que “esses avanços na legislação não podem ocorrer em conjunto com aumento de carga”.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.